CARTAS
Hobin Hood às avessas
Conta-se que na Idade Média, viveu um personagem lendário que roubava dos ricos para dar aos podres. Era o Hobbin Hood. No Brasil acontece o contrário: os ricos é que tiram dos pobres, neste caso os pequenos poupadores. Por estes dias, os jornais divulgaram que no exercício contábil de 2003, os lucros dos bancos públicos e privados do país foram os seguintes: Bradesco (R$ 2,3 bilhões) Itaú (R$ 2,38 bilhões), Unibanco (R$ 1,05 bilhão), Banco do Brasil (R$ 2,38 bilhões) e a Caixa Econômica Federal (R$ 1,61 bilhão). Nesta conta, consideram-se somente os bancos, sem contabilizar-se os lucros dos conglomerados financeiros. Ou seja, somando-se as cinco maiores casas bancárias do país, chega-se a um lucro de R$ 9,73 bilhões. É muito dinheiro. Também pudera: cobram uma infinidade de tarifas bancárias, por péssimos serviços prestados aos clientes; captam poupança popular, remunerando a bem menos que 1% ao mês e fazem empréstimos a índice superior a 8% ao mês (cheque especial) e outros. Sem dúvida, em nosso país, o negócio bancário é o melhor empreendimento do mundo. Nesta toada, é fácil admitir: no Brasil só as empresas financeiras apuram lucros estratosféricos e o sistema bancário brasileiro é o Hobin Hood às avessas. Ou seja, tiram dos pobres para enriquecer os muitos ricos.
ROBERTO DE ANDRADE SILVA (servidor público estadual) - Curitiba
Exemplo errado
Estava vendo TV quando, de repente, uma propaganda me chamou a atenção. Aquela em que o pai vai buscar a filha no colégio com um carro fora de moda e a filha, envergonhada, aperta, na urna, a tecla corrige. Logo após, aparece novamente o pai com a moto do ano e ela, orgulhosa, aperta confirma. Calma aí! Corrige? Está tudo errado! É certo que é superlegal ter um pai na moda, descolado, mas será que devemos reprimi-lo por não ter tal carro? Será que ele merece ser humilhado por um prazer do nosso ego? Acredito que não. Mas a propaganda coloca-nos isso explicitamente, apesar de não estar focada nesse aspecto.
Logo que vi entendi sua essência: o seu voto pode mudar sua vida. E concordo, mas nem sempre os fins justificam os meios. Com essa proposta de mostrar para nós, adolescentes, o valor de nosso voto, nos ridicularizaram usando o meio errado, pois não era preciso um exemplo tão pequeno para que nós entendêssemos a moral da história.
Além disso, nosso voto contribui de uma forma muito mais abrangente e não só na nossa vida pessoal. Será que uma pessoa que julga o próximo pelos seus bens materiais está pronta para votar? Sei que é como uma simbologia o exemplo da filha e do pai, mas minha indignação estava estampada na face após ver a propaganda e, conversando com alguns amigos e professores, vi que era generalizada a opinião.
FERNANDA CASTELLO BRANCO LOPES (estudante) - Londrina
Insegurança
Cidadãos londrinenses residentes na periferia estão se mobilizando, criando conselhos de segurança, motivados pelo descaso dos desgovernos e exigem os direitos constitucionais de cidadania que é a segurança que não temos. Nesta onda avassaladora de criminalidade reinante banalizaram-se os assassinatos, furtos, roubos, arrombamentos contra os cidadãos que clamam por socorro. Sabemos que temos policiais dignos, porém, teríamos que ter o dobro com melhores salários, equipamentos, com estrutura para trazer a tranquilidade e paz tão almejada por todos. Existe um Conselho de Segurança que reúne-se na Acil, onde conselheiros batem papo, tomam água gelada, cafezinhos e nada fazem, nem mesmo exigir do governador a imediata construção de novas cadeias. Aos novos conselhos pedimos para não atrelar-se a grupos políticos, religiosos que só atrapalham. Não aceitar ingerências de políticas oportunistas que nada fazem, querem somente os votos. Enfim, é gratificante sabermos que pais e mães unem-se para defender suas vidas e dos familiares, enquanto as autoridades cruzam os braços. Parabéns!
MOISÉS DOS SANTOS (aposentado) - Londrina
Desarmamento
Todo cidadão de bem que atenda os requisitos legais não pode ser impedido de utilizar meios necessários e adequados para defender a vida a integridade física de sua pessoa e de seus familiares e bens. Entretanto, é claro que em benefício da segurança de todos, o comércio de armas de fogo deveria ser rigorosamente controlado e se restringir a casos excepcionais, definidos por lei. O comércio de armas é a causa das maiores tragédias sociais e individuais da humanidade. Poderia ser dito que os bons cidadãos se armam para se defender e não para cometer crimes, embora em alguns casos a autodefesa possa virar uma barbárie que fatalmente acaba gerando os justiceiros privados, arbitrários e violentos. É ampla a liberdade de compra e venda de armas, pois esse comércio é altamente lucrativo, mas isso não justifica e não dá razão à livre comercialização para dar segurança aos cidadãos honestos. Quem tem o dever legal de dar segurança ao povo é o governo, que recebe impostos e tem gente treinada para executar essa tarefa, tendo que estar preparada para enfrentar criminosos.
LILIAN CARLA BARBOSA (estudante) - Londrina
* As cartas devem ser digitadas, assinadas, com no máximo 10 linhas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Cartas e e-mail sem os acompanhamentos exigidos não serão publicados.
E-mail:[email protected]





