O inferno de Dante

Um hospital para atender ao excluído entre os excluídos, o indigente que brinca de viver a caminho da morte, seria esta a meta transcendental do Hospital Paranaense do Câncer idealizado pelo médico, político e humanista dr. Erasto Gaertner.
Longe de atingir ao objetivo, não só pela disparada inconsequente da demanda tumoral, senão pelos decibéis gritantes dos excluídos na dor que queima no inferno de Dante, remediados por inválidos recursos da codeína vencida, o Erasto morre às mínguas pela mesma doença que motivou sua história: o câncer desumano da frieza, da omissão, do sentir-se condenado precocemente, sem direito à defesa, no Juízo Final.
Nem o falacioso programa de humanização, cabide de emprego de planejadores estratégicos, nepotistas do ''dolce far niente'' da filantropia empresarial, da pilantropia raivosa, contribui para enxugar as lágrimas no vale da morte. Ao invés de humanizar, curar e contemporizar a vida terminal que não termina, a morte tardia que não acaba de terminar, o programa deleta o doente dos orçamentos da saúde universal, pública e gratuita. Mantido pela Liga Paranaense de Combate ao Câncer, instituição filantrópica sem fins lucrativos, o Erasto - SOS! - suspira moribundo à beira da privatização.
JOSÉ FIORI (jornalista) Curitiba

Aterros sanitários

Ao longo dos últimos anos a mídia tem acompanhado e levantado a história do aterro sanitário de Rolândia. O mais recente capítulo conhecemos pela televisão, informando que Rolândia e cidades próximas foram multadas por irregularidades em seus aterros. Quais seriam essas irregulariedades?
É fundamental que a opinião pública possa saber mais a fundo sobre o aterro sanitário. Como eles estão funcionando de fato? Quais os problemas? Como corrigir falhas?
Tanto se fala de lixo e reciclagem, porém, o que acontece com a maior parte dos nossos resíduos diários? Só com um quadro realista, da população saber o que está acontecendo com a maior parte do nosso lixo, poderemos pressionar e assumir, como sociedade, para que a gestão dos resíduos melhore. Que soluções, como o aterro, sejam adequados à nossa realidade e que alternativas para o tratamento do lixo, como a compostagem dos resíduos orgânicos, sejam postas em prática.
É impressionante a grande montanha de lixo que se acumulou em menos de dois anos no aterro sanitário de Rolândia. O monte é tão grande que não consegue mais ser compactado e aterrado adequadamente. O lixo exposto está servindo de atração para vetores como insetos e pássaros. Um lixão. Se não fosse tão triste, daria para se encantar com as imagens da revoada das garças no lixo.
DANIEL STEIDLE (ambientalista) Rolândia

Israel x palestinos

Israel, mantendo sua tradição de sadismo e implicância, cometeu um grande erro ao assassinar o líder do Hamas sob pretexto de que era este quem comandava o terror na região. Ariel Sharon sabe que isso não é verdade. O que ele queria mesmo era magoar o povo palestino, que via no líder um grande exemplo de perseverança e sacrifício. Isso certamente colocará mais lenha na fogueira, pois não faltarão homens e mulheres dispostos à imolação para vingar a morte do líder. No fundo, esta é a intenção de Sharon, pois possui armamento, apoio de Bush e a impotência internacional para destruir todos palestinos em questão de minutos.
HABIB SAGUIAH NETO (aposentado) Marataízes (ES)

Políticos honrados

Os políticos, enquanto representantes do povo, deveriam ser respeitados e honrados. Jamais poderiam ser motivo de chacotas, piadas de mau gosto ou qualquer tipo de manifestação de caráter pejorativo. Afinal, quando eleitos são responsáveis pela representação e administração de municípios, estados e do País. Nas esferas legislativa e executiva, os políticos são responsáveis pela manutenção da sociedade, fazendo leis, administrando, fiscalizando, ou seja, procurando o melhor para nossa sociedade.
Infelizmente, hoje a imagem de nossos políticos e, principalmente, a forma de atuação de alguns são motivos de chacotas e de piadas de gosto duvidoso. O Congresso Nacional é uma das instituições mais atacadas, criticadas e que possuem sua credibilidade questionada pela população.
Os políticos poderiam ajudar a alterar tal situação, poderiam restaurar a credibilidade da população, poderiam e deveriam tentar reverter isso. Nossos representantes poderiam modificar as leis para que qualquer cidadão que tivesse que responder um processo por lesão ao patrimônio público seja proibido de ocupar cargo público.
Se os políticos corruptos e desonestos fossem punidos com mais severidade, talvez a imagem deles e das instituições públicas ganhassem novamente a credibilidade da população.
TOCHITANE MITSI (aposentado) Londrina

Tragédia anunciada

Nem mesmo estrategistas, historiadores, futuristas, tarólogos, xamans, videntes e astrólogos, nem o próprio Nostradamus, poderão prever o que irá acontecer durante as Olimpíadas de Atenas na Grécia, em agosto. Poucos sabem que as maiores tragédias naturais ou mesmo aquelas provocadas pelo próprio ser humano que são muitas, aconteceram em agosto e elas podem voltar. Um jornal grego divulgou que o presidente George W. Bush estará na abertura do evento.
O que seria uma festa para a humanidade poderá virar um mar de sangue para o mundo inteiro, principalmente para as organizações terroristas que não respeitarão nem mesmo o pensamento do Barão de Coubertain, de que ''o importante é competir e não vencer''. O difícil é entendermos que no dia de sua posse, Bush disse sob juramento que sua missão seria equiparada à de Moisés na história: levar a paz a todos os povos da Terra. Lamentavelmente, ele pegou o caminho errado da Terra Prometida, levou e tem levado a guerra e o anti-americanismo a vários países.
JOSÉ PEDRO NAISSER (aposentado) Curitiba

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