CARTAS
Lula e preconceito
A matéria do New York Times sobre os hábitos pessoais do presidente do Brasil, claramente revela dois aspectos que interessam ao povo brasileiro, um tipicamente americano, outro bem brasileiro. Não é novidade para quem conhece a mentalidade de praticamente todos os países que se intitulam ''primeiro mundo'' que há forte grau discriminatório nas análises de seus principais órgãos de comunicação, vez que estes se dirigem a platéias frequentemente rançosas de preconceitos e sua finalidade precípua é agradá-los. Isto se depreende logo no início da matéria, quando Lula é definido como presidente esquerdista. É preconceito revelador. O fato nada tem a ver com intento da matéria, e tem apenas o sentido de predispor o leitor com o que se segue. E é aqui que mais me preocupei na medida em que a matéria se baseia em declarações de uma velha raposa política, cuja própria família se envolveu com drogas, e de um colunista sem brilho que faz do chocante e da agressividade gratuita seu ganha-pão. Ambos se promovem, e bem, na matéria. Assuntos pessoais de um presidente são e devem ser limitados à sua pessoa.
Neurologista maduro, nada percebo no presidente que o rotule de alcoólatra que ambos, o raposão político ou o midiático falastrão sugerem, com a recompensa de verem suas duvidosas análises de perfil na assim chamada imprensa internacional. Como diria Andy Warhol, o problema é que todo mundo quer gozar os seus 15 minutos de celebridade. O problema aqui é o de ultrapassar os limites do bom-senso e acabar mexendo com a representatividade de um povo que espera melhores críticas de uma administração que tem tido imensas dificuldades, tanto por sua incompetência e teimosia, como pelo legado insano que recebeu após dois períodos de desgoverno muito bem acobertados.
É preciso uma enorme bebedeira para se esquecer do que ocorre nas tais guerras de democratização. Nestes filmes heróicos dos bravos soldados da democracia nada vemos do que ocorre na realidade, e não adianta os midiáticos ficarem tentando apequenar os já pequenos que isto não cresce em credibilidade. Quanto aos seus ''informantes'', aprendi que roupa suja se lava em casa.
LINCOLN BRASIL E SILVA (médico) - Londrina
Punição merecida
Certíssimo o Ministério da Justiça em cancelar o visto desse jornalista americano arrogante. Liberdade de imprensa? E nos Estados Unidos onde o Pentágono censurou a publicação de fotos dos soldados americanos torturando prisioneiros? As fotos só foram liberadas porque um cidadão americano acionou uma lei federal para que os jornais tivessem acesso às matérias. O ''Tio Sam'' está frito, enterrado no Iraque. Caia fora, Larry Rohter!
CARLOS ALBERTO LARCHER (industriário) - Rondon (PR)
Hábitos de Lula
Verdade absoluta o editorial de ontem da Folha de Londrina. Necessário que este governo, que está contradizendo tudo que disse em campanha, pelo menos mantenha o cargo de presidente da República fora da mediocridade geral. Que segurem um pouco o Lula e evitem ainda mais vexames como este propalado aos quatro cantos do mundo ligado ao hábito do álcool.
PAULO NOLASCO (advogado) - Londrina
Deu no Times
O mesmo e importante jornal NYT que publicou e deu grande destaque à vitoria na eleição do presidente Lula inclusive quando de suas primeiras viagens ao redor do mundo como o ''salvador da pobreza no Planeta'' pelo ''Fome Zero'', agora publica uma reportagem que provocou uma polêmica nacional.
Foi muito feliz o jornalista Merval Pereira, do Jornal ''O Globo'', em seu artigo ao citar que o correspondente do NYT no Brasil, Larry Rohter, não tirou do vazio o tema de sua reportagem polêmica sobre o ato de bebericar do presidente Lula. Cita que é a mais pura verdade e há muito tempo circulam boatos, especialmente em Brasília, de que o presidente anda exagerando na bebida, onde o assunto é recorrente entre políticos e empresários, causando assim a preocupação em todos nós, principalmente pela sua saúde, já que tem a incumbência de fazer crescer o país e gerar renda e empregos conforme prometeu em sua campanha.
Depois da macabra mas reflexiva reportagem, veio o pior. A emenda ficou pior que o soneto e o governo brasileiro resolveu cancelar o visto do repórter americano causando assim um enorme constrangimento internacional com a Organização Repórteres Sem Fronteiras e Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira, principalmente com a censura e a liberdade de expressão, além da repercussão em todo mundo nos jornais e televisões. O repórter Larry Rohter vai embora mas deixa para todos nós e para os governantes uma profunda reflexão, como são observados e avaliados no seu exercício do poder.
JOSÉ PEDRO NAISSER (aposentado) - Curitiba
Bush e paranóia
Pára-militares colombianos são presos na Venezuela acusados de tentativa de golpe contra o governo de Hugo Chávez, com evidente patrocínio da CIA. Cuba terá sua situação político-econômica ainda mais complicada com os anunciados aumentos nos embargos econômicos e incentivo financeiro aos dissidentes cubanos. Prisioneiros iraquianos são mostrados humilhados de todas as formas possíveis e, segundo o próprio secretário de defesa, as piores fotos ainda não foram mostradas. Imagine então como será a vida dos afegãos mantidos prisioneiros na masmorra de Guantanamo. E todas essas atrocidades passam impunes por não haver país ou entidade internacional capaz de dar um basta, mesmo que tardio, nesse paranóico chamado George Walker Bush.
HABIB SAGUIAH NETO (aposentado) - Marataízes (ES)





