CARTAS
Virou rotina
Mais uma vez vem a confirmação de que quem fala muito, esquece rapidamente o que disse ou até mesmo o que se faz. Em governos anteriores, contratavam-se pessoas para cargos de confiança sem concurso público e os partidos que eram oposição esbravejavam, davam murros na mesa, contrariando o feito. Mas, hoje, eles são situação e o governo federal está anunciando contratações de 2.797 novos cargos públicos sem concurso público e com gasto anual de R$ 58 milhões O que fazer então? Sai governo, entra governo e a rotina de cargos amigáveis continua!
JORGE LUIZ AMPESSAN (professor) - Arapongas
Políticos 2
Li quarta-feira na seção de cartas da Folha texto escrito pelo sr. Sérgio Toreto, escriturário em Goioerê, em que ele reclamava sobre a não realização de serviços de interesse da sociedade por parte dos políticos eleitos exatamente por essa sociedade. Concordo que muitos dos interesses da sociedade são ignorados: controle da violência, mais emprego, mais e melhor atendimento médico, moradia, etc. Só não concordo quando este senhor se refere a alguns interesses considerados por ele como unânimes da sociedade, como por exemplo a diminuição da idade penal e a exposição da fisionomia dos marginais na imprensa.
De quem é o real interesse de que essas exigências sejam cumpridas? Somente e unicamente da burguesia. Uma burguesia que precisa de alguma maneira tirar das ruas ou expor e humilhar aquelas pessoas vítimas da desigualdade social, que é a responsável por tantos crimes cometidos por menores de idade excluídos dessa sociedade à qual o sr. Sérgio se refere.
Não quero de maneira alguma fazer parte dessa sociedade, mas sim de uma sociedade que exige dos políticos eleitos por ela medidas que venham a diminuir esta desigualdade social e, consequentemente, termos como resultado melhores condições sociais: mais emprego, mais escola (de qualidade), mais saúde, mais moradia, menos violência e a não-necessidade da diminuição da idade penal ou da humilhação humana na imprensa.
JOSIANE RODRIGUES (assistente financeiro) - Londrina
Estrelismo
Para aqueles que usam o jargão, futebol é isso mesmo, um dia a gente ganha outro a gente perde ou é uma caixinha de surpresas, isso não poderia ter acontecido com nossa seleção, que virou motivo de chacota, menosprezo, gozações em todos jornais da América Latina por ter perdido a classificação para as Olimpíadas de Atenas. Saímos do Brasil de salto alto e nossos jogadores tratados a pão de ló.
O pior veio com o último jogo com o Paraguai que chegou de ônibus. Seus jogadores simples e humildes alguns trabalhavam na lavoura antes de ir jogar em seus clubes , mas tiveram garra, determinação e mostraram como a vontade de vencer supera o talento e o estrelismo. Agora, os paraguaios irão carimbar o passaporte para Atenas e os nossos irão carimbar o passaporte para o esquecimento e o ostracismo.
O pior de tudo isso é que o chefe da delegação, o ex-jogador Branco, permitiu todos os excessos, brincadeiras nos treinos, hotéis, menosprezo aos adversários e na volta quando viu sua viola em cacos junto com o Ricardo Gomes, que ganharam polpudos salários, resolveu livrar a cara deles e de alguns dos jogadores do desastre para a CBF. Branco deve pegar o seu boné e tirar o time de campo e não entregar os jogadores.
JOSÉ PEDRO NAISSER (humanista) - Curitiba
Viver pela paz
Os governantes das potências do primeiro mundo seguem rumos que se conflitam, por defenderem posições que dificultam, um entendimento salutar sem imposições do mais forte sobre o mais fraco. Causam apreensões não compreendermos como falha o bom-senso. Os esforços de Koffi Annan não são atendidos pelas potências internacionais que detêm o poder de intervenção, quando bem querem, sem avaliar as consequências de seus atos, salvo quando ditados por uma estratégia egoística ditada pelo ''quem pode mais''.
Supõe-se que a humanidade está cansada de observar na evolução histórica do universo as consequências da repetição de atos de insensatez, de conquistadores sobre povos vencidos. Estes as maiores vítimas.
Tem-se a impressão que o homem na ânsia de acompanhar o progresso que o cerca, perdeu o objetivo principal da sua existência terrena, que é simplesmente viver em paz, colocando todos os conhecimentos obtidos através dos milênios da sua evolução como ''homo sapiens'' em seu benefício, e por extensão para a sociedade.
JOÃO DIAS AYRES (médico) - Londrina





