CARTAS
Políticos Injustiçados
Às vezes fico a pensar por que será que os nossos políticos são tão injustamente criticados e caluniados quanto à atuação ou mesmo omissão no exercício da função outorgada pelo voto popular? A propósito, não rara vezes, nos deparamos com manifestações dos mesmos, especialmente os integrantes do Poder Legislativo, das três esferas da administração, reclamando da generalização dos eleitores. Segundo estes injustiçados, por conta de uma minoria corrupta, preocupada em legislar em causa própria, descompromissada com seus eleitores, todos são colocados num mesmo balaio. Façamos um esforço mastodóntico e vamos acreditar que apenas uma minoria dos políticos agem desta forma, qual seja: são desonestos no trato da coisa pública e prejudicam seus pares. Sempre ouvi afirmações dando conta que numa democracia a vontade da maioria é soberana. Vamos admitir que o Brasil seja realmente uma democracia e aí nos cabe alguns questionamentos. Por que esta maioria não corrupta, cumpridora dos seus deveres não faz um esforço concentrado visando a criação de novas leis e aperfeiçoamento das inúmeras existentes visando punir exemplarmente e banir da vida pública políticos corruptos e descompromissados com a nação e que denigrem a imagem da maioria honesta? Creio que este esforço concentrado deveria começar pelas Câmaras de Vereadores, que através da sua entidade representativa foi muito ágil em ir até Brasília às custas dos contribuintes pressionar os deputados para manutenção ou ampliação do atual número de vereadores e os conseqüentes privilégios da categoria. É certo que não serei expulso do meu país por conta desta minha sujestão e dúvida quanto à existência de uma maioria não corrupta na política brasileira visto que sou brasileiro da gema. Todavia, não tenho a mesma certeza de que não serei processado pela Câmara de Vereadores de Londrina por conta desta minha sujestão e dúvida.
LOURIVAL BARBOSA (estudante) -Londrina
Investir bem
Ganhar dinheiro é a prioridade da maioria das pessoas quando se fala em trabalho. Elas estão trabalhando cada vez mais com o objetivo de ganhar muito mais dinheiro e são levadas a acreditar que quanto mais tiverem, melhor viverão. Entretanto não é isso que ocorre. Não é difícil encontrarmos trabalhadores que recebem um ótimo salário mensal reclamando da falta de dinheiro. O que acontece é que esses não têm uma boa educação financeira. Pois se tivessem, saberiam investir seu dinheiro em ativos que lhes renderiam cada vez mais. Porém estão preocupados em comprar casas, carros melhores sem pensar que os impostos e as despesas para com esses aumentarão proporcionalmente.
Com uma boa instrução financeira, uma pessoa pode enriquecer rapidamente e com muita facilidade, basta usar a cabeça e fazer o dinheiro trabalhar para ela e não trabalhar arduamente para conseguir mais e mais. Fazer o dinheiro trabalhar para nós significa fazê-lo a partir dele mesmo, ou seja, investir em ativos que tenha um bom retorno financeiro independente da renda mensal obtida no emprego. Um indivíduo que conseguir isso poderá se dizer independente financeiramente não precisando mais trabalhar para outras pessoas e colaborar para o enriquecimento dela ao invés de conseguir o seu próprio.
ROGÉRIO AUGUSTO LIMA GUARNERI (estudante) - Ibaiti (PR)
Capital x desempregado
O desemprego é a maior bomba deste século, dizem os economistas. O capitalismo mundial está colocado em chek, e não consegue prover ao mercado de trabalho as vagas necessárias aos que delas necessitam. Não é sem dúvida que o dirigente alemão levou um tapa na cara de um trabalhador desempregado. Contudo, tenho lido citações de alguns economistas internacionais, dizendo o seguinte: o capital não tem a obrigação de gerar empregos. A obrigação de gerar empregos são dos governos, e suas políticas públicas. Isso nos faz pensar, refletir, sobre as ações de nossos dirigentes. Estamos num ano eleitoral e devemos ser mais consciente de nossas responsabilidades na ora de escolher os nossos representantes. É um fato, o de que o capitalista não é obrigado a ter compromisso com o social. O capital visa em primeiro lugar obter um retorno de sua aplicação, ou seja, o lucro. Nesse mundo competitivo fica muito difícil se exigir do capitalismo compromissos com o social. Penso que está na ora de debruçarmos sobre esse problema e discutir com muita calma até onde vai a responsabilidade do capital sobre o desempregado. Os dados estão aí, são alarmantes e não é problema apenas de nosso País, mas sim do mundo capitalista.
ANTONIO PEREIRA (contador) - Londrina
Coisas do Brasil
Tenho viajado e pesquisado e não consegui encontrar país mais patético que o Brasil. Exemplo: voz do Brasil no rádio FM, horário político simultâneo em todos canais, voto obrigatório, serviço militar obrigatório sem vaga para todos os jovens, universidade de graça para ricos e milionários, cotas para negros criando racismo contra os brancos, Poder Judiciário eficaz contra pobres, políticos que roubam e nada acontece, tributação desestimulando empregos, pessoas preocupadas com o Bush e o Iraque, invés de limpar seus quintais, linhas de telefone larapiadas pela Anatel sem indenização, o golpe do compulsório... Cada vez sinto mais vergonha de ser brasileiro.
EDER SANTINI (vendedor) - Londrina
* As cartas devem ser digitadas, assinadas, com no máximo 10 linhas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Cartas e e-mail sem os acompanhamentos exigidos não serão publicados.
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