Direito à inclusão

Nada mais justo do que, em nossos dias, se lutar pela inclusão. Seja ela de portadores de necessidades especiais, negros, indígenas ou outros. Num momento em que o foco das discussões é o negro e seu ingresso na universidade não posso me calar. O negro precisa entrar na universidade como igual. Mas pergunto: e o aluno branco pobre? Quando lutaremos pela sua inclusão? Vamos criar um sistema de cotas também para eles? Creio que já é hora de tratarmos o assunto inclusão num contexto mais amplo. O negro e o branco pobre não são alunos da escola pública? Não se sentam lado a lado na mesma escola? Quem então será o injustiçado doravante? O aluno da rede particular entrará na universidade, pois a ''sorte lhe sorriu'' ao nascer em família que pode pagar-lhe a escola, o negro entrará pela conquista das cotas. E o branco pobre da escola pública? É hora de alargar as discussões e começar a enxergar todos aqueles que são socialmente menos favorecidos, tanto negros quanto brancos. É preciso levantar a bandeira da inclusão da escola pública. É preciso ampliar a discussão para não sermos coniventes com a exclusão do aluno da escola pública, seja qual for sua cor de pele.

ROSICLER FERNANDES PIVETA (professora) - Cambé


Cotas para negros

Sinceramente não tenho nada contra se estipular cotas para negros em universidades. Creio que todos têm o direito à educação e à formação superior. Apenas não creio que seja o melhor caminho, pois, de alguma forma se torna mais um ato de discriminação. Se fosse negro e tivesse acesso a uma universidade por essas vias me sentiria humilhado. Deveria sim estipular cotas para alunos que sempre estudaram em escolas públicas e que residem no Paraná, no caso da UEL. É lamentável o governo estadual manter estudantes provenientes de outros estados brasileiros com dinheiro gerado por impostos de paranaenses. Se as cotas para estudantes da rede pública forem estipuladas, certamente irá beneficiar muitos negros. Devido ao preconceito, eles estão na sua grande maioria nessa camada da sociedade que só tem acesso ao ensino deficitário oferecido pelo Estado.

DEVALCIR JOSÉ TIROLI (estudante) -Londrina


Tumulto na Expô

Temos que ter muita disposição e paciência para ir à Exposição Agropecuária de Londrina assistir a algum show musical. E como todo ano acontece, mais uma vez houve tumulto na apresentação de ''Bruno e Marrone''. Em que pese a grande performance da dupla, não posso deixar de criticar os organizadores, produtores e responsáveis pelos eventos ocorridos na Arena de Rodeio ''João Milanez''. Falta consideração com o povão em relação ao horário do show (mais de uma hora de atraso), falta de policiamento, mictórios ''ecológicos'' transbordando e, para finalizar, a aglomeração e empurra/empurra causada na saída em função de portões fechados, propiciando aos ''amigos do alheio'' uma festa em relação às carteiras de muitos transeuntes, inclusive a minha. Espero que os futuros ''presidenciáveis'' (a eleição está aí) da Exposição coloquem em suas propostas melhorias estruturais no referido recinto para os próximos anos, ou liberem os ''camarotes dos bacanas'' para o sofrido povão também.

FLAVIO LUIZ ZAPPAROLI (funcionário público) - Londrina


Violência no Rio

O Rio antigo, apaixonante e inspirador, não existe mais. Deu lugar ao Rio violento e inseguro, até mesmo dentro de casa. A fina flor da malandragem carioca, também não existe mais. Deu lugar a bandidos fortemente armados, entrincheirados em favelas e, por que não dizer, nos quartéis da PM carioca.
Pobre São Sebastião do Rio de Janeiro, tingiram o verde de suas matas e mar de vermelho e preto. Não o do querido Flamengo. Mas o vermelho do sangue de vítimas inocentes e o preto do luto de famílias que choram seus mortos. Mas de quem é a responsabilidade pela guerra urbana que vive o Rio? O carioca está colhendo o que plantou. Ou dá para se esperar outra coisa, quando se cultua bandidos como se fossem heróis? Escadinhas, Fernandinhos Beira-mar, Uês, banqueiros do jogo de bicho, que usam como pano de fundo o futebol, escolas de samba e ''ações sociais'', entre outros. Há décadas que o carioca elege o que há de pior. Leonel Brizola (por duas vezes!), Garotinho, Benedita da Silva e Rosinha. O Rio só voltará a ser o que era quando o carioca despertar e tratar bandido como bandido, seja lá de que zona for. E, ao mesmo tempo, aprender a votar, eleger o menos ruim.

ARÃO DIAS NETO (leiloeiro rural) - Santo Antônio da Platina


Redução de vereadores

A regulamentação da lei que estabelece o número de representantes nas Câmaras municipais, pela Justiça, a pedido do Ministério Público, está reduzindo o número de vereadores em muitos municípios do Brasil. Aqui em Londrina, por exemplo, das 21 cadeiras atuais, com essa decisão da justiça, cairá para 18. Segundo os procuradores, essa decisão visa reduzir as despesas que os cofres públicos têm com o Legislativo, que segundo a Constituição, pode chegar a 5% das receitas dos municípios. Acontece, porém, que os vereadores têm autonomia para administrar o próprio orçamento. Portanto, isso pode não representar efetivamente benefícios para o contribuinte.
lnfelizmente, a maioria dos brasileiros tem aversão à política e só vai às urnas porque voto é compulsório. Ou seja, vota porque é obrigado e não porque é politizado. O poder Legislativo é fundamental para democracia, assim como a pluralidade partidária e representativa, pois são os deputados, os vereadores que fazem as leis e fiscalizam o Executivo. Se ele não funciona a contento da maioria, o melhor caminho a ser perseguido seria o da conscientização da nossa população, principalmente aqueles que têm pouco acesso à informação e de baixa escolaridade. Ao invés de simplesmente pedir a redução do número de vereadores, os promotores públicos deveriam defender campanhas para conscientizar a população da importância do voto consciente para formação da cidadania.

SEBASTIÃO BERNABÉ ALVIM (relações públicas) - Londrina

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