Exército no Rio

Toda manhã me levanto e, em primeiro lugar, entro em comunhão com Deus com minhas singelas orações pessoais. Logo em seguida, costumo ligar a tevê para também entrar em contato com o mundo dos mortais como eu. Ontem para minha triste surpresa, uma das primeiras notícias do ''Bom Dia Brasil'' foi: ''Governo federal provavelmente irá mandar o exército para conter a violência no Rio de Janeiro''. Meu conterrâneo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Vossa Exa. sabe assim como todos nós sabemos que a violência no Rio, como em outras partes do País, se combate a longo prazo. Ou seja, com infra-estrutura, saneamento básico, emprego digno, moradia digna, reforma agrária com bom acompanhamento agrícola, educação libertadora, desenvolvimento sustentável e ético da nossa região (Nordeste e Norte) para que tantos irmãos nossos não tenham que sair de lá para inchar e incrementar a favelização nas grandes metrópoles. Imagino o quanto é difícil governar um país do tamanho do Brasil e com tantas disparidades econômicas, culturais, etc, mas sugiro apenas uma coisa: não entre na onda do imediatismo e do simplismo de resolver os problemas. Ou vamos às causas da violência ou nunca acabaremos com ela. Mandando o Exército para o Rio até pode passar a sensação de segurança para a opinião pública, mas ela explodirá mais cedo ou mais tarde no próprio Rio ou em qualquer outra parte do país.

ANTÔNIO PEREIRA ANCHIETA (padre) - Jacarezinho


Lixo em Rolândia

Devem ser questionadas as afirmações, publicadas na Folha, da secretária do Meio Ambiente do Município de Rolândia, Vera Crespim. Qualquer pessoa pode facilmente verificar de longe, trafegando pela PR-170, a montanha de lixo que é impossível ser aterrada pela grande altura que atingiu e que espalha fedor e moscas na região. A revolta não se restringe à família Steidle. São muitas famílias afetadas direta e indiretamente pelo novo lixão da prefeitura. Especialista afirma que o raio de ação de uma mosca é de 10 km. O chorume do lixo, que por falta de monitoramento, pode atingir o lençol freático e contaminar a nossa água. O ar recebe gases tóxicos do lixo não aterrado. Está claro que não só Rolândia é atingida pelo problema do novo lixão. Não basta o Instituto Ambiental do Paraná multar a prefeitura. Cada um, que tem sua parcela de responsabilidade pelo novo lixão, pois é o seu lixo que ali se encontra. Deve cada um verificar com os próprios olhos, tirar suas conclusões e tomar uma atitude. Podemos seguir o exemplo das mães de Rolândia e fazer uma grande marcha até o aterro. Para isso não é preciso hora marcada com a secretária.

DANIEL STEIDLE (agricultor) - Rolândia

Abuso americano

O alto comando do Exército americano comprova que abusa de autoridade internacional contra supostos criminosos de guerra no Iraque. As imagens de torturas e ações sadomasoquistas contra homens iraquianos exibidas em todo o mundo são uma afronta à sociedade universal e não somente na questão de religião como discriminação racial e humanitária.

CÉLIO BORBA (artista plástico) - Curitiba


CNBB e MST

Em relação ao artigo ''Quem viola a Constituição?'', do sr. Altair Aparecido Galvão, publicado na Folha dia 7 de maio, cabem alguns comentários. Em primeiro lugar, pode até ser que um bispo responsável pelas pastorais sociais da CNBB seja um novo personagem na lista dos opositores do MST, já que os bispos do Brasil e a CPT sempre apoiaram a reforma agrária e o movimento dos sem-terra. No entanto, a oposição da Igreja a esse tipo de movimento não é nova, nem parte da opinião pessoal do Papa João Paulo II, pelo contrário, o direito à propriedade é entendido como um direito natural do homem e já incorporado à tradição católica há tempos. A própria encíclica Rerum Novarum de 1891, na qual Leão XIII confirmava a doutrina social da Igreja, explicitava: ''A propriedade particular é de direito natural para o homem: o exercício deste direito é coisa não só permitida, sobretudo a quem vive em sociedade, mas ainda absolutamente necessária''. D. Pagotto nada mais faz, portanto, do que manter-se fiel à religião que professa.
Em segundo lugar, o sr. Altair chama a atenção para a Constituição a fim de demonstrar que a verdadeira violação constitucional é a existência do latifúndio. Nada mais correto. Porém, surgem dois problemas: 1) se o latifúndio existe, cabe ao Incra e ao Poder Executivo desapropriá-lo para fins de reforma agrária e não ao MST; 2) se o latifúndio existe, onde ele está? Segundo uma das maiores autoridades em reforma agrária deste país, Xico Graziano, autor de ''O Carma da Terra no Brasil'', o modelo distributivo que o Brasil adotou nos anos 50 está ultrapassado, pelo simples fato de que não há mais terra improdutiva a ser distribuída. O desenvolvimento do agronegócio transformou a realidade da agricultura brasileira, que exige agora, como meta da reforma agrária, não mais a distribuição de terra, mas a geração de empregos no campo. O problema é que nesse debate ainda se permite que as paixões ideológicas falem mais alto que a realidade.

SILVIO GRIMALDO DE CAMARGO (sociólogo) - Londrina


Correção

- Sobre a reportagem publicada na última sexta-feira, mostrando leoas que vivem no bairro Santa Cândida, em Curitiba, a Folha retifica que o proprietário tem nota fiscal de compra e certificado de origem dos animais. E que as leoas não poderiam ser doadas ao Zoológico ou ao Passeio Público de Curitiba porque a legislação ambiental prevê que doações feitas de pessoa física para pessoa jurídica devem passar pelo Ibama, não podendo ser feitas diretamente a qualquer instituição.

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