CARTAS
Nedson x forasteiros
Prezado colega, honrado e laborioso Carlos Roberto Scalassara, o seu artigo publicado ontem na Folha sob o título ''Teatro Municipal: razões do prefeito'' muito me surpreendeu, pois não condiz com sua estatura profissional e inegável envergadura política. Primeiramente, diga-se que os opositores às atitudes do prefeito Nedson não apontam qualquer ilegalidade no ato da declaração de utilidade pública do antigo Colégio Londrinense. A questão não é legal, mas puramente moral.
Muito me surpreende o prefeito declarar que o Wal-Mart proporcionará ''poucos subempregos'' e que o mesmo causará dificuldades ao comércio de pequeno porte da vizinhança. Desde quando a prefeitura de Londrina se preocupa com isso? Megastores, shopping centers, grandes edifícios e toda sorte de estabelecimentos foram - e continuam sendo - desordenadamente instalados na cidade, sem que o poder público tenha capacidade de planejar sequer a pintura correta da faixa de pedestres, quanto mais prever o impacto comercial ou no trânsito da vizinhança.
Finalmente, caro Scalassara, quero creditar a um erro de digitação a crítica que o texto faz aos ''forasteiros'' em Londrina. Como genuíno londrinense, tenho o dever de corrigi-lo: os forasteiros são e serão sempre bem-vindos. Forasteiros como você, Scalassara. Forasteiros como o prefeito Nedson e seu sotaque nada norte-paranaense. Forasteiros como meus pais e avós - forasteiros oriundos de todas as regiões do País e que aqui encontraram uma terra abençoada, um povo acolhedor, sem preconceitos, valente e trabalhador. Que venha o Wal-Mart, como veio o Carrefour, o Muffato, o Condor e tantos outros. E que venha também o teatro, quando houver condições para que ele venha.
GUSTAVO LESSA NETO (advogado) - Londrina
Dever amaríssimo
Defendendo o ponto de vista do prefeito de Londrina em um artigo intitulado ''Teatro Municipal: razões do prefeito'', o procurador-geral do Município de Londrina, Carlos Roberto Scalassara, mostrou preocupação cultural, habilidade no uso de chavões, ingenuidade marxista, xenofobismo, apreço à norma culta da língua portuguesa e um relativo conhecimento sobre o Wal-Mart. E tudo isso por dever. Que amaríssimo.
RAPHAEL VINÍCIUS DO ROSÁRIO (professor) - Londrina
Trem da alegria
Fiquei perplexo ao tomar conhecimento da decisão da Câmara de Vereadores de Londrina em aumentar em 150% o número de assessores dos vereadores, passando dos atuais 42 para 105! Não resta nenhuma dúvida que as despesas vão aumentar muito. Recursos que poderiam ser investidos em creches, asilos, escolas, e muito mais serão utilizados para esse fim que em nada vai contribuir para a melhoria da condição de vida da nossa gente. Se todos os assessores forem trabalhar ao mesmo tempo, não haverá espaço nos gabinetes. Os vereadores terão o pretexto para fazer até o anexo do anexo da Câmara. Mais de três anos se passaram da atual legislatura com 2 assessores e hoje, às vésperas da eleição, aumenta-se de 2 para 5 o número de assessores de cada vereador. Será muito difícil convencer o eleitor de que esses assessores não serão cabos eleitorais dos vereadores candidatos na eleição que se aproxima. Os vereadores defensores desse inchaço na Câmara alegam que o valor dos salários dos assessores não vai aumentar porque o valor de dois será dividido entre 5 e, num primeiro momento poderá ser suficiente o salário proposto de R$ 860. Os assessores que hoje recebem R$ 2.500 vão concordar com a redução nos seus salários? Vão aumentar assustadoramente as despesas com alimentação, combustíveis, luz, etc.
OSVALDO LIMA (contador) - Londrina
Bravata perigosa
Recentemente o Brasil viu, através de seus aparelhos de TV, um cidadão integrante do MST, incitando sua prole de seguidores a novas invasões, ao conflito, aos desmandos dos direitos civis, a pilhagem de propriedades e novamente trazendo a insegurança ao campo. Até parece que este país não tem leis disciplinando a liberdade de cada cidadão. Será que ainda é resquício da ditadura? Não bastando ameaçar os proprietários rurais num dia, em outro vem a público dizer que não queria dizer aquilo, e que foi mal-interpretado. Ora como pode alguém abusar de nossa inteligência, nos chamar de burros. Este cidadão deveria ter o mínimo de decência e sustentar o que disse, pois a cada bravata desta o sujeito aparece na imprensa conseguindo seu intento. Deveria sim ser tratado com indiferença. Continuo a afirmar que o MST deveria fazer como todos fizeram, busquem seu espaço em outras áreas, desbravem novas fronteiras, o Brasil é grande, criem e formem outro Estado sem os erros que tem o nosso.
YOCHIHARU OUTUKI (engenheiro agrônomo) - Itambaracá
Votos (in)dignos
Pesquisa realizada em metrópole brasileira demonstrou que 31% das pessoas em torno de 16 anos e 11% em torno de 55 anos de idade venderiam seus votos por valor de cerca de R$ 200,00 (rádio CBN - 08/11/03), historicamente prática comum no Brasil. Negar é desnecessário. Isto espelha a mediocridade cultural de importante fatia da população brasileira, vítimas diretas da incompetência de governos que não proporcionaram condições dignas de aprendizado cultural, moral e cívico à população, principalmente aos mais carentes. É uma demonstração de perda de auto-estima, uma vez que ao vender o voto o cidadão não está se importando com a moral e com o caráter dos que governam e conduzem o seu futuro. É uma lástima sem medida para o País, para os estados e para as cidades. Ainda pior são aqueles que, mesmo podendo, abtêm-se de votar, não se importando com a história da vida dos candidatos e com seu próprio futuro. Já profetizava o poeta Dante Alighieri. ''O lugar mais quente do inferno está reservado àqueles que em época de crise moral, mantêm sua neutralidade''.
ANTÔNIO C. FUNFAS NETO (médico) - Londrina
Correção
- Na reportagem ''Greenpeace apóia área livre no porto'', publicada ontem na página 4 da Folha Economia, o nome do diretor-geral da Antaq é José Alexandre Nogueira de Resende, e do superintendente de Serviços de Transportes de Cargas da Agência Nacional de Transportes Terrestres é Hilário Pereira Filho.





