Anos de chumbo

Lendo a carta da leitora Thereza Maria Barros na edição da última sexta-feira, fiquei tentado a fazer algumas considerações sobre o golpe militar de 64. Foi um golpe patrocinado pelos norte-americanos, com o apoio da Rede Globo e de setores reacionários da Igreja Católica, sob o pretexto da ameaça comunista. E a casa da ''mãe Joana'' à qual se referiu a leitora, virou depois que os militares tomaram o poder. Acabaram com a liberdade de expressão, fecharam jornais, prenderam, arrebentaram e, mais, endividaram o País com obras faraônicas como Itaipu, ponte Rio-Niterói, e outras desnecessárias como Angra e a Transamazônica, sem contar com o Projeto Jari. O resultado está aí: a maior dívida externa do planeta. Quanto às prisões, às torturas, ao exílio, realmente eram necessários só que para as classes dominantes, as oligarquias, as elites. Isso sempre acontece quando eles se sentem ameaçados, quando sentem que vão ter que dividir. Aliás, 2000 anos atrás um cara chamado Jesus Cristo pagou caro por isso. Pra finalizar, quero lembrar a leitora que os comunistas de 64 não queriam tomar nada de ninguém. Queriam apenas uma justa distribuição de renda, uma reforma agrária decente e o fim das remessas de lucro. Nada diferente do que quer agora (com 40 anos de atraso) a mesma Igreja que fez a Marcha da Família. Sinal dos tempos?

ANTÔNIO JOSÉ SANTIAGO (presidente comissão provisória do Partido Comunista Brasileiro) - Londrina


Judeus e a Páscoa

Com referência à reportagem ''Hoje é Páscoa, você sabe por quê?'', publicada na edição de domingo da Folha, na qualidade de entrevistado, tenho a declarar os seguinte pontos a título de correção ou elucidação em razão da matéria ter deixado algumas questões obscuras:
1- A afirmativa de que ''Jesus não significa nada'', mencionada na referida matéria, concerne exclusivamente ao papel de Jesus na Páscoa Judaica, o Pêssach. Foi sobre este contexto que a entrevista foi realizada e, neste enfoque, a Páscoa do povo Judeu segue os rituais herdados dos tempos de Moisés, portanto, 1.300 anos antes do nascimento do Nazareno. Sob outras óticas, Jesus de Nazaré é considerado, sim, para o povo Judeu. Uma delas é abordagem histórica. No entanto, quando se aborda a questão religiosa, é honesto declarar que Jesus foi um Judeu, cumpridor da Lei de Moisés, com sua importância como difusor do monoteísmo entre nações pagãs e idólatras, porém, sem exercer qualquer influência no pensamento Judaico tradicional. O Judaísmo não reconhece Jesus como Messias.
2- A afirmativa do texto em questão: ''Também não reconhecemos a ressurreição'' refere-se exclusivamente ao episódio da ressurreição de Jesus, motivo da Páscoa cristã. Via de regra, a ressurreição é um dos 13 princípios da fé Judaica formulados pelo Rabino Moshe ben Maimon, o qual diz: ''Devemos crer na ressurreição dos mortos. A ressurreição é um dos princípios fundamentais dos ensinamentos de Moisés. Aqueles que descrêem da Ressurreição não têm fé nem ligação com a crença Judaica''.
3- A menção da data da encíclica Nostra Aetate, na qual a Igreja Católica reconhece não terem sido os Judeus os praticantes do deicídio, está errada. Não foi em 1962 e, sim, em 1965.

ABRAHAM SHAPIRO (diretor do Centro de Difusão da Cultura Judaica para a América Latina) - Londrina



UEL esclarece

No sábado a Folha de Londrina publicou carta do missivista Lourival Barbosa (militar) onde o mesmo fala sobre ''Problemas na UEL''. Em relação ao Laboratório de Produção de Medicamentos (LPM) é necessário dizer que o equipamento para a produção de sais de reidratação está instalado desde 98. Não é verdade, portanto, que o equipamento ''sequer foi instalado'' conforme diz a carta. Quando a atual administração assumiu, o funcionamento do equipamento exigia (e exige) um trabalho de adequação do espaço, de climatização e outros serviços, condições previstas pela Vigilância Sanitária. A UEL ainda não dispõe de recursos para estas obras. Feitas estas obras, ficará faltando, ainda, a obtenção de registro do medicamento junto à Associação Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Sobre a perda de prazos para a renovação das autorizações de produção de vários medicamentos pelo LPM, a administração da UEL instalou uma comissão de sindicância administrativa para apurar responsabilidades. Esta comissão têm prazo de 30 dias (até 7 de maio) para terminar seu trabalho.
Em relação aos professores que trabalham em regime de Tempo Integral e Dedicação Exclusiva (TIDE), o sr. Lourival Barbosa comete equívoco ao escrever que ''a reitoria sequer tem conhecimento do número de professores que são beneficiários do TIDE''. A lista de professores no TIDE está na página da UEL na Internet, na área de Recursos Humanos, onde todos podem consultá-la. Dos 1.535 docentes da UEL, 984 são beneficiários do TIDE segundo atualização do dia 31 de março. Desde que assumiu a reitora Lygia Puppatto determinou fiscalização rigorosa nos procedimentos da universidade, inclusive no Regime de Trabalho. Até a semana passada 50 professores tiveram a gratificação do TIDE cancelada a pedido ou por irregularidade.
Finalmente Lourival Barbosa afirma que ''(...) é bastante pertinente perguntarmos à reitora da UEL: se ela seria capaz de informar o número de funcionários que tem vínculo com a instituição que ela dirige?'' Com números atualizados a 31 de março o número de servidores da UEL, por categoria funcional é o seguinte: docentes: 1.535; técnicos do Hospital Universitário (incluindo médico residentes): 1.936 ; técnicos de outras unidades (campus e outras): 2.002; total: 5.473

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA


Correção

- Ao contrário do que afirma título de reportagem publicada na edição de domingo, na Folha 2, Angela Vasconcelos, Miss Paraná de 1964, não faturou o título de Miss Universo, mas sim o de Miss Brasil tendo então concorrido ao Miss Universo.

mockup