CARTAS
Que país é esse?
Vivemos vários paradoxos. As exportações agrícolas batem recorde ano após ano; o PIB nunca esteve tão alto; o País terá um astronauta no espaço; a medicina brasileira conquista feitos admiráveis; temos vários esportistas de primeira linha; temos um presidente que conhece as agruras do sistema, porque viveu-as na pele e é parte viva da história do país; enfim, temos uma série de pontos positivos. Mas, por outro lado, a média geral dos salários está baixando, agrava-se a precariedade do ensino público, a violência atinge níveis comparáveis a países em guerra, as filas para tudo aumentam, o crime mostra o seu lado ''colarinho branco'' e ''togado''.
Nosso país é isso. Se por um lado, somos fabricantes de veículos tipo exportação, muitos dos quais apenas reunimos as peças, por outro, somos infelizamente fornecedores de peças humanas no criminoso mercado de órgãos internacional. Meu Deus, que vergonha! Nossos irmãos brasileiros estão sendo vendidos para desmanche. Onde é que vamos parar? Fatos como este demonstram o quanto ainda temos que caminhar para garantir dignidade e cidadania a todos. Sem isto, jamais seremos uma verdadeira nação.
TITO VALLE (advogado) - Londrina
Empreendedores
As estatísticas mostram o grande índice de mortalidade das empresas no Brasil, causados especialmente pela inexperiência, desinformação, falta de visão empresarial, política econômica governamental, etc. A maioria dos municípios se preocupa em atrair empresas de fora oferecendo terrenos e incentivos fiscais e se esquecem das empresas locais que lutam com dificuldades por falta de incentivos e orientação, se esquecendo que as pequenas e microempresas de hoje, serão as grandes empresas de amanhã.
Por outro lado, no Brasil, infelizmente, as faculdades não formam empreendedores, pois não existe nos currículos de um curso de economia, administração de empresas e outros afins, a preocupação em formar empresários, e não existe qualquer orientação nesse sentido.
Um formando em administração de empresas termina o curso sem saber o que é necessário para se abrir uma empresa, quais são os encargos e tributos que incidem sobre a atividade e outros conhecimentos básicos.
Ao se fazer uma seleção para preencher cargos da área de administração, notamos o total despreparo dos candidatos recém saídos de uma faculdade, que não possuem a mínima noção do dia a dia de uma empresa ou até mesmo de um departamento.
A tão propalada integração universidade/empresa só existe na intenção. A maioria dos formandos das áreas acima só pensa em fazer concursos para ser um funcionário público, pois terão bons salários, estabilidade, aposentadoria, etc. Ninguém quer correr o risco de empreender e poucos são os que se atrevem, mais por orientação familiar do que por qualquer outra formação. Outros se arriscam em uma atividade própria mais por necessidade, por que perderam o emprego, do que por convicção, e aí, sem qualquer embasamento, quebram a cara e voltam para a fila dos desempregados em pior situação que antes.
Para agravar a situação, são poucos os empreendedores que se sujeitam a ministrar aulas em universidades, ficando esta tarefa a cargo de teóricos, sem experiência para transmitir aos alunos. Para minimizar o problema é necessário que todos os educadores se conscientizem de que é preciso mexer nos currículos das universidades, adequando-os à realidade da vida profissional que espera a leva de formandos que todos os anos deixam os bancos escolares em busca de uma colocação
JURANDIR BARROZO (empresário) - Londrina
Políticos na TV
Os senadores e deputados foram eleitos em sua grande maioria pelo povão excluído da sociedade. Estes eleitores não podem acompanhar as ''sessões'' dos mesmos porque neste país impera a injustiça social. Somente quem tem o privilégio de ter em casa uma antena parabólica, TV a cabo ou mesmo internet é que pode acompanhar os ''trabalhos'' destes nossos parlamentares da República. Por que não transmitir as sessões em TV aberta?
CÉLIO BORBA (artista plástico) - Curitiba





