CARTAS
'Benção de Deus'
Dizem que ''alegria de pobre dura pouco''. Mas como não ficar feliz ao ler na Folha de ontem o governador Roberto Requião dizer que o MST é ''benção de Deus''? Queira Deus que essa declaração do governador não seja oportunista, mas de coração. Porque é trilhando esse caminho de apoio aos movimentos sociais que vamos construindo a cidadania e amadurecendo a democracia. E que este gesto do governador Requião em solidariedade ao MST possa ter uma boa aceitação em toda a sociedade brasileira. Parabéns, governador Requião!
ANTÔNIO PEREIRA ANCHIETA (padre) - Jacarezinho
MST impune
Estou cheio, cansado, e enojado ao ler diariamente no jornal reportagens a respeito do MST. Só eles ainda não perceberam que ninguém mais quer ouvir falar deles, tanto a sociedade como o próprio governo. Para eles não há lei que resista: eles desrespeitam todas. Parafraseando um ex-presidente brasileiro: ''Eles quebram e arrebentam!'' (na verdade ele disse: ''eu prendo e arrebento''). Mas os tempos mudaram e, atualmente, só ladrão de galinha vai preso. E ninguém é responsabilizado, ninguém vai preso, nada acontece. Poderíamos supor o que aconteceria se surgisse o movimento dos sem-banco? Ou se, assim como o Stédile fez, eu anunciasse abertamente na imprensa que teremos o ''maio bancário'', promovendo invasões e saques desvairados em qualquer agência bancária? Provavelmente, seria preso por incitar a violência. Mas, para ele, todo-poderoso que deve ser, nada acontece, e o Abril Vermelho realmente acontece. Desse jeito, quem tem esperança no futuro deste país?
ANDRÉ LAZZARINI (veterinário) - Londrina
Na contramão
Quando o Tribunal Superior Eleitoral, acertadamente, decidiu pela redução do número de vereadores nas Câmaras municipais, causou aprovação unânime da população. Mas vê-se agora que provavelmente o fato não se concretizará. Porque o Congresso, mantendo sua tradição de protecionismo, interesse político, cartel e outros adjetivos mais, resolveu inverter os fatos. Ao invés de reduzir, proporá um aumento do número de vereadores, consequentemente aumentando os já elevadíssimos custos com o sustento dessa classe.
É muito difícil alguma coisa útil e de interesse público se tornar realidade com os atuais políticos brasileiros. Pior é que os novos estão tomando gosto pela coisa e indo pelo mesma trilha da mordomia e corrupção.
HABIB SAGUIAH NETO (aposentado) - Marataízes (ES)
Atitude sensata
Na semana passada fiquei preocupado ao ler reportagem publicada na Folha, na qual o vereador Leonilso Jaqueta (PMDB) e um grupo de vereadores pretendiam processar o segurança Genival dos Santos Barros, munícipe simples e humilde, que opinou sobre a polêmica questão da diminuição do número de vereadores. Eles estão preocupados com uma série de coisas, exceto cumprir a missão para a qual foram eleitos. Irados mesmos deveriam ficar os cidadãos de bem desta cidade. Afinal, ao votar para escolha de vereadores, o fazemos objetivando que estes sejam os nossos representantes e que canalizem recursos e esforços no sentido de melhorar a vida dos contribuintes. Ao tomar conhecimento que os vereadores haviam desistido, fiquei aliviado. Ainda que tardia, é uma atitude sensata uma vez que o munícipe, por conta da sua opinião, não sofreria os incômodos de uma ação judicial e os recursos financeiros que seriam gastos com este processo poderiam ser revertidos para o bem da população. Quem sabe custeando uma viagem a Curitiba dos democráticos representantes londrinenses visando a liberação de recursos para que seja iniciada o quanto antes a construção da Prisão Provisória de Londrina, ou então para que o governador cumpra a sua promessa de campanha de baixar ou acabar com o pedágio no Paraná, no que estariam beneficiando não somente a população da cidade, mas também do Estado. Afinal, o vereador Jaqueta é dirigente do PMDB em Londrina, mesmo partido do governador Requião.
LOURIVAL BARBOSA (estudante) -Londrina
Câmara responde
É preciso admitir os exageros de muitas cidades quando se trata do número de cadeiras no Legislativo Municipal, assim como não podemos ignorar que alguns integrantes dos poderes Legislativo e Executivo contribuíram, durante anos, para o desgaste político atual. Fazer a poda dos galhos podres é necessário. Avaliar a atuação dos legisladores municipais, estaduais e federais é dever da população. Mas generalizar a crítica, acusando todos os políticos de ladrões, é erro grave. Assim, é direito deste presidente desmentir certas acusações levianas contra a Câmara de Vereadores.
A Câmara de Vereadores de Londrina não criou recentemente um ''trem da alegria'' como insistem em afirmar alguns candidatos e ex-candidatos a uma vaga no Legislativo. Com os mesmos recursos financeiros, a Câmara de Vereadores ampliou a possibilidade de contratação de dois para cinco assessores nos gabinetes. A contratação é feita pela própria instituição, sem que nem um centavo seja administrado pelo vereador.
Por isso, não posso admitir que situações do dia-a-dia sejam utilizadas, por pessoas mal-informadas, para macular a imagem do vereador, que é o agente público mais atuante na comunidade e, por conta disso, aquele que mais sofre a fiscalização da população. Quanto às vantagens do cargo de agente político em Londrina, estas estão muito longe de ser consideradas mordomias. Contando com uma estrutura enxuta e um orçamento equilibrado, a Câmara não utiliza, há anos, o limite do orçamento municipal. Banca as suas despesas, sem exageros.
ORLANDO BONILHA (presidente da Câmara de Vereadores) - Londrina





