CARTAS
Chacina
Mais uma vez uma família é trucidada de uma forma cruel e desumana. Não podemos considerar ''humano'' um ser que tira a vida de pessoas ainda mais da maneira que foram tiradas a vida do sr. Carlos Alberto de Camargo Coelho, da sua esposa Ana Terezinha Coelho e seu filho Paulo Roberto, de Apucarana. O que é mais uma chacina de uma família? O que significa isto para nós? Mais uma notícia triste? Mais um índice na estatística da violência?
Somos um povo pacífico, porém as coisas estão começando a acontecer em nossos quintais, com os nossos amigos, com os nossos familiares. Perdi um casal de amigos e fico com o coração em prantos me perguntando o porquê desta violência. Por que com pessoas que como o doutor Carlos, como era chamado, que não tinha inimigo? Quem o conhecia sabe disto por se tratar de uma pessoa que era um exemplo de ser humano, de funcionário público, que tratava a todos com respeito e tinha os seus subordinados como filhos ou irmãos. Chefe do escritório do DER de Apucarana há muitos anos, com um vasto círculo de amigos, era um homem que ''vestia a camisa'' do seu trabalho, diferente da imagem que muitos criaram em volta do funcionário público que simplesmente cumpria sua jornada de trabalho. Ele tinha amor no seu trabalho, e o fazia incansavelmente para produzir o máximo com as condições que lhe eram dadas.
Fiquei chocado ao ler a notícia no jornal desta chacina. Dias atrás, a dona Ana, brincando, reclamava com o seu Carlos que já estava na hora de aproveitarem a disposição que tinham não só para trabalhar, mas para viajar e como dizemos ''aproveitar melhor nossa vida''. Ele respondeu que faltava pouco para se aposentar, que ela tivesse paciência. Mas este dia não mais chegará. Foram tirados deles não só sua vida, mas sua dignidade, sua dedicação, seu respeito de tudo que eles fizeram durante os seus mais de sessenta anos. O que nos conforta é que sua presença ficará para sempre, principalmente no Vale do Ivaí, em cada pedaço de estrada, cada placa de sinalização e cada amizade que aqui ele deixou.
EDSON GERBER (agricultor) - Mauá da Serra (PR)
Justiça eleitoral
A cassação pelo Tribunal Superior Eleitoral do senador João Capiberibe e de sua mulher Janete (deputada federal), ambos políticos do Amapá, foi destaque na imprensa há duas semanas. Na mesma semana, o TSE absolveu Joaquim Roriz, eterno governador do Distrito Federal e, segundo a imprensa, o maior grileiro de terras públicas de Brasília. Dois pesos e duas medidas. No primeiro caso, a prova consistia em depoimentos de duas testemunhas que afirmaram ter vendido seus votos por R$ 52. No segundo, inobstante as fartas provas documentais filmes, fotos e cópias de cheques num total de R$ 48 milhões desviados de bancos públicos, injetados na campanha eleitoral, entendeu aquela corte que as provas eram meros indícios. Cá em nosso Estado, apesar de inúmeros processos contra o responsável pelo maior desvio de dinheiro público da história de Londrina, corre à boca miúda que ele não só sairá candidato como é certa sua eleição para um quarto mandato. Caso isso aconteça, o que não acredito nem a título de mera hipótese, só me resta duas alternativas: mudar da cidade que me viu nascer há quase meio século; e rasgar meu título de eleitor. Como até hoje não tenho onde cair vivo (morto, caio em qualquer lugar) e sem meu título de eleitor corro risco de ser processado pelo probo TRE por crime eleitoral, só me resta, então, devolvê-lo sob protocolo, a quem me confiou a tarefa de ajudar eleger pessoas decentes (somente até a posse).
TADEU ARILSON STULZER (advogado) - Londrina
Justiça contaminada
A fúria arrecadatória do governo contamina a justiça. Ao invés de proteger o cidadão, a justiça se posiciona ao lado do Poder Executivo, que confiscou 84% da poupança do brasileiro em março de 1990. Agora, taxa os aposentados em 11% e quebra a paridade entre ativos e inativos num flagrante desrespeito à Constituição Federal.
ANTÔNIO PEREIRA (contador) - Londrina
Cheida contesta
A manchete publicada na edição de ontem da Folha de Londrina ''TC reprova contas de Belinati e Cheida'' merece correção. As contas do então prefeito Luiz Eduardo Cheida não foram reprovadas pelo Tribunal de Contas, como a própria Folha se refere no texto da reportagem (pág. 5). É preciso esclarecer que estão em análise, em apreciação e não há julgamento quanto a qualquer tipo de controvérsia. Quando houver, na medida em que for assegurado o contraditório e o devido processo legal, Cheida terá oportunidade de demonstrar e provar que todas as contas de sua administração são irrepreensíveis. É preciso deixar claro também que Cheida não é candidato à prefeitura de Londrina e, portanto, não há porque se referir à dificuldade de candidatura. Da forma como foi publicada, a manchete confunde a opinião pública, fazendo parecer que as contas de Cheida, quando prefeito, já foram analisadas e reprovadas.
ASSESSORIA DE IMPRENSA DE LUIZ EDUARDO CHEIDA
Correção
- Diferentemente do que informou ontem legenda da reportagem ''Base de Requião divulga documento contra Leite'' (Política, pág. 3), o documento que ilustra o texto é uma ficha cadastral da guarda portuária do deputado estadual Valdir Leite que lhe permite acesso ao Porto de Paranaguá.
- O infográfico referente à pesquisa do Instituto Datacenso, feita em Curitiba, publicado ontem na página 5 do Primeiro Caderno, traz inversão de percentuais entre Lula e Requião. O correto é: Lula, com 14%, e Requião, com 19%.





