CARTAS
Emprego x cultura
A defesa do emprego e de suas providências para que ele seja obtido em fartura deve sim ter limites. Ainda mais se lembrarmos que desgraças modernas e antigas como tráfico de drogas, contrabando institucionalizado e abundante mendicância, pra não citar prostituição e algumas religiões pedagiadas em nome de Deus, são todos formidáveis fontes de milhares de empregos e ninguém, salvo embriaguês profunda, levantaria qualquer uma destas tristes bandeiras.
As pessoas não precisam de emprego primeiro para então ter acesso à cultura. Na verdade, as pessoas precisam primeiro da cultura, para depois terem um bom acesso ao emprego, ter sua autocrítica desenvolvida, sua capacidade de raciocinar depurada, sua percepção de mundo amplificada, seu senso estético lapidado em eventos que não se restrinjam às churrascadas com som alto (e ruim), excrescências noturnas e diurnas da TV aberta e uma boa pelada de futebol com cerveja.
É assim que as pessoas prosperam e não ''tendo um emprego'', já que estes existem de todos os tipos e tamanhos e não vai ser um supermercado gringo (que poderá falir outros mercados consolidados na região) o responsável disto. E olhem que não pedimos muito, só um um pouco mais de cultura.
CHRISTIAN STEAGALL-CONDé (arquiteto) - Londrina
PT e coerência
Para boa parte dos desinformados o PT perdeu sua virgindade no caso Waldomiro Diniz, aquele ex-subchefe da Casa Civil que negociava propinas com o bicheiro carioca Carlinhos Cachoeira. Muitos já se esqueceram da morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, a morte de Toninho do PT, prefeito de Campinas, ambos do PT, até a presente data não solucionados. Porém, também não foi aí que o PT perdeu sua virgindade. A alegada virgindade foi há muito perdida junto com a imprescindível e necessária coerência. Visando a vitória nas eleições de 2002, o PT descambou por rasgar a cartilha que continha programa de governo, objetivos históricos de luta, antigos aliados, enfim, desprezou sua histórica convicção para afinal cair em corruptos braços de verdadeiros defloradores da política nacional, entre os quais ex-presidentes da República, ex-vice-presidentes da República, ministros do Governo Collor. O exemplo capital disto é o popular ''Toninho Malvadeza''.
ROBERTO G. TEIXEIRA (empresário) - Londrina
Sexo e samba
Fico pensando no marketing negativo em relação às campanhas de prevenção causando por este triste desfecho com a escola de samba Grande Rio, visto que é a primeira vez que uma escola de samba renomada adota um enredo que aborda o tema em questão. Como fica o imaginário coletivo em relação à aceitação da camisinha e o sexo seguro? Será que isto não contribui para que as pessoas associem o discurso da prevenção a um discurso que incita ao sexo desenfreado?
O grande embate com os carros alegóricos censurados, como se o que tivesse sendo exposto não fizesse parte do cotidiano dos canais de TV: nos filmes sessão da tarde e noturnos, novelas, seriados, programas de auditório e etc. Realmente o que estava sendo exposto não faz parte destes exemplos pois estava sendo abordado com consciência de preservação do ser humano. Qual o tamanho da hipocrisia que temos que sustentar numa festa pagã ''o festival da carne''? Claro que quem paga o pato são os desbravadores.
Por mais que seja divulgado estabilização ou diminuição da pandemia no Brasil pelo Programa Nacional de DST/AIDS-MS e seus dados epidemiológicos, nos quais não temos confiabilidade, pois a subnotificação é dada da realidade e estima-se mais de 400 mil pessoas infectadas que não sabem de sua condição sorológica, nós temos muito a aprender ainda. Como lidar com a sexualidade humana e sua subjetividade característica? Pena que, segundo a história, isto só é possível após grandes catástrofes e extinção de povos e civilizações. Que preço é este que temos que pagar? Estamos dispostos a pagar este preço?
PAULO WESLEY FACCIO (coordenador área de prevenção da Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids) - Londrina





