PT surpreende

Na condição de ex-filiado e militante do PT, situação que perdurou até o mês de dezembro, quando a inquisição resolveu queimar os hereges que tiveram a ousadia de continuar a defender os ideais históricos do partido, já não me surpreendo com as incongruências dos ''caciques do partido'', que sequer ficam rubros ao mudar radicalmente de posicionamento em relação a praticamente tudo. O deputado Paulo Bernardo, na semana passada, teve um requerimento de sua autoria aprovado na Comissão da Câmara dos Deputados, onde é analisada a extinção da cobrança da assinatura básica da telefonia. O requerimento adiou a decisão da comissão, até que fosse realizada uma audiência pública para discutir o assunto. Nesta semana, a matéria foi votada e aprovada na Comissão, tendo um único voto contrário, justamente de Paulo Bernardo. Afinal de contas, a seviço de quem está o deputado? Não vi nenhum empenho dele, na busca de recursos para dar um aumento maior para o salário mínimo vergonhoso de R$ 240, reajustado em R$ 20. Enquanto o PT esteve na oposição, sempre que o salário mínimo era objeto de discussão, o partido tinha solução para a concessão de aumentos maiores que os apresentados naqueles momentos. Agora no governo, parece que perdeu de vez a fórmula mágica de que era detentor. Algumas coisas acontecem uma única vez na nossa vida: nascer, morrer e votar no PT.

LOURIVAL BARBOSA (estudante) -Londrina


Crise do petróleo

Fico pensando como pode a humanidade ficar à mercê de um combustível de origem fóssil, quando temos outras alternativas de energia mais limpa e ecologicamente corretas, melhor que o petróleo. Com os preços aproximando-se de US$ 40, com possibilidade de chegar até US$ 45 o barril, realmente é um barril de pólvora com o pavio aceso, mexendo com a economia mundial, alterando custos, com isto elevando-se preços, trazendo apertos insuportáveis para a economia dos países em desenvolvimento. Como o petróleo é finito, e quem o tem em abundância manipula o mercado, até parece um baralho de cartas marcadas, dificultando cada vez mais o acesso dos países mais fracos a esta fonte de energia. Há até fomentação de guerras para proteção de tal fonte, onde interesses dos mais ricos prevalecem sobre organismos internacionais, como a ONU. Faz-se necessário e urgente levar adiante a alternativa de combustíveis diferenciados, menos poluentes, conforme acordados com o protocolo de Kyoto, para a proteção da humanidade. O Brasil já detém a tecnologia de combustíveis diferenciados como o álcool e o biodiesel, não podemos desperdiçar a oportunidade, como fizemos com o ouro de Serra Pelada e o minério de ferro de Carajás.

YOCHIHARU OUTUKI (engenheiro agrônomo) - Itambaracá

Lição de 'Sol'

Terminado o BBB 4 seria difícil para a grande maioria da população imaginar que algo de bom pudesse ser aproveitado daquele ''reallity show''. Muita baixaria, banalidades, futilidades e quase nenhum conteúdo cultural. Mas consegui extrair justamente de uma participante das mais criticadas, algo de bom para as minhas atividades em sala de aula. A Solange cantarolando de forma equivocada, não sei se por ignorância ou jogada de marketing, a música ''We are the world'' despertou nas crianças e adolescentes uma certa antipatia, mas ao mesmo tempo ouço em minhas aulas de inglês a toda hora a cantilena ''i ar de ord, i ar de silver...'' Aproveitamos a deixa, localizamos o disco, gravado há dezenove anos, fruto de um grande projeto chamado USA for África, idealizado por artistas americanos e europeus em prol da população miserável de alguns países africanos. Contextualizamos e levamos para as salas de aula. Tem sido gratificante conversar e debater com os alunos as questões da fome e a miséria no mundo, principalmente em alguns países da África, como Etiópia, Mali, Somália, Gana, etc, e ao mesmo tempo cantar com eles a música corretamente.

JOAQUIM BRAGA (professor) - Londrina


Jogatina

Na opinião da Folha de Londrina publicada sob o título ''Os bingos num país de jogatina'', (edição do dia 8 de maio), faltou objetividade ao tema. Acreditamos que o editorialista foi muito parcial, desviando o assunto sobre os bingos e criticando somente as loterias oficiais administradas pela Caixa Econômica Federal. Como representante maior dos empresários lotéricos, quero externar a nossa não concordância com este ponto de vista que tenta denegrir nossa atividade com o nome de jogatina. O maior patrimônio da rede lotérica consiste, além dos quase 10 mil empresários que geram aproximadamente 60 mil empregos diretos, no respeito de toda população pelo trabalho honesto na venda de oportunidades com garantia de premiações, sem falar nos inúmeros serviços de correspondente bancário que são realizados. Somos plenamente favoráveis à regulamentação das loterias através de uma agência reguladora que possa dar total transparência e autonomia ao setor.
Desde 1784, quando surgiu a primeira loteria de bilhetes em nosso país, com a finalidade de captação de recursos para a construção de obras públicas, o revendedor lotérico oferece mais do que o sonho da pessoa se enriquecer que é o direito de contribuir espontaneamente para os programas e fundos sociais do governo federal, ou como assinala sarcasticamente o editorialista: ''O brasileiro ... não se dá conta de que as apostas diárias nessas bancas de jogatina são uma forma indireta de tributação''. Injustamente esse nobre veículo de comunicação nos compara com o mercado paralelo de jogos que não oferece nenhuma contribuição à sociedade.

ALDEMAR BENVINDO MASCARENHAS (presidente da Federação Nacional dos Empresários Lotéricos) - Londrina

N.R.: Muitas formas de jogo contribuem com causas beneficentes; narcotráfico também envolve grandes empresários; prostituição serve à causa de empregos. Qualquer atividade, lícita ou ilícita, proporciona empregos. Ao vício de jogar se dá o nome de jogatina. Todo jogo é um vício.

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