CARTAS
Baixaria na TV
Todos nós buscamos, nos meios de comunicação, algo que nos proporcione informação, cultura, prazer, lazer, saúde, entretenimento e assim por diante. Embora uma pitada de humor somada a um toque de malícia, num certo tom de sacanagem, sirva até pra descontrair, não justifica a baixaria tamanha mostrada pela televisão. São cenas de sexo explícito a qualquer hora do dia, vocabulário de baixo nível, agressões físicas, situações de filhos desobedecendo e até mesmo explorando os pais (e vice-versa), cenas e atos de racismo, entre outras. Na condição de pai e telespectador, confesso a minha indignação, uma vez que bom-senso e bom gosto não sai de moda. Qual é a receita para que possamos criar nossos filhos decentemente educados com essa televisão ligada? O que a sociedade poderá fazer para auxiliá-la? Não existiria uma estratégia mais criativa para liderar o Ibope, sem essa indústria de baixaria? Não está na hora dessa televisão ser passada a limpo?
ANTÔNIO VICENTE MARCONDES FILHO (contador) - Londrina
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Querido Requião
Acabei de terminar o 2º ano de tecnologia em meio ambiente. Com muito sacrifício passei em todas as matérias, inclusive química que eu não gosto. Saí de Assaí dois anos atrás para estudar a uns 300 km de casa: parei em Umuarama. Cidade nova para mim, sem nenhum conhecido, sem ao menos saber onde era o tal campus novo da UEM. No começo foi difícil encontrar um lugar pra ficar. Conheci gente legal, vizinhos amorosos que me fizeram sentir bem nessa cidade. Agradeço a Deus por isso. Atualmente a UEM está de férias, eu estou curtindo minha família. Com fé eu voltarei para estudar, pois ainda há dúvidas sobre o fechamento do curso, mas acho que é boato.
Estudar tecnologia em meio ambiente me fez crescer como cidadã, respeitar as pessoas e saber que elas podem mudar, para melhor claro. Aprendi que o homem faz parte do meio ambiente e não o meio ambiente parte do homem. Fiz projetos para melhorar a cidade, investi em teatro infantil, educando-as como reciclar, sou voluntária com muito prazer, pois amo o que eu faço. Tudo me fez descobrir uma paixão, descobri que quero ser uma educadora. Quero investir em educação ambiental para criança, que não as vejo mais como o futuro, mas como o agora. Uma frase levo comigo: quando educamos um adulto, muitas vezes educamos um indivíduo, mas quando educamos uma criança, podemos estar educando uma geração. Essa frase foi dita em uma palestra do IAP que assistimos.
É claro que não sairei da universidade sabendo tudo, mas sairei, sim, disposta a aprender mais. Todavia, uma coisa é certa, nos dias de hoje, com certeza alguém precisará da minha especialização. Digo alguém para não dizer mundo. Um abraço, tudo de bom para você.
LIANE LIE TODA (estudante) - Umuarama
Wal-Mart
Há algum tempo acompanhando pelos jornais a discussão sobre o caso Wal-Mart e acho incrível os rumos que anda tomando. Já se começa a falar em globalização, que a cidade não precisa de mais um supermercado, etc. Mas o que todos deviam questionar é: por que justamente aquele terreno? De onde a prefeitura irá tirar R$ 6 milhões para pagar pelo terreno? E de onde vai tirar para construir o teatro em menos de um ano, já que estamos em ano eleitoral? Por que não usar este dinheiro na melhoria de nosso policiamento, já que Londrina nunca esteve tão violenta?
Estou cansada de ver coisas erradas sendo feitas e ficar de mãos atadas. É horrível ver o poder público passando por cima de interesses da população. Afinal, seriam no mínimo mais 140 empregos e mais um mercado para aumentar a concorrência o que certamente diminuiria os preços praticados pelos mercados locais. Não sou a favor do Wal-Mart e contra a cultura, sou a favor do que é certo e do que trará benefícios à população. Espero que o prefeito explique seus atos publicamente. Afinal, ele foi eleito pelo povo e ao povo deve satisfação.
RENATA CRISTINA DE ALMEIDA (relações públicas) - Londrina
Estela, justiça e paz
Se recordar é viver, tomo a liberdade de chamar à memória uma reportagem estampada nos jornais da cidade no dia 20 de Outubro de 2002. Algumas entidades representativas se reuniram no Calçadão de Londrina para protestar contra a morosidade da Justiça em resolver, esclarecer e julgar as circunstâncias de crimes contra mulheres. E nesta manifestação de solidariedade e cidadania, uma faixa tremulava entre os manifestantes, pedindo justiça e paz, nada mais, para a professora de música Maria Estela Corrêa Pacheco, que teve seu corpo lançado do 12º andar do apartamento do agropecurista Mauro Janene Costa em 14 de outubro de 2000.
Conforme laudo do instituto de criminalística, Estela morreu cerca de 1 hora antes do lançamento. Hoje, dia 24 de março de 2004, Estela completaria 40 anos, e como toda mulher moderna, com certeza, estaria esbanjando seus sonhos de ganhar dinheiro como musicóloga que era, de ser reconhecida em sua profissão, de ser amada, de ser feliz, de ver com orgulho e satisfação a filha estudando em dois cursos universitários Direito (Unifil) e Jornalismo (UEL) e de crer que o mundo poderia ser mais bonito. Recordar o aniversário de vida da Estela é buscar explicações, que vão além da fronteira do raciocínio imediato, de que a violência concentra-se apenas nas camadas pobres da sociedade. Muito pelo contrário, se considerarmos os crimes hediondos contra as mulheres e que até o presente momento não foram resolvidos, perceberemos que seus autores pertencem à camada média ou são pessoas de alto poder aquisitivo que fazem de suas ações criminosas a confirmação de que a responsabilidade criminal não atinge os acusados.
MARIA ELIZA CORRÊA PACHECO (professora) - Londrina
CORREÇÃO
O nome correto do procurador jurídico da Câmara de Vereadores de Londrina é João dos Santos Gomes Filho.





