Colossinho

Ainda é original um trecho do elegante muro que circundava o terreno da ''discórdia provinciana'' atual. Observando-o pelas frestas, vemos que há, além de um casebre, árvores frutíferas e decorativas, destacando-se os imponentes flamboyants, que produzem lindas floradas de valor incalculável. Quando enfim as discussões cessarem e for decidida a ocupação, máquinas poderosas iniciarão a terraplenagem: árvores serão arrancadas, pássaros enxotados e pessoas despedidas ou despejadas, seres inúteis e impotentes ante a imponência da construção a ser erguida. Afinal, trata-se do único espaço disponível no centro de Londrina. Assim, vale a pena o investimento, apesar da miséria que se alastra na periferia? Então, em defesa das árvores, pássaros e pedestres, faço uma sugestão aos políticos: onde hoje há um terreno baldio, realizem a construção de uma linda praça na qual a natureza será privilegiada e a memória preservada. Dirão que é uma sugestão romântica, cínica, ultrapassada, etc. Será?

OSÉAS PEÇANHA NASCIMENTO (música) - Londrina


Razões do povo

Desde que estabelecida a polêmica Teatro Municipal/Wal-Mart as manifestações pró ou contra as partes têm sido pródigas, visando, com um purismo invejável, os ''interesses do povo''. Para este beneficiado, tão mal representado neste caso, restam dúvidas que, enquanto não esclarecidas, impedem uma melhor análise sobre essa provinciana situação.
Por que o prefeito só lembrou de declarar a utilidade pública do terreno do antigo ''Colossinho'', esquecido há 30 anos, após ser informado pelas partes, das negociações já em estágio adiantado? É justo gastar R$ 6 milhões, mesmo que este dinheiro existisse, na compra do terreno, quando a Secretaria de Educação informa que crianças de Londrina ficarão sem creche (10 mil segundo os entendidos) e quando também a grande maioria das entidades assistenciais sofrem falidas, abandonadas pela Secretaria de Ação Social, sob a alegação de falta de verba?
É justo gastar R$ 14 milhões do erário federal, num suntuoso elefante branco, de manutenção caríssima, quando a nação sofre uma crise violenta em todos seus segmentos, num momento tenso no qual se espera atitudes positivas daqueles que foram eleitos para usar e abusar do bom-senso? O que autoriza o prefeito, agir contra interesses de uma laboriosa classe, falando de forma irada contra a ''especulação imobiliária'', que felizmente acompanha Londrina desde os seus primórdios, com presença positiva, atendendo inclusive forasteiros para o nosso progresso?
Quem lembra de ter visto antes a prefeitura interferindo no livre comércio ou ter feito, publicamente, alegações ou previsões absurdas? Por que agora? E o direito de propriedade como é que fica? Será preciso lembrar o prefeito, mesmo que fosse possível, ele nunca terá tempo para tal realização? Ninguém em sã consciência é contra um teatro ou qualquer outro meio de levar cultura ao povo, mas é necessário ter melhor cultura, conhecimento e preparo para isto.

CARLOS ROBERTO MIRANDA (aposentado) - Londrina


Espaço democrático

Sou leitor e assinante da Folha desde o tempo em que o jornal era também vendido pelos jornaleiros nas ruas: ''Oooolha a Folha de Londrina!'' Bons tempos... Uma das seções que mais me fascina é justamente este espaço gentilmente cedido para que o leitor possa manifestar democraticamente sua opinião, indignação ou até elogios. Alguns missivistas são assíduos: onde foi parar o dr. Alex de Foz que sempre escrevia? A opinião sempre lúcida do sr. Toshitane Mitsi também é destaque. Também escrevo desde o tempo em que a carta era deixada no balcão da Rua Piauí. Sugiro que a Folha divulgue periodicamente o ranking dos assuntos que foram mais abordados durante um período. Certamente, nos últimos tempos, a polêmica vencedora foi a do terreno do antigo Colossinho. Parabéns à Folha e ao seu editor responsável que, com maestria, consegue inserir neste cantinho do jornal as palavras enviadas pelo leitor.

PAULO KIYOSHI NISHITANI (professor) - Londrina


Prefeitura esclarece

Diante da intenção do Sindserv (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais), de paralisar as atividades da categoria no dia de hoje (6 de abril), a Prefeitura de Londrina esclarece:
1º - O salário dos servidores municipais foi reajustado em 10% no último mês de janeiro - há pouco mais de dois meses. Em 2003, o reajuste foi de 15%. Poucas categorias no Brasil, do setor público ou privado, tiveram esse reajuste.
2º - A Câmara de Vereadores aprovou proposta do novo Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), apresentado pelo executivo municipal e negociado com o Sindserv, que significa um aumento real de salário, por meio de promoções, a médio e longo prazo, para a maioria dos servidores. A medida garantiu aos trabalhadores da Prefeitura condições de carreira e salário que poucos trabalhadores do setor público desfrutam no País.
3º - A prefeitura vem negociando com o sindicato da categoria com total transparência e em todo momento em que foi solicitada. Na última rodada de negociação, a administração reconheceu a existência de perdas salariais da categoria, mas procurou deixar claro que a proposta de reajuste imediato (14,87%), depois dos 10% de janeiro e do PCCS, é inviável e comprometeria o equilíbrio financeiro da prefeitura, conquistado arduamente - com a colaboração, entre outros, dos próprios servidores.
4º - Esse equilíbrio permitiu que a prefeitura pagasse os salários dos servidores sem um único dia de atraso, ao contrário do que aconteceu nas duas gestões anteriores. Permitiu, ainda, que o pagamento de metade do 13º salário fosse feito antecipadamente desde 2001 (sempre em junho).
5º - Por fim, reconhecemos o legítimo direito de manifestação dos servidores. Mas esperamos que os serviços essenciais, caso do atendimento nos postos de saúde, não sejam interrompidos e que a população não sofra nenhum tipo de prejuízo. Que o bom senso impere no dia de hoje, assim como em todo o processo de negociação entre prefeitura e servidores até o momento.

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE LONDRINA


Correção

- Diferentemente do que informou chamda da capa da edição de ontem da Folha, o Brasil conquistou quatro medalhas de ouro na Copa do Mundo de ginástica de um total de oito medalhas (três de prata e uma de bronze).

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