Aumento do álcool

A história se repete. Quem viu o comentário do jornalista Ricardo Boechat, no Jornal da Band, culpando usineiros pelo aumento do preço do litro do álcool, está sendo induzido em erro, pela inconsistência da informação. Não sabemos quais são suas fontes, mas não podem ser fidedignas. Vamos colocar as coisas no lugar. O jornalista Ronaldo Knack, em brilhante artigo publicado no Brasil@gro de ontem, lembra que em março do ano passado o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, em nome do presidente Lula, convocou o setor canavieiro e sucroalcooleiro para um acordo de cavalheiros, onde o preço do álcool não poderia ultrapassar os R$ 1 para as usinas.
Novamente, ele diz, por falta de união os produtores caíram na cilada armada pelas distribuidoras e reduziram o preço, inferior a R$ 0,40 o litro. Não contentes, elas alteraram seus prazos de compras, e passaram a adquirir o álcool hoje para entrega amanhã. A manobra era comprar o combustível a preços ainda mais aviltantes, pois no início de safra os preços historicamente são baixos. Então, sem estoques, as distribuidoras deixaram de adquirir álcool quando os preços estavam no limite da baixa e apostaram, como diz Ronaldo Knack, ''em algo imprevisível, elas - se viram agora, em razão das fortes chuvas nos Estados de São Paulo e Paraná - em menos de 20 dias de safra na região de Ribeirão Preto já foram registradas paralisações nas usinas em nível maior do que em toda a safra passada - a pagar o preço do dia''.
A malandragem vem agora: jogam um aumento no preço do álcool hidratado e da própria gasolina à revenda (postos). Nenhuma ética. O consumidor que se lixe. É assim que as distribuidoras agem, extorquindo produtores de álcool, impondo preços aviltantes, mas agora erraram feio. O pior é que não vemos a ANP - Agência Nacional de Petróleo - fazer nada, e a opinião pública é jogada injustamente contra as usinas.

CARLOS ALBERTO MONTEIRO LARCHER (Industriário) - Rondon (PR)



Servidores esquecidos

A Folha de Londrina divulgou que os secretários de Estado almejam salários de R$ 11,9 mil, um aumento de 102% sobre os atuais R$ 5,9 mil. Eis que, encontra-se na Assembléia Legislativa do Paraná um anteprojeto de lei do Poder Executivo, propondo dobrar os salários dos atuais secretários do Governo Requião. E depois virão os cargo de confiança? De outro lado, os cerca de 46 mil servidores estaduais (ativos, aposentados e pensionistas) do denominado, QPPE - Quadro Próprio do Poder Executivo (ex-Quadro Geral do Estado), amargam desde agosto de 1995 a total ausência de reajuste salarial, acumulando perda salarial de 101, 8% (INPC-IBGE), de 151,13 % (IGP-FGV) ou de 105,12 % (ICV-Dieese/PR). Para ilustrar o tamanho da discrepância, temos que os servidores estaduais do QPPE, enquadrados no cargo de agente de apoio (1º grau), possuem piso salarial de R$ 228,41 e atualmente um máximo, de R$ 395,53. Os servidores do cargo de agente de execução (2º grau), possuem piso salarial de R$ 334,21 e atualmente um vencimento base máximo de R$ 584,31.
É neste contexto de extrema carência por parte dos servidores estaduais do QPPE, que os secretários do Governo Requião, querem salários de R$ 11,9 mil. Justo numa situação normal, porém injusto quando vê-se que outros setores do funcionalismo estão e ficarão sem perspectivas de correção dos seus salários, já que o governo do Estado diz que já gasta com pessoal, mais do que prevê a Lei de Responsabilidade Fiscal (LC nº 101/01). Não somos contrários à correção dos salários dos secretários em 102%, e tampouco de quem quer que seja, o que achamos é que, sendo os recursos do Estado escassos, que seja distribuído de forma equitativa e justa, entre todos os setores que necessitam de correção de suas remunerações.

ROBERTO DE ANDRADE SILVA (servidor público estadual) - Curitiba




Lei das leis

No Brasil existem três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Isso qualquer criança que inicia o ensino médio sabe dizer decor e salteado. É também do conhecimento dos brasileiros que nosso regime é presidencialista e que os poderes são independentes e harmônicos entre si. Porém, há de ser esclarecido que mudanças constitucionais e das leis são feitas ou modificadas a livre arbítrio de movimentos e facções criminosas sem amparo legal de quem de fato e direito deveria fazê-las. As leis emanadas dos poderes contitucionais são respeitadas e cumpridas pelas pessoas honestas. No entanto, paralelamente a elas, se sobrepõem outras leis impostas por traficantes de droga que são obedecidas por pessoas honestas e trabalhadoras por temor a represálias. Há leis impostas até pelo MST, movimento muito forte que recebe apoio de setores religiosos formadores de opinião que podem transformar um movimento perigoso em uma benção de Deus. A bagunça é tanta que bandidos são transformados em presos políticos. A desobediência civil mostra a ineficiência do poder público em fazer cumprir as decisões judiciais.

NELSON CARLOS FERREIRA (servidor público estadual) - Barbosa Ferraz (PR)

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