CARTAS
Baderna em formatura
Como paraninfo de ensino superior, me vi numa baderna, ditada por posturas inferiores. Tanto formandos como principalmente o público se comportaram como crianças mal-educadas precisando de limites.
Confundiram regozijo com bagunça, alegria com barulho, euforia com histeria. Até idosos sopravam cornetas, enquanto jovens de bermudas e sandálias batiam tamborins, numa gritaria que só parou para o Hino Nacional e em seguida prosseguiu, apesar dos apelos ao microfone lembrando que a primeira parte da cerimônia deveria ser solene e respeitosa, ficando as comemorações para a segunda parte.
Mas que! O desrespeito e a bagunça foram totais e ininterruptos. Se a intenção do público era desqualificar os diplomados, conseguiram, com a ajuda destes. Os oradores aprenderam a fazer discursos curtos e não fazer saudações repetitivas. Mas o público e formandos precisam ser ensinados a se comportar adequadamente, além de proibidos de levar instrumentos barulhentos e instados a comparecer dignamente vestidos. Afinal, a casamentos vão bem vestidos e se comportam com dignidade, por que não em formaturas?
Aliás, o mercado de trabalho, com situação e perspectivas sombrias, merece mais reflexão que comemoração. E uma formatura de ensino superior não pode ser baixaria. Parece que está em curso um ciclo de degradação, que vai da música estupidamente alta em festas até cerimônias selvagens. Será que é preciso chegar à lama do poço para começar a buscar um comportamento mais elevado?
DOMINGOS PELLEGRINI (escritor) - Londrina
Barriga de aluguel
Causou-me estranheza o artigo do estudante de medicina Marco Aurélio Fornazieri - ''Até onde você se sacrificaria por amor?'' -, inserido ontem no Espaço Aberto, quando teceu considerações sobre a reportagem ''Irmã cede a barriga para gerar trigêmeos'', publicada em 30 de janeiro. Com explicações gratuitas, o estudante descamba para o anacronismo religioso, divagando metafisicamente a respeito do direito à vida de embriões, quando as questões em pauta nos dias de hoje envolvem o direito ao aborto e à eutanásia. Se se der trégua ao sr. Fornazieri, é capaz de descobrirmos nele um feroz inimigo da masturbação - pois afinal são mais de duzentos milhões de espermatozóides eliminados a cada busca do prazer solitário.
JOÃO ATHAYDE DE PAULA (escritor) - Londrina
Noite cara 2
Ao ler a carta do vendedor Renato Di Ângelo (Noite cara) evocou-me fatos ocorridos comigo e outras pessoas. No Teatro Marista fomos insultados e agredidos por palavras obscenas por termos recusado o pagamento antecipado aos guardadores de carros a quantia imposta por eles. Também nos bares já tivemos o desprazer de comentários maldosos e situações constrangedoras, porém, podemos sim recusar o pagamento dos 10%, a lei é clara. Não é obrigatório o pagamento dos 10% aos garçons pelos serviços prestados, os mesmos já são remunerados pelos seus empregadores para o trabalho nos estabelecimentos e atender bem a clientela faz parte do profissional.
Deveríamos questionar sempre também aquela tarifa bancária que vem cobrada nos boletos, taxa que todos pagam e não se dá conta. Conforme artigo 39, parágrafo V, do código do consumidor, essa taxa é por conta do cedente e não do sacado. Somos todos lesados por tantas práticas abusivas. Também custa e pode custar uma vida, o descontrole da venda de bebidas alcoólicas, que se vê nos postos de combustíveis. Os jovens aglomeram-se e consomem bebidas alcoólicas sem controle das autoridades e saem para o término da noite com seus carros ao som estridente e alguns na maior balburdia.
MARIA GENNY BELEMTANI (secretária) - Londrina





