CARTAS
Professor x paralisação
É urgente e necessário um processo de união que defenda o interesse da sociedade como um todo, objetivando o esclarecimento das pessoas de uma cidadania, completa e participativa. É extremamente necessário discutir o porquê da não-implantação do Plano de Cargos Carreiras dos professores, sendo que já tinha sido discutido todo este processo em reuniões anteriores e até mesmo a questão da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal). O que não dá para entender é o porquê do veto do artigo 47 (pagamento do retroativo a fevereiro), uma vez que foi a proposta do próprio governo. A disparidade dos acontecimentos é tão expressiva que o governo deu aumento aos seus secretários de 110% em menos de dois anos de governo e a nós professores, que estamos na luta há 9 anos com uma defasagem de mais de 100%, temos em andamento um aumento de 33% em média. Não estamos querendo enfrentar ninguém, mas o exemplo de descompromisso nesses últimos dias nos levou a essa mobilização.
JORGE LUIZ AMPESSAN (professor) - Arapongas
Recado a Requião
Todo-poderoso governador Roberto Requião, gostaria de lembrá-lo de que seu poder não é imanente. Se o tens, em muito o deves aos professores. Não subestimes nossa força. Lembre-se de que além de nosso próprio voto, temos também o de nossos familiares e o de nossos alunos, que por sinal a maioria deles ainda nos respeita e valoriza. Como educadores, formadores de consciência crítica e cidadania, dispomos de muito mais tempo junto a eles trabalhando em sala de aula do que vossa senhoria na mídia para neles despertar a verdade.
IÊDA GODINHO DA COSTA (professora) - Londrina
Mostrar-se cidadão
Lembram-se do Imperialismo? Aquele instrumento utilizado entre os países para que pudessem transpor fronteiras comerciais, econômicas, políticas, etc. E que também levou muitos países a serem fornecedores da única matéria-prima disponível, a mão-de-obra abundante e por isso barata, como é o caso do Brasil. Pois é, esse mesmo instrumento mascara-se com um termo mais moderno, globalização. Nações inteiras são oferecidas de bandeja para que se fartem. Os poucos governantes que não aceitam tal exploração são vítimas de insultos e desrespeito por pessoas que se dizem políticos. ''Derruba-se o governo utilizando a simplicidade do povo''.
É o que acontece hoje em Londrina no caso Wal-Mart. O capital estrangeiro disfarça-se de cordeiro enquanto lobo, como alguns políticos que aparecem em tempos de eleição. A esses políticos pedimos que tentem aparecer de uma maneira mais séria, mais honesta. Quanto ao capital estrangeiro não queremos mais ser explorados. Basta! Passou por cima de nossa cultura, mudou nosso modo de vida, nossos costumes, nosso modo de vestir, de comer, de falar. Sabemos que vai onde o vento soprar mais forte, ou seja, onde tiver maiores incentivos do contrário bye-bye. E o que explora aqui, sabemos, vai para seus países de origem.
CARMELITA DE OLIVEIRA (estudante) - Londrina
Se eu tivesse R$ 6 mi
Começaria criando a Guarda Municipal. Há muito não se vê nossas crianças brincando nas praças e todos sabem por que. Não há guardas, os sanitários estão em péssimo estado, nossos bens públicos virando a ''casa da Irene'' à noite. E quem é maluco para ir até ali para saber o que ocorre durante o dia? Há trottoir em plena praça central, entre museus e comércio, próximo ao Terminal Urbano, e quem cuida desse bem público, pago com o dinheiro do povo, não está nem aí. E tem seis milhões de reais para torrar em um terreno de alto valor comercial quando já tem ótimas áreas gratuitas perfeitas para um centro cultural. Nosso problema é, antes de tudo, segurança e empregos. O resto é conversa.
LINCOLN BRASIL E SILVA (médico) -Londrina
Preso em casa
Chego em casa, às vezes levo até horas para poder entrar, cadeado no portão, tetrachave na porta em cima em baixo, alarme, muros altos cerca elétrica, cachorro sendo preso para não escapar, etc. Quando consigo entrar e ver meus filhos, minha esposa, minha mãe e até o coelhinho do meu filhinho, ufa que alívio, mais um dia estou seguro, vivo e com meus familiares. Só, então, é que me dou conta: estou preso dentro de minha própria casa, a prisão que eu construí.
Vejo até o meu carcereiro passar de 30 em 30 minutos em frente e apitar, e sou eu quem pago para ele cuidar de mim mesmo, pois não posso deixar ninguém escapar, imagino que somos pessoas perigosas e nocivas à sociedade. E apesar de tudo isto ainda não me sinto seguro, não sei se por medo de agredir ou ser agredido.
Mas tudo bem amanhã será outro dia, meus filhos vão acordar bem cedinho para estudar. Mas aí começa tudo de novo, risco de assalto até pegar o ônibus, dentro do ônibus às vezes até aumenta o risco. Chegando no terminal é que eu rezo para todos os santos: será que conseguirão sair inteiros de lá? Tudo bem eles sabem se virar, vão perder o boné, quem sabe até o tênis, vão pagar pedágio com os passes escolares, mas o que importa é não reagirem e saírem de lá inteiros e com vida.
Sempre me reúno com meus filhos e esposa, e outro dia me perguntaram de tanto ver nos noticiários de jornais e televisão, catástrofes, assassinatos, policiais sendo presos, bandidos enfrentando polícia, corrupção de políticos, estes que nós tanto confiamos e acabam nos traindo quem é o verdadeiro bandido? Aquele descamisado que nós a sociedade não demos oportunidades, que não teve um lar, uma boa alimentação, escola e outras coisas, ou aqueles que estudaram, se formaram, tiveram família, conforto ou quem sabe até nasceram em berço de ouro e acabam infringindo as leis? Não consegui responder.
GERALDO APARECIDO TRINDADE DE SOUZA (empresário) - Londrina
Correção
- Diferentemente do que informou a Folha na edição de ontem, a foto publicada na capa do Caderno de Esportes é do meia-atacante Marcos Cruz, que hoje está no União Bandeirante, e não do lateral-esquerdo Fabinho.





