Esperança
Sempre que há uma mudança no comando da política nacional, também brota uma expectativa de melhoria no brasileiro. Isso aconteceu com Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e, agora, com Lula. Obviamente que aqueles que conheciam Collor sabiam que tudo não passava de uma encenação: o caçador de marajás não passava de um engodo. Já FHC deixou-se levar pela sua altivez, realizando um governo medíocre e frustrante para a maioria da população.
Quando Lula assumiu o governo, o País estava desacreditado internacionalmente, com uma dívida estratosférica, a inflação caminhava para taxas de 40%, havia forte crise social com desemprego recorde, dólar disparado, etc. Para reverter isto o governo recém-chegado teve que tomar medidas duras, medidas muitas vezes criticada pelo próprio Lula quando na oposição, como por exemplo, a submissão ao FMI e aumento dos juros.
Por outro lado, apesar da cautela, Lula tem demonstrado muita responsabilidade no comando do País e tem tido alguns êxitos: credibilidade internacional, reforma da Previdência e fiscal. Em contrapartida, sua política de controle inflacionário vinculada aos juros altos pode comprometer de vez seu governo, pois impede o crescimento econômico, aumenta o desemprego e gera problemas sociais.
O Brasil não pode mais conviver com esses juros exorbitantes. É preciso urgentemente descobrir mecanismos para combater a inflação se o País quiser sair da estagnação e voltar a crescer o suficiente para amenizar a pobreza e a fome de parte da população. É isso que esperamos de Lula e seus auxiliares.
SEBASTIÃO BERNABÉ ALVIM (relações públicas) - Londrina

Juros
Vejo que a insistência na baixa dos juros continua e é o desejo de todos nós. Contudo dizer que a política de juros não deve ficar atrelada à inflação não tem consistência, pois ninguém deixa um capital investido sem ter pelo menos o retorno da inflação. Na realidade sempre fizemos uma grande confusão entre o que é juro e o que é inflação. Os mesmos que clamam pela baixa dos juros são os mesmos que remarcam seus preços e causam a inflação.
Não podemos ignorar que somos carentes de infra-estrutura, energia e transporte. A primeira ligada à produção e a segunda ao escoamento do que é produzido. Nossas estradas estão sucateadas e ferrovias quase não existem. É bem possível que os juros acima não estejam ao alcance do setor produtivo, pois o governo usa todo esse capital ofertado na rolagem da dívida pública. De sã consciência, acho que nenhum empresário poderia dizer que juros de 4% a 6% ao ano estaria sendo demasiado.
ANTÔNIO PEREIRA (contador) - Londrina

Criminalidade
Há muito tempo se fala que no Brasil o índice de criminalidade é maior do que nos países do Primeiro Mundo. Os índices que temos não são nada diferentes do que ocorre no resto do mundo. Temos poucas notícias do que acontece lá fora. Vez por outra, confirma-se o que sinto. Na edição da Folha do dia 11 de fevereiro, na página de Turismo, vemos o relato de três jornalistas, que fizeram uma expedição pela Europa, informando que foram assaltadas em Amsterdã, em Londres e quase mais uma vez em Praga.
Confesso que não foi grande minha surpresa porque já sofri um assalto (frustrado na ocasião por minha rapidez) na estação central de trens de Munique em 1973. Minha filha e minha neta, que moram em Portugal, estiveram em setembro passado em Londres e, em pleno dia, foram roubadas. Em Roma, nas portas dos vagões do metrô há um cartaz mostrando um ladrão mascarado (tipo metralha) enfiando a mão no bolso de um cidadão, com os dizeres ''Cuidado, ladrões de carteira'', escrito em seis línguas, se não me engano. Se por lá não há ladrões como aqui, por que o aviso?
Precisamos parar de achar que somos um País sem lei, onde se rouba e mata à vontade. Há problemas, sim. Mas não são uma exclusividade nossa. O Rio de Janeiro não é pior do que Chicago, Nova York ou Londres. Se houver melhor distribuição de renda e riqueza, seguramente, haverá uma enorme redução dos índices de criminalidade.
EDGAR BAUER (advogado) - Londrina

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