CARTAS
MST e pedágio
O assunto do momento é a invasão dos pedágios. Será que o senhor governador (sou seu eleitor), não tem capacidade para criar um fato novo para continuar na mídia? Vamos sonhar. Quando foi que o governo, em qualquer esfera, mostrou capacidade para manter e conservar estradas, saúde, escolas, enfim, tudo o que é determinado pela Constituição obrigação e dever dele (Estado) executar? Quando tudo dá errado é devido à iniciativa privada que não colabora, os empresários são chorões, plagiando o atual presidente da República.
Dia após dia, estamos vendo essa história. Aí vai o segundo ano de mandato e o pedágio irá continuar porque o Estado não tem competência para administrar. Será o caos. Gostaria que o governador tivesse bom-senso para dialogar com as concessionárias e pôr um fim de maneira decente, não utilizando o MST. Sejamos realistas, pois quem irá pagar pelos investimentos feitos pelas concessionárias seremos nós. O governo fará o cheque e o contribuinte irá pagar mais uma vez.
MARCELO MARTINS (estudante) - Londrina
Protesto e frustração
Quando a população se depara com a invasão que os representantes do MST vêm fazendo nas praças de pedágio do Paraná fica perguntando se eles estão corretos, se merecem apoio ou se precisam desocupar o local de forma pacífica ou com a intervenção da Polícia Militar. Entretanto, os paranaenses percebem que o pedágio é realmente injusto, uma herança que o ex-governador Jaime Lerner deixou. O mais frustrante é que parece que nunca vai ter fim.
Quem passou pelas rodovias e não pagou pedágio nem que seja por um dia, talvez se sentiu aliviado ao ver que os integrantes do MST estivessem ocupando as praças das concessionárias. Sem MST, polícia, governador ou qualquer movimento para liberar a passagem livre, era assim que deveria ser, já que o brasileiro é obrigado a pagar tantos tributos, como o IPVA. E se este dinheiro não está sendo usado para melhoria das estradas, por qual razão somos obrigados a contribuir?
VALDINEI APARECIDO TEODORO (estudante) - Londrina
Copel esclarece
As opiniões e os conceitos sobre Copel e sistema elétrico nacional atribuídos a um diretor da Tractebel na matéria Copel registra queda de consumo industrial (Folha de Londrina, 4 de fevereiro, página 3 do caderno Economia), não correspondem integralmente à realidade nem se materializam perante às regras de operação do Sistema Elétrico Interligado Nacional (SIN).
O citado diretor, a pretexto de destacar as vantagens competitivas de sua empresa, ofereceu aos leitores da Folha uma visão distorcida acerca do assunto: empenhado em demonstrar que a energia contratada à Tractebel é mais garantida ou mais confiável que a disponibilizada pela Copel, fato que teria levado clientes livres a optarem pela energia da sua empresa, desfila argumentos que não são exatos.
Por exemplo, a concentração de grandes usinas hidrelétricas da Copel no Rio Iguaçu, fato que colocaria em risco o atendimento aos clientes no caso de uma estiagem prolongada naquela bacia.
Além de esquecer que as duas maiores usinas geradoras de sua empresa estão situadas no mesmo Iguaçu (Salto Santiago e Salto Osório), o diretor mostra desconhecer que a garantia de fornecimento a um consumidor está totalmente desvinculada do gerador com o qual esse cliente mantenha contrato.
Dessa forma, não é porque suas maiores usinas estão no Iguaçu que a energia da Copel seja menos competitiva ou menos garantida que a da Tractebel - que, aliás, opera uma usina no mesmo rio (a de Salto Osório) projetada e construída pela engenharia da Copel.
Na realidade, o principal diferencial de competição entre a Copel (e como ela, todas as demais geradoras sob controle acionário dos Estados) e os produtores independentes de energia é a sujeição das estatais ao artigo 27 da Lei 10.438. Esse artigo impõe a elas condições para a comercialização da sua energia, exigindo publicidade prévia, transparência e igualdade de acesso aos interessados.
Tais exigências, embora beneficiem o sistema elétrico como um todo, é que colocam as empresas estatais em situação de desvantagem concorrencial diante dos produtores independentes de energia, cuja liberdade para negociar contratos é total.
JOSÉ IVAN MOROZOWSKI (diretor da Copel) - Curitiba





