CARTAS
Vestibular da UEL
Nesta última quarta feira, encerrou-se o maior vestibular da história da UEL. Mais de 30.000 candidatos prestaram o concurso na instituição. Para os organizadores, esses números foram motivos de alegrias e comemorações. Já para nós, vestibulandos de Londrina e do Paraná, foram motivos de indignação. Sabemos perfeitamente que um processo seletivo deve ser democrático e todos têm o direito de participar do mesmo, todavia gostaríamos de saber da Reitora Lygia Pupatto, o que impede a UEL de fazer o concurso no mês de dezembro, mês no qual é realizado a grande maioria dos vestibulares de outras universidades no Brasil? Com o vestibular em dezembro, o número de aventureiros paulistas e de outros estados seria menor, uma vez que, coincidindo com as datas de outras instituições, a UEL passaria a ser uma escolha e não uma simples opção, beneficiando plenamente os estudantes londrinenses e paranaenses. Na obra literária A farsa de Inês Pereira, indicada pela UEL neste último vestibular, a história foi desenvolvida através do seguinte mote dado ao humanista Gil Vicente: Mais quero asno que me leve que cavalo que me derrube! Será que o ''mote'' da Universidade Estadual de Londrina seja: Mais quero três milhões de reais no caixa que pouca concorrência? Esperamos que não! O vestibular já é um tipo de concorrência injusta, pois alunos de escolas públicas têm que concorrer de modo equiparado com alunos de escolas particulares. E sabemos que o ensino público vai de mal a pior. Se uma alta concorrência é bom também para o comércio e para os hotéis da cidade, lembrem-se de que para o Brasil melhorar, a educação tem que ser primordial, e a universidade tem que dar o exemplo!
FABIANO SOUZA, estudante, Londrina.
''Não me queixo!''
''Não me queixo!'' era, digamos assim, o bordão que usava para não envolver as pessoas em seus problemas, suas decepções, suas angústias. Quem conheceu
o Dr. Olympio Luiz Westphalen nunca ouviu dele a menor queixa pessoal, embora se queixasse das injustiças que sofriam seus colegas professores, a quem defendeu com ímpeto por toda sua magnífica vida, sendo linha de frente de tantas greves do professorado, sendo porta-voz desses mesmos professores nos órgãos do governo estadual. Não se intimidava nunca. Tinha invejáveis argumentos de defesa e desmontava com facilidade a argumentação dos governos.
O Dr. Olympio, falecido neste 13 de janeiro, deixou obras importantíssimas para Londrina. Foi professor fundador da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras, célula mater da Universidade Estadual de Londrina, onde
trabalhou até sua aposentadoria. Fundou o Museu Pe. Carlos Weiss (outro orgulho de Londrina) e dedicou-se a ele com a garra de sempre. Foi diretor do Colégio Estadual Prof. Vicente Rijo (que antes ficava na R. São Salvador) e muito se esforçou para a construção do complexo que hoje existe na avenida Higienópolis. Abriu as portas da escola para os jovens professores que saíam das Faculdades de Filosofia e, por eles, fundou e foi presidente da Associação dos Professores Licenciados do Paraná. Se por tudo o que fez pelo magistério e por Londrina não lhe valeu, de papel passado, o título de Cidadão Honorário, houve omissão, houve ingratidão. E disto eu me queixo!
REINALDO MATHIAS FERREIRA, professor, Londrina.
Sotaque londrinense
Nos últimos dias esse jornal tem dado importante cobertura às mudanças na gestão da Ask Call Center, com a consequente ampliação de postos de trabalho em Londrina. Gostaria de, publicamente, agradecer a atenção dada e aproveitar a oportunidade para esclarecer um equívoco de comunicação em relação à minha declaração, publicada na edição de 14 de janeiro.
A comparação que fiz refere-se às diferenças de sotaques existentes em nosso país, o que caracteriza nossa diversidade cultural, decorrente dos diferentes processos de miscigenação em um país de dimensão continental como é o Brasil. Em Londrina temos descendentes de 47 diferentes etnias, proporcionando o nascimento de um novo sotaque menos acentuado, o que facilita sua difusão para as várias regiões do país. Isto favorece a instalação de serviços de atendimento telefônico de âmbito nacional em Londrina, conforme foi declarado também pelo novo presidente da Ask Call Center.
Minha intenção na referida reportagem, foi de destacar esse potencial de Londrina, sem qualquer denotação preconceituosa. Quero enaltecer nossas características e potenciais de Londrina, e, quero também registrar meu respeito e gratidão àquelas pessoas que aqui chegaram e formaram uma cidade plural, produzindo o novo a partir das misturas de diferentes povos. Quero ainda registrar meu reconhecimento às distintas regionalidades que constituem nossa nação, pois é disto que brota a riqueza cultural do Brasil.
GABRIEL RIBEIRO DE CAMPOS, diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina





