Herança maldita?

Para refletir: a compra de um avião de 56 milhões de dólares, investigado pelo MP por ter sido comprado sem licitação, é herança maldita de FHC? O aumento da carga tributária, em especial a Cofins que incide sobre o setor que mais emprega no País, é herança maldita de FHC? O recente aumento dos impostos sobre a gasolina, o diesel e o gás de cozinha, majorando ainda mais o preço destes produtos ao trabalhador, é herança maldita de FHC? O aumento recorde de desemprego, na contramão dos 10 milhões de empregos que foram prometidos, é herança maldita de FHC? O crescimento negativo do PIB, a estagnação da economia e pessimista previsão de crescimento para 2004, é herança maldita de FHC? O abafamento da CPI do Waldomiro por meio de um golpe sujo no Senado, impedindo uma investigação séria do caso, é herança maldita de FHC? O fisiologismo nojento, que troca cargos por princípios, praticado por este governo com partidos aliados, é herança maldita de FHC? O famoso ''Fome Zero'' que não sai do papel, é herança maldita de FHC? O projeto ''Farmácia do Povo'' que funcionou apenas na bela propaganda durante a campanha, mas agora caiu no esquecimento, é herança maldita de FHC? A atual reforma da previdência, que dificulta ainda mais o acesso à aposentadoria e com pontos antes veementemente condenados pelo atual presidente, mas que, agora, no poder, passou a defendê-los, é herança maldita de FHC? O filho do ''ex-superministro'' da Casa Civil, que conseguiu mais verbas para sua pequena cidade do que qualquer outro deputado federal, é herança maldita de FHC? O tesoureiro de PT que viaja com o presidente e até mesmo participa das reuniões de Ministério, como se governo fosse, é herança maldita de FHC? A estrela do PT em forma de jardim feita pela primeira-dama no Palácio, como se este fosse sua propriedade particular, é herança maldita de FHC? Os mais de 2.700 cargos comissionados, sem concurso público, criados pelo governo e que irão abrigar generosamente ''companheiros'' de mesma afinidade partidária, são herança maldita de FHC?
Em suma, o estelionato eleitoral, hoje indiscutivelmente confirmado por meio da radical mudança entre aquilo que se combatia e aquilo que agora se defende, é herança maldita de FHC? Enfim, até quando o atual governo usará a ''herança maldita'' como desculpas para justificar a sua incompetência?

SÉRGIO HIROSHI MANABE (estudante) - Londrina

Cotas e preconceito

A respeito da carta publicada na Folha na última terça-feira, quero parabenizar o sr. Wilson Lino Sant'ana pela clareza, honestidade e, principalmente, pela sua esclarecedora posição a respeito dessa atitude extremamente racista que os populistas de plantão estão querendo impor. É preciso ter atenção à atitude que pode ou não ser discriminatória - e o sistema de cotas é indiscutivelmente racista. Assim como o sr. Wilson não tolera ser discriminado, embora tenha sido durante toda sua vida, ninguém, seja branco, negro, amarelo ou mulato, tolera ser discriminado, sob nenhum pretexto. Nem os brancos querem ser discriminados pelos negros! Criar cotas nas universidades seja para quem for, é criar nas pessoas o sentimento de que alguém está sendo favorecido. A partir da criação de tal sistema de cotas, estarão abrindo o caminho para incrementar a discriminação que já existe no Brasil, ainda que às vezes disfarçadamente. Daí a criar banheiros separados, cantinas distintas e salas isoladas é um pequeno passo. Criar cotas para determinadas pessoas é discriminação clara e evidente. Não podemos tolerar discriminação: seja racial, seja econômica, seja qual for! Ninguém é melhor que o outro, nem branco, nem amarelo e nem negro. Concordo plenamente e reforço a afirmação do sr. Wilson Sant'ana: ''A reserva de cotas para negros nas universidades somente fomentará o racismo em nosso país''. Não é criando cotas nas universidades que a questão da discriminação racial será resolvida, mas ao contrário, agravada.

ANDRÉ LAZZARINI (veterinário) - Londrina

Copel esclarece

Com respeito à matéria publicada na edição de sábado da Folha, com o título ''Apagões causam prejuízos e medo no Cafezal'', a Copel vem prestar os esclarecimentos que seguem. No ano de 2004, ocorreram cinco interrupções no fornecimento de energia naquele bairro: em fevereiro nos dias 8 e 27 (com duração, respectivamente, de 9 e de 44 minutos), e em maio nos dias 1º (por 34 minutos), 3 (44 minutos) e 12 (31 minutos).
Em vista desses episódios, a empresa realizou cuidadosa inspeção nas redes elétricas que servem a região para diagnosticar a razão dos desligamentos e atuar na sua solução. A Copel levantou que as principais causas das interrupções são a interferência de galhos de árvores e descargas atmosféricas nas redes de distribuição. Assim, a empresa decidiu antecipar a poda das árvores naquela região, que estava prevista para ser feita em junho: o trabalho vai começar pelas árvores situadas mais próximas da fiação elétrica e deverá reduzir bastante o risco de interrupções no fornecimento motivadas por chuvas, ventos e raios.
Contudo, é necessário salientar que os sistemas aéreos de distribuição de eletricidade, por suas características, estão sujeitos à ação de fatores que escapam completamente ao controle da empresa distribuidora. Entre eles, alinham-se as adversidades climáticas como vendavais e tempestades, a ação de animais como pássaros que se chocam contra a fiação, os atos de vandalismo e também acidentes, como abalroamento de postes. Em vista disso, algumas interrupções são inevitáveis.

ROBERLEY HENRY LUPPI SAVARIEGO (superintendente Regional de Distribuição da Copel) - Londrina


Correção

- Diferente do que informou a Folha na edição de ontem, o nome do companheiro de viagem de Che Guevara pela América do Sul, conforme retrata o filme ''Diários de Motocicleta'', é Alberto Granado.

mockup