CARTAS
Sistema de cotas
Venho acompanhando atentamente a discussão que se faz sobre os sistemas de cotas para ingresso nas universidades. Muito me admira os movimentos que se dizem ''em defesa'' dos direitos daqueles que se sentem excluídos da sociedade, ainda que por culpa do período imperial, lutem contra a discriminação e ao mesmo tempo defendam o tal sistema de cotas, que, no meu entender, é ultradiscriminatório.
Achei absurda a justificativa da presidente do Conselho Municipal da Comunidade Negra ao justificar que ''os negros têm que entrar para o narcotráfico para ganhar mais dinheiro'', colocando essa como a única saída para os negros que querem ''ganhar mais'', e, justificando assim, a existência de narcotraficantes negros no país! Ora, ora, ora... que visão infantil (e discriminatória) de um problema muito mais complexo e profundo! É uma infelicidade ler uma declaração desta vindo de uma pessoa que tem um cargo de responsabilidade.
Voltando às cotas: quer maior discriminação do que isso? Separar as cotas de tudo que se oferece para a sociedade, numa porção especial aos negros? Se tal sistema de cotas vier a ser imposto à sociedade, prefiro que tais cotas então sejam oferecidas desde a pré-escola, inclusive em estabelecimentos particulares. Cotas somente nas universidades é demagogia e populismo! Esse tipo de paternalismo é inadimissível numa sociedade democrática. Sistema de cotas é racismo. É favorecimento discriminatário a algumas pessoas. Depõe contra a luta dessas entidades.
ANDRÉ LAZZARINI (veterinário) - Londrina
Cotas e igualdade
Com a globalização da economia a partir dos anos 90, a idéia de um mundo sem fronteiras e, portanto, de igualdade entre as pessoas, entra na agenda de discussão de órgãos governamentais e entidades da sociedade civil organizada. Desta forma, no caso brasileiro, a discussão em torno da questão racial e sexual ganha espaço nos meios de comunicação de massa, impulsionando deste modo a discussão de tais questões pela sociedade.
Hoje, diferentemente de ontem, não choca mais vermos um personagem negro de uma novela que seja médico, empresário, etc., como também, de personagens homossexuais, sejam mulheres ou homens. Para além de uma mera visibilidade de que estas pessoas existem e contribuem para a sociedade, estes grupos, ainda que considerados como ''minoria'', reivindicam condições de vida igual à ''suposta maioria''. Vida igual significa superar toda discriminação, visto que, tal superação é progresso da civilização (Bobbio, 1997).
Assim, quando grupos de defesa dos negros e homossexuais elegem como prioridades cotas nos diversos segmentos de produção e assistência à saúde e direito à herança, respectivamente, estão apenas seguindo uma tendência mundial de luta pela igualdade entre as pessoas.
MÁRIO ALVES DE OLIVEIRA (professor) - Londrina
Muro em favelas
A polícia e a justiça não conseguem proibir nem a entrada de drogas, armas e celulares em uma pequena cadeia de 30 presidiários, quanto mais em uma favela de milhares de habitantes. A idéia do vice-governador do Rio em murar as favelas vai lhe render a premiação de primeiro lugar do prêmio ''Jerico'' do ano.
SÉRGIO TORETO (escriturário) - Goioerê
Sinaleiros
Ainda bem que ''informatizaram'' os sinaleiros em Londrina, conforme anunciado em reportagem publicada neste jornal. Só que como usuário constante da Rua Mato Grosso, nunca demorei tanto para atravessá-la. Os sinaleiros estão totalmente sem sincronismo. Antes transcorria a via com tranquilidade desde a Avenida Bandeirantes até a Rua Benjamin Constant. Parece que tal ''máquina'' não está funcionando como deveria ou será que ela não existe?
CARLOS ALBERTO SILVA LOPEZ (empresário) - Londrina
Nelson Milanez
Quero expressar três tipos de sentimento pelo qual estou passando: dor, agradecimento e revolta. O sentimento de dor por ter perdido o homem que fez parte da minha vida durante 31 anos, dividindo comigo tanto minhas alegrias quanto minhas tristezas. Homem com o qual tive três filhos que são três bênçãos de Deus e que ensinamos a ter humildade e respeitar o próximo como a si mesmo.
Sentimento de agradecimento com milhares de amigos que compartilharam conosco a enorme dor e angústia deste momento tão difícil pelo qual estamos passando. Revolta por perder alguém que foi enterrado no dia em que sairia seu julgamento na Universidade Estadual de Londrina, julgamento este baseado no ''eu acho que foi''.
Vamos ser inteligentes: Por que um homem que foi juiz de direito por 17 anos, professor de Direito Penal em várias universidades iria fraudar um concurso? Dirijo minhas palavras às pessoas envolvidas neste processo administrativo: venham julgar este grande homem no Cemitério São João Batista, em Bela Vista do Paraíso. Sejam humildes em reconhecer seus próprios erros e coloquem as mãos em suas consciências, ao menos uma vez na vida. Pensem que vocês enterraram um homem que não aguentou ser julgado inocentemente por pessoas que não se importaram em julgar sem saber ao menos o significado da palavra ''prova'' no âmbito de direito. Nelson, enxugue estas lágrimas que rolam em nossos rostos, e de onde estiver olhe por estes infelizes e mal-amados. Perdoe-os porque eles não sabiam o que estavam fazendo.
MARLENE APARECIDA COGO MILANEZ (viúva de Nelson Milanez) - Bela Vista do Paraíso





