Informática nas escolas

É com grande espanto que fiquei sabendo que neste ano não haverá aulas de informática nas escolas públicas estaduais, pois não faz parte do currículo de matérias a serem ministradas. Preocupa em muito o posicionamento do secretário da Educação, tendo em vista que a chegada do computador impulsionou o progresso em todos os quadrantes deste planeta, levando o homem a realizar proezas impossíveis em condições normais, seja nas viagens espaciais, curas de doenças, revolucionando a matemática, física e química. Talvez o grande enigma seria de que a estrutura de informática já instalada nas escolas seja obsoleta, e que isso exija sempre novos investimentos.
Aí, fica uma pergunta que não quer calar: ao investir estamos investindo em quem? Será que o povo não merece? Simplesmente retirá-la do currículo escolar como algo supérfluo que pode ser dispensado, não há secretário, deputado, governante que consiga explicação para tal fato. Nossos filhos crescem e vislumbram a companhia do computador, as pessoas mais simples vivem o computador sem saber em seu dia-a-dia. Não acredito que pessoas sensatas que decidem a educação neste Estado deixariam de priveligiar o menor carente que não pode pagar uma escola particular para se ter noções básicas de informática. Resta ao secretário da Educação explicar à população tal ato obscuro.

YOCHIHARU OUTUKI (engenheiro agrônomo) - Itambaracá


Duas lições

Quando se está meio desanimado, preocupado com o futuro, nada melhor que duas lições de vontade de vencer. Primeiro foi meu amigo Fred. Tive o prazer de acompanhá-lo até uma gráfica para encadernar sua monografia, o trabalho de conclusão do curso de especialização em Educação Física da UEL.
Uma pesquisa maravilhosa buscando melhorias importantes para a vida de deficientes visuais. Mais de 60 páginas, dezenas de horas atrás de artigos na biblioteca e na internet, entrevistas, questionários, observação e acompanhamento durante meses.
Conseguir se formar em uma faculdade, fazer uma especialização já pensando em um mestrado. Quem passou por isto sabe o quanto é difícil. Agora, imagine percorrer este mesmo caminho sendo cego! Esta é a grande vitória do Fred: ele ficou cego quando estava iniciando o curso de Educação Física.
A segunda lição com Robson de Paranavaí, que no final da adolescência descobriu que estava com leucemia. Já sofreu o que ninguém deveria sofrer. O medo, o tratamento, a perda de peso, adeus à bateria (ele é músico profissional), fim dos sonhos...
Que nada! Ele também desafiou o destino, encarou a vida com aquilo que ela tem de bom e de ruim e descobriu seu novo talento. Ele agora faz velas artesanais lindíssimas e veio entregar suas encomendas em lojas de Londrina.
Que lições! Melhor perder menos tempo reclamando da vida, preocupado com problemas que são nada comparados aos problemas reais, às vezes sem muito sentido, difícil de entender, mas com infinitas possibilidades para aquele que decide que vai viver e vencer! Parabéns, Fred e Robson. Obrigado pelas lições.

RUBEM DE OLIVEIRA CAUDURO (professor) - Londrina

Mundo animal

Cadê os ecólogos defensores dos animais que não se pronunciam com os sucessivos massacres de leões, elefantes, macacos, pavões, papagaios nos zôos? Nada fazem para impedir a execução de frangos com gripe, vacas doidas, touros, cavalos mancos, cães paraplégicos, gatos cegos, patos gangrenosos, porcos no chiqueiro imundo? Os homens de caverna caçam, comem e vestem os despojos dos animais; fazem experiências científicas com animais vivos transformados em medicamentos; usam os animais como guias de cegos, meio de transporte e para lhes fazerem companhia. Torturam com pipoca salgada os peixes de água doce, dão de comer sanduíche com lâminas de barbear aos animais do zôo; executam sumariamente com estricnina, chumbinho, formicida, os animais pacíficos do zôo. Gente ignóbil, cega, obtusa sem a sensibilidade do bem e covarde.

JOSÉ FIORI (jornalista) - Curitiba

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