Lula e decepção

Estamos assistindo a mais uma demonstração de total desleixo com os problemas de uma forma geral em nosso País. Ano após ano, somos ‘‘violentados’’ por uma classe dominante e que, por total inocência nossa, acreditávamos estar no final com a eleição de um ‘‘companheiro’’ trabalhador e que mesmo contando com deficiências em sua formação acadêmica, acreditávamos ser uma pessoa de boa índole e que poderia ter a capacidade de selecionar e gerenciar seus comandados no sentido de dar um novo rumo ao País. Seria incoerência de todos nós exigir em apenas ano e meio de governo grandes mudanças, mas esperávamos, no mínimo, coerência e honestidade nas poucas ações tomadas até agora.
No entanto, o que temos visto é uma enxurrada de propagandas do governo federal na mídia (ato sempre reprovado pelo PT), tentando mostrar aos desinformados que melhorou alguma coisa no País. Isto é simplesmente duvidar de nossa capacidade de raciocínio. Onde está o plano para se conseguir os 10 milhões de novos empregos, bandeira de campanha? Onde está o plano para se conter as invasões de terras e fazer uma reforma agrária que funcione sem derramamento de sangue no campo? Como entender, em um governo petista, que haja ainda negociações partidárias para preenchimento de vagas em cargos públicos, funcionários de carreira sendo substituídos por aliados políticos (PMDB aos montes), ou seja, sempre a política em detrimento da técnica?
Onde então vamos parar? O que mais poderemos fazer? Ir às ruas novamente, como nas Diretas Já, e exigir: honestidade, sinceridade, vontade de trabalhar? Talvez exigir, sim, vergonha na cara da agora também ‘‘classe dominante’’ seria uma boa bandeira.
JÚLIO CÉSAR PANEGUINI CORRÊA (administrador de empresas)- Mauá da Serra (PR)

Que país é esse?

Na década de 70, êxodo rural, seo João se muda para Londrina. A princípio, se muda para o Jardim Leonor, depois é sorteado com uma casinha no então desconhecido Cinco Conjuntos. E é lá, nesta hoje quase cidade, que nasce seu filho mais novo: Paulo. Na mesma época um outro Paulo (o Maluf) começa sua escalada política, sob as bênçãos da ditadura. O Paulo (honesto) perdeu o pai, aos 5 anos, teve que trabalhar cedo, não pôde estudar, trabalhou de cobrador de ônibus, servente de pedreiro, casou cedo e teve três filhos. O Paulo (corrupto) virou prefeito de São Paulo, governador, saqueou a prefeitura, o governo e tentou ser eleito para saquear o Brasil. No começo do ano passado, Paulo (o honesto) ficou desempregado, entrou em desespero e começou a beber. Daí pra maconha foi um pulinho. Andando com más companhias foi convidado para assaltar um supermercado, topou! Deu errado, foi preso e está na colônia penal. Os promotores públicos de São Paulo rastrearam e descobriram uma fortuna na Suíça em nome do Paulo (corrupto ), dinheiro saqueado do povo brasileiro, assim como o mercado roubado por Paulo (honesto). Enquanto o Paulo (trabalhador) está em uma cela que cabe 4m, mas tem 16, Paulo (o ladrão) tira sarro na cara dos brasileiros, toda vez que aparece na TV (todos os dias). Acho que o Renato Russo tinha razão, que país é esse?
ANTÔNIO JOSÉ SANTIAGO (diretor-administrativo do Hospital da Zona Norte) - Londrina

Políticos

Com o início da campanha eleitoral assistimos os mesmos filmes de outras eleições. Os digníssimos candidatos, iniciantes ou pleiteando vaga, inflamam seus discursos na tentativa de alavancar votos junto ao eleitor, mostrando problemas e apresentando soluções rápidas e eficientes. São verdadeiros ‘‘clínicos gerais’’, operam em todas as áreas, prometendo resolver todos os problemas, sempre pautados de propostas concretas e irrefutáveis. Após as eleições, o seleto grupo de políticos vencedores assume seus respectivos cargos, mas os novos ‘‘homens públicos’’ não se mostram com o mesmo ímpeto que os levaram à vitória. A realidade na prática é outra, ou seja, ninguém faz milagres. Como forma de atenuar aqueles discursos absurdos mudam de estratégia dizendo que a casa estava desarrumada e que estão fazendo mais que seus antecessores.
A falta de compromisso dos políticos pode ser creditada a nós, eleitores, também. Além do voto como instrumento de mudança, uma outra atitude de extrema relevância é a conscientização, adotando uma postura de cobrança, tratando a política de forma racional, deixando o lado emotivo para outras situações. Políticos que se envolvem com escândalos de qualquer natureza têm que ser banidos da política. Se por um lado somos uma sociedade ordeira, também temos senso crítico e exigimos seriedade dos políticos.
JOELSON EDUARDO NUNES DA SILVA (representante comercial ) - Londrina

Alcoólatras

Que lástima quando o indivíduo deixa de ser alcoólatra anônimo, é identificado, além da polêmica, causa enorme transtorno. Vítimas desta terrível doença que é o alcoolismo, precisam de apoio, compreensão, tratamento, porém, precisam também assumir o vício, ter autocrítica, jamais ocupar qualquer cargo, principalmente público. Não é um contra-senso, um cidadão que sequer tem domínio próprio, administrar, tornar-se um executivo? Toda culpa pelo descaminho de muitos, enveredando para os vícios é da própria sociedade. Autoridades omissas que contemplam e participam de eventos onde menores têm fácil acesso às bebidas, religiosos que lucram nestas referidas festas ao invés de orientá-los. Conseqüência desta bebedeira desenfreada são as mortes nas estradas menores abandonados, lares desfeitos, marginalidade, prostituição, etc. Tratando-se de autoridades, é vexatório e deprimente quando comparecem em reuniões, solenidades, com olhos avermelhados, cambaleantes.
MOISÉS DOS SANTOS (aposentado) - Londrina

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