Sistema de cotas

A Constituição federal diz em seu artigo 5º que ''todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza''. A Carta Magna ainda prevê que o racismo é considerado crime, conforme está previsto no inciso XLII do artigo 5º. A reserva de cotas para os afrodescendentes e para alunos da escola pública não deixa de ser uma forma de discriminação e de violação da igualdade das pessoas. Pois, indiretamente, passa a impressão que estas categorias de alunos são menos capacitadas que os demais e passa a imagem que estes estudantes necessitam da força da lei para conseguir entrar na faculdade.
O Estado deveria se preocupar em melhorar a qualidade do ensino básico e do ensino público para que os alunos tenham condições de competir com igualdade com os alunos que possuem condições de frequentar escolas particulares.
Este tipo de medida não é a solução para as diferenças sociais em nosso País. O governo deveria oferecer melhor condição de ensino para os estudantes das redes públicas, deveria se preocupar em remunerar melhor os professores e oferecer melhor estrutura de trabalho. Os próprios beneficiários do sistema de cotas poderão acabar sendo discriminados ou mesmo se sentir inferiorizados, pois a sua vaga no ensino superior foi conquistada pelos privilégios da lei e não exclusivamente por mérito próprio.
Todos possuem a mesma capacidade intelectual para competir de maneira igual pelas vagas no ensino superior. Resta apenas boa vontade do poder público em oferecer um ensino público de qualidade.
TOCHITANE MITSI (aposentado) - Londrina

Hipocrisia

Não é muito difícil entendermos como e porque os governantes manipulam o povo simples e humilde com ações na mídia usando artistas com polpudos cachês, ongs que buscam dinheiro pelo toma-lá-dá-cá. Isso pudemos presenciar nos jornais e televisões, onde alguns oportunistas e artistas como Fafá de Belém que subiram a Favela da Rocinha no Rio de Janeiro, ex-Cidade Maravilhosa, cantando o Hino Nacional. O povo está cansado de toda essa palhaçada, traição e enganação. Ele quer, precisa e tem direito à saúde, educação, habitação e quer pagar por isso. Não quer esmolas e ser usado por supostos salvadores da pátria que agora atacam como vampiros no Ministério da Saúde com falcatruas, superfaturamento, enquanto o povo morre à míngua nos hospitais públicos.
JOSÉ PEDRO NAISSER (aposentado) - Curitiba

Crise no Sistema

Qual seria o melhor sistema de governo para a consolidação do Estado justo? É realmente uma boa pergunta! O que não se pode negar é que o atual realmente não emplaca. Se viajarmos na história veremos uma infinidade de tentativas de modelos de governo, seja ele monárquico totalitário ou republicano, liberal nos moldes greco-romano ou ditatorial socialista a exemplo da ex-URSS. As apostas populares, pela prerrogativa do voto, parecem incessantes, mas as esperanças estão por esgotar-se.
Foi grande a expectativa do povo brasileiro pelo novo governante que com sua origem trabalhista oposicionista demonstrava ser o governo do trabalhador, do sem-terra, do sem-teto, do esfomeado. Mas esse se posta como subserviente e se isenta de ousadia, frustrando as esperanças dos excluídos.
A sujeição do estadista é delatada pela imprensa mundial até na sucursal do seu próprio território, e a sua esquiva, pela força dita legítima, o desmobiliza diante da opinião mundial. Não obstante, os opositores, que foram governo, não tiveram atitude diferente. Portanto, não há oposição moral plausível.
Fazendo apologia à carta com o título ''E agora Lula?'', do servidor municipal Carlos Siqueira, publicada na Folha em 12/05, essa realmente é uma efetiva preocupação de toda a nação que busca, não só do atual governo mas de toda a autoridade política, alternativas para mudanças dinâmicas que visem a ''soberania'' há muito perdida. A pergunta que me ocorre agora é, ''E agora povo brasileiro?''.
MARCIO VIDOTTO (sociólogo) - Londrina

Igreja e vocações

Por ocasião do 41º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, dia 2 de maio, o Papa João Paulo II enviou um documento que foi lido em toda a Igreja sobre o problema vocacional. O documento iniciou com a frase bíblica: ''Por isso, pedi ao senhor da messe que mande trabalhadores para sua messe'' (Lc. 10,2). O bom Pastor sempre manifestou preocupação pelas ovelhas. Isto pelas palavras ''tenham vida e a tenham em abundância'' (Jô. 10,10).
Após a ressurreição, Jesus confiou a Igreja aos seus discípulos, para continuar a missão por ele iniciada. Pediu: ''Segui-me'' (Jô .21,22). O Papa João Paulo II ainda afirmou que ''apesar dos vastos processos de secularização, se verifica hoje, uma generalizada exigência de santificação, que em grande parte se exprime numa renovada carência de oração'' (nº33). É nesta ''carência de oração'' que se insere o nosso pedido ao Senhor, a fim de que mande operários para a sua messe''. No corpo Místico existe uma grande variedade de ministérios e carismas (1 Cor. 12,12), e todos têm como finalidade a santificação do povo cristão. Na aspiração recíproca à santidade, que deve animar todos os membros da Igreja, é indispensável rezar a fim de que ''as pessoas chamadas'' permaneçam fiéis à sua vocação e alcancem a mais alta medida possível de perfeição evangélica.
''Deus chama quem ele quer, (Mc. 3,13), cada ministro de Cristo deve procurar rezar com perseverança pelas vocações. Ninguém melhor do que é capaz de compreender a urgência de uma substituição geracional que garanta, pessoas generosas e santas para o anúncio do Evangelho e a administração dos sacramentos''. ( nº4).
O Papa ainda afirma que ''o Espírito Santo faça a toda a Igreja um povo de orantes, que levantem a sua voz ao Pai celestial, em ordem a implorar vocações santas para o sacerdócio e a vida consagrada. Oremos a fim de que, aqueles que o Senhor escolheu e chamou, sejam testemunhas fiéis e alegres do Evangelho, ao qual consagraram sua existência''. Sempre foi uma grande preocupação por parte da Igreja o problema vocacional, mas agora, com a falta de vocações na Europa, o apelo torna-se mais forte e atual.
NATALÍCIO JOSÉ WESCHENFELDER (padre) - Santa Isabel (PR)

mockup