Cotas e racismo

Da pré-escola à 8 série do ginásio sofri muita discriminação explícita dos colegas e muitas vezes dos professores. Isso porque minha pele é negra. Julgam-me inferior. Somada à cor negra, minha classe social, pobre. Filho de operário de construção civil e dona de casa semi-analfabetos. A partir do colegial não recebia discriminação abertamente, porém ela ainda existe de forma implícita. Hipócrita é aquele que disser que a discriminação contra negros no Brasil e no mundo ficou no passado. Posso vê-la quando me olham, pela forma que me olham. Confesso que a discriminação que sofro hoje é pior que as anteriores, que eram declaradas. Às vezes ouço pessoas tentando justificar situações que nada mais são do que discriminação racial.
Hoje tenho uma vaga na universidade, na melhor universidade da região, a mais disputada. No processo seletivo passei numa boa colocação. E já estou no último ano. Tenho orgulho disso, pois, além de vencer as dificuldades que todo aluno tem, venci também o obstáculo do preconceito. Prova de que o negro não é inferior ao branco. A maior parte da população negra está na base da pirâmide social, no subemprego, com os menores rendimentos. Vale salientar que em se tratando de rendimentos, mesmo os negros tendo um boa formação há uma grande disparidade entre o salário dele e do branco com a mesma formação e atribuições no trabalho.
A população negra é marginalizada pela sociedade, isso desde 13 de Maio de 1888, quando foi assinada a Lei Áurea e os negros foram colocados para fora das fazendas dos senhores de engenho com o argumento que não poderiam mantê-los ali como assalariados, pois preferiam brancos. A princípio, a reserva de cotas para negros nas universidades geram três consequências negativas: a primeira trata-se de como identificar o negro num país miscigenado como o Brasil; segundo, o negro será visto na universidade como um indivíduo que está ali porque teve privilégios no processo seletivo; terceiro, o mercado de trabalho não dará ao negro a mesma credibilidade que dá ao branco. A reserva de cotas para negros nas universidades somente fomentará o racismo em nosso país.

WILSON LINO SANT'ANA (contabilista) - Ibiporã

Ensino a distância

Excelente a reportagem sobre o ensino a distância assinada pela repórter Chiara Papali, publicada domingo na Folha. Realmente uma das fortes tendências no ensino é a utilização de novas tecnologias de informática aliada a telecomunicações, viabilizando o ensino a distância. Neste particular, vale destaque a solução encontrada pela Unopar para disponibilizar o conhecimento e a informação a pontos mais remotos do Brasil. A infra-estrutura que sustenta o ensino presencial conectado da Unopar alcançou o estado da arte, sendo referência mundial nesta modalidade de ensino. Pena que a reportagem não tenha explorado mais o professor Paulo Ricardo Torres Diniz, diretor do Centro de Ensino Presencial Conectado, no tocante às particularidades técnicas que estão envolvidas. A interação professor-aluno é possível durante as aulas, a diferença principal é o ''timing'' das aulas. Neste caso, o mestre deve ser mais objetivo, preciso e produtivo pois encontra-se em frente à câmera, online e real-time com os 12 mil alunos em salas espalhadas pelo Brasil, acompanhados de seus monitores.

PAULO KIYOSHI NISHITANI (professor) - Londrina

Trapalhões

Novamente estamos vendo outdoors e TVs anunciando avanços sociais e novos empregos. Até agora além do governo, não encontrei alguém que concorde. Será que é esse o avanço que o PT prometeu durante tantos anos? A realidade me parece diferente. Sinto que estamos regredindo quando vejo um governo tão desastrado. O presidente parece desmoralizado pois não consegue apoio nem do próprio partido. Não impediu o fechamento dos bingos e, para piorar, está sendo chamado de ''bebum'' mundo afora. Não quero isso para o meu país. Somos uma nação pobre que precisa avançar e isso não acontece por falta de preparo e vontade política. Vergonha é o que sinto ao ver tantos trapalhões no poder.

HUGO ALMEIDA (administrador de empresas) - Londrina


Reeleição

Radicalismo aliado uma determinada dialética, utilizado na prática para pregação de idéias, por militantes de qualquer partido que aspira o poder, é arma temerária quando de posse de grupos políticos que não estão nem um pouco preocupados com o efeito deletério das idéias que lançados através da mídia, contaminam o povo. Este desprevenido e ingênuo, não tem como deixar de enganar-se.
É levado a acreditar, premido por necessidades primárias como salário condigno, escolaridade para os filhos, acesso mais fácil às necessidades prementes: moradia, cesta básica, assistência médica mais racional, além de água e esgoto sanitário, energia elétrica e telefone, coisas do dia-a-dia são uma preocupação permanente, pois é carente de todas as benesses que o ambiente civilizado da sua urbe lhe permitiria em outras circunstâncias. A esperança permanece, e perto de 48% da população brasileira é o alvo mais necessitado.
Uma eleição ou renovação de mandatos é para nós uma boa tentativa no sentido de que homens mais capazes, preenchidos os requisitos essenciais de honorabilidade e seriedade, sejam os escolhidos para nos dirigirem. Precisam ter antes de tudo o espírito de servir a coletividade, e isto o povo sabe bem distinguir entre os que se candidatarem como vereadores ou deputados estaduais e senadores. Os que se distinguiram em bons propósitos podem até se reeleger.

JOÃO DIAS AYRES (médico) - Londrina

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