CARTAS
Salário mínimo
Passada uma década da campanha eleitoral que elegeu o tucano FHC, lembro como se fosse ontem, uma dentre as tantas promessas do então candidato, era a que tratava da elevação do salário mínimo da época, para o patamar de US$ 100. Uma vez eleito, já antes mesmo da posse, o discurso mudou: somente seria possível elevar o salário para o patamar prometido no segundo ano daquele governo, pois apenas aí estariam trabalhando com um orçamento adequado para suportar o cumprimento daquela promessa.
A gritaria foi geral por parte dos partidos oposicionistas. O PT foi o mais estridente no coro dos descontentes, adjetivos não faltaram para tentar desqualificar o governo recém-eleito, onde a insensibilidade era colocada como uma marca registrada dos tucanos. Dez anos após, já no segundo ano do governo petista, os mais otimistas acreditam que o salário mínimo a ser divulgado nos próximos dias não passará da cifra de R$ 275,00.
Motivos não vão faltar nos discursos para tentar justificar o não-cumprimento desta promessa, afinal de contas tivemos aí dentre outros: a explosão da plataforma de lançamento da base de Alcântara, os atentados terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos e o recente atentado ocorrido na Espanha.
LOURIVAL BARBOSA (militar) - Londrina
Saudade do MDB
Como ex-militante ativo do extinto MDB no início da década de 70 e ex-perseguido pelos políticos da Arena, fico perplexo ao ver a falta de coerência dos políticos atuais. Hoje se pratica o é dando que se recebe e a população e os eleitores que neles confiaram são apenas um detalhe insignificante. Nos áureos tempos do MDB, coisas estranhas que aconteceram nos governos Sarney, no segundo mandato de FHC e agora no de Lula, já teriam levado os militantes para as ruas pedindo justiça e moralidade pública. Criaram um P no MDB e mudaram a sua cara, a sua ideologia, a moralidade, o patriotismo.
Não concordo em assemelhar o nosso MDB com o PMDB. Os políticos do PMDB vivem ajoelhados clamando por migalhas públicas. Foram situação nos governos Sarney, FHC e até lançaram candidata a vice do PSDB e, agora, são novamente governo Lula. A maior indignação existente hoje no PMDB chama-se José Sarney, homem forte do governo militar e que agia sempre com dureza com seus opositores. Num golpe de mestre, conseguiu ser vice de Tancredo Neves e conseqüentemente presidente. Fez um péssimo governo, continuou no governo FHC durante oito anos e atualmente, mesmo filiado ao PMDB, é o político mais forte do PT e ainda domina grande parte do PFL, seu partido de coração.
Diante da falta de ideologia política, todos os políticos, honestos ou não, são obrigados a se filiar a partidos sem coerência ou ideologia. Uma vergonha nacional.
NELSON CARLOS FERRERIA (aposentado) - Barbosa Ferraz
Cinismo
Outrora só de desenvolvimento econômico, mais tarde, o BNDES passou a ser também de desenvolvimento social. Aliás, mantido com recursos do Tesouro Nacional, nada mais justo que atender também a essa finalidade.
Mas usar o dinheiro do BNDES para comprar passarinho parece que não tem nada a ver com desenvolvimento econômico e muito menos com desenvolvimento social. Mas pasmem(!) foi o que (comprar passarinho com dinheiro do BNDES) sugeriu na semana passada (de 23 a 25/03) o sr. João Saad, dono da TV Bandeirantes, durante a sessão da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, reunida para ouvir dos representantes da mídia televisiva como pretendiam usar a mixaria de R$ 4 bilhões, valor do empréstimo que pleiteiam do dito banco público.
Ao ser indagado na reunião como usaria o empréstimo, a resposta do dito senhor foi: Quem quiser fazer investimento o faça, senão, use como quiser, como... comprar passarinho.
Não foi por minha culpa ou por culpa do leitor, a classe política tem consciência do seu desgaste perante o povo. Mas, ainda assim, representa o povo. Todavia, se ocorrer de endossar o cinismo do sr. João Saad (que na verdade quer a grana do BNDES para pagar dívidas), mais desgastada ficará. O povo sofre, camela, chia e vai agüentando. Mas agüentar cinismo e deboche, aí, é demais.
P.S. - Não me lembro ter visto reação da imprensa.
WALTER DE OLIVEIRA (serventuário da Justiça aposentado) - Bandeirantes
Fraternidade e água
Parabenizo a Igreja Católica pela escolha do tema já em andamento Fraternidade e Água. Mais louvável ainda é a intenção dos membros da mesma questionarem os candidatos a prefeito em relação a idéias e projetos na política de gestão de recursos hídricos. Até porque não é necessário ser um exímio conhecedor do assunto para que estejamos conscientes que, caso continuemos tratando o meio ambiente da mesma forma que estamos, tudo leva a crer que em breve a humanidade se defrontará com situações catastróficas causadas pela ignorância do homem.
Neste particular, todos têm sua parcela de contribuição. Para tanto, a responsabilidade tem que ser compartilhada entre empresários, poder público e sociedade civil.
As empresas, mesmo de forma lenta, conforme suas condições e ainda que por pressão, estão fazendo a parte que lhes cabe. Quanto ao setor público, é preciso que os administradores públicos não se preocupem somente em solicitar tubos para o Estado, objetivando canalizar os dejetos para os rios, córregos e nascentes, fazendo dos mesmos canais de erosão, mas que se preocupem em desenvolver municípios ambientalmente corretos.
ELIEL HERNANDES ROQUE (administrador de empresa) - São Tomé





