Alerta à classe odontológica

  Durante nossa formação acadêmica aprendemos que o Conselho Regional de Odontologia tem dentre suas finalidades primordiais supervisionar a ética profissional, zelar pelo bom conceito da profissão dos cirurgiões dentistas, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão, enfim, nos defender diante de qualquer infração ou ato ilícito que nos lese direta ou indiretamente.
  Ultimamente temos sofrido uma enxurrada destas infrações, violentando e desrespeitando nossa classe, e nosso órgão de defesa nada tem feito por nós. Primeiro uma chuva de panfletos caem do céu jogados de um avião emporcalhando nossa cidade, e agora (aliás desde o final do ano passado) pessoas distribuem estes panfletos aos gritos no calçadão e centro da cidade. Panfletos que além de violar tudo o que é dito no código de ética quanto a normas de anúncio, propaganda, publicidade e comunicação, violentam uma grande maioria de profissionais honestos que batalham diariamente de forma digna e honram seus diplomas.
  E o que o Conselho Regional de Odontologia (CRO) faz? Nada! Assiste de camarote a tudo isso, já que por várias vezes eu e meu pai (que também é cirurgião dentista) já fizemos essa denúncia junto ao CRO de Londrina e Curitiba, e mesmo assim há dois dias recebo esse panfleto pela quarta ou quinta vez em menos de dois meses.
  Será que não nos resta mais nada a fazer a não ser efetuar o pagamento da anuidade do CRO que acaba de chegar? Todos os dentistas pagarão R$ 250,00 para que eles passem o resto do ano debochando de nós.
  É uma pena que a classe odontológica esteja tão mal assistida e representada. É, aí está a desonestidade vencendo mais uma vez vencendo diante dos nossos olhos. Faço um apelo à população e principalmente à classe odontológica para que reaja, dando um ‘‘não’’ vigoroso a esta gente, que inescrupulosamente violenta nossa dignidade.
CÍNTIA BARROSO GARCIA LOPES, cirurgiã dentista, Londrina

Médicos e sociedade

  A classe médica brasileira está passando por um importante momento atualmente. São inúmeros os projetos de lei de nosso interesse que tramitam no Congresso Nacional: a Lei do Ato Médico, a Lei dos Conselhos. Além disso, nos deparamos com a eterna luta pela melhoria do SUS, inclusive, no tocante à remuneração dos médicos, que é aviltante, um verdadeiro desafio à nossa vocação sacerdotal.
  Mas dentre todas estas bandeiras de luta, tenho certeza de que a implantação da nova Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos – projeto conjunto do Conselho Federal de Medicina, CFM, e da Associação Médica Brasileira, AMB – é o ponto central de nossas reivindicações. Há no bojo desta luta pela implantação da nossa ‘‘tabela’’ fatos importantíssimos, que não podemos esquecer. O resultado desta luta depende muito de nós médicos e do restante da sociedade. Temos que acreditar na nossa capacidade ‘‘de dobrar’’ os que há 12 anos nos remuneram, vergonhosamente, com os mesmos valores.
  Fracassar, será algo que, pelo menos em médio prazo, levará a classe médica à impossibilidade de novas tentativas no sentido de ser dignamente remunerada. Este momento é ímpar. Momento em que o CFM, pela primeira vez, chancela uma ‘‘tabela’’ de procedimentos. Nós, do CFM e da AMB, elaboramos essa tabela com a participação de todas as sociedades médicas especializadas. Levamos muito tempo para que fosse feito o melhor e investimos uma grande quantia de recursos nesta idéia.
  É necessário que tenhamos a participação e a ajuda da sociedade como um todo. Precisamos envolver, principalmente, os usuários, grandes interessados na melhoria do atendimento por parte dos planos de saúde, seguradoras e cooperativas. Há uma insatisfação geral, de médicos e usuários, com as empresas ligadas à saúde suplementar. Pesquisa recente do Datafolha revela dados importantes: 93% dos médicos brasileiros sofre pressões dos planos de saúde e das empresas do ramo no sentido de não solicitarem determinados exames, não internarem pacientes, e quando internam, sofrem pressão para dar alta precoce. Apenas coesos poderemos acertar o rumo da nau errante em que navegamos. É vencer ou vencer!
ABDON MURAD é médico e 3º vice-presidente do Conselho Federal de Medicina..

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