CARTAS
Material escolar
Após as férias é hora de pensar no reinício das aulas no mês de fevereiro, em que milhares de crianças, adolescentes e jovens voltam às aulas na rede pública e privada. Depois de efetuada a matrícula, vem a preocupação dos pais com os gastos em materiais escolares, uniformes e transporte. Como poucos pais conseguem fazer uma reserva financeira antecipada para este fim, os últimos dias de férias são destinados à pesquisa por melhores preços e condições de pagamento. Ainda não comprei o material de minhas duas filhas, mais em pesquisa realizada já percebi a diferença de valores entre um estabelecimento e outro no mesmo material. Outro fator que poderá elevar os custos na hora da compra é o famoso modismo vendido pelo marketing televisivo, sendo necessária a negociação com nossos filhos. Por outro lado, como as livrarias e papelarias na maioria das vezes já fornecem às escolas a lista de material, poderiam antecipadamente montar um kit escolar básico e oferecer aos pais a um preço compatível com o mercado. Pesquisar e negociar são dicas para a economia no orçamento.
PEDRO BATISTA MARTINAZO, formando em Economia pela Univel, de Cascavel.
Vergonha nacional
O Brasil, que poderia virar notícia na imprensa internacional como um país que trata e recebe bem seus turistas, foi notícia nas principais páginas em todo o planeta pela ação de um juiz que ganhou os cinco minutos de fama, Julier Sebastião da Silva (e olha que é dos Silva), no processo de identificação dos turistas americanos. Com essa trágica e estapafúrdia medida, o turismo no Brasil corre um sério risco de que, em 2005, os turistas americanos tomem outros rumos, como Argentina e Uruguai.
No mesmo dia que iniciamos o procedimento aqui, o diretor do US-Visit, Jim Willians, criticou a forma como foram efetuadas as identificações. Respeitando o livre arbítrio de todos, somos contrários à decisão brasileira, porque lá eles levaram um ano se preparando para isso. Enquanto por aqui a Polícia Federal implantou a medida na calada da noite. O difícil é explicar o silêncio dos donos do poder, pois dos 5.450 turistas que aqui chegaram para passar o Revéillon, 100% deles voltarão para seu país, enquanto dos nossos que daqui saem muitos desgostosos pela falta de emprego e de perspectivas somente 10% voltam. Os outros ficam clandestinamente nos Estados Unidos. Com relação ao Dr. Julier Sebastião da Silva, que já esteve nos USA, poderá ficar marcado por lá para sempre. Um dia, se quiser voltar, terá que passar os mesmos constrangimentos que os americanos passaram aqui. Isso é o Brasil, o resto é o resto.
JOSE PEDRO NAISSER, de Curitiba.
Reeducação alimentar
O Programa Fome Zero vem trazendo à sociedade brasileira o debate em torno de uma questão importante sobre a realidade nutricional do país. O fato é que a má nutrição tem sido causa não apenas da morte precoce de milhões de pessoas, como traz inúmeras doenças e complica a vida de muita gente no mundo inteiro. Precisamos, então, de um processo de conscientização daquilo que é bom para o nosso organismo, para que possamos evitar o consumo de muitos alimentos que não são nada benéficos à nossa saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que aproximadamente metade da população de todas as nações sofre de má nutrição de um tipo ou de outro. Isto inclui 1,2 bilhões de pessoas famintas, cuja dieta é deficiente em calorias. Inclui também seu pólo diametralmente oposto no espectro da nutrição, formado por pessoas que comem demasiado pelo menos 1,2 bilhões de pessoas, provavelmente o grupo de mal nutridos que mais rapidamente cresce. Um volumoso terceiro grupo de vários bilhões de pessoas se sobrepõe aos dois primeiros; apelidadas de famintos disfarçados, estas pessoas parecem estar adequadamente nutridas, mas estão igualmente debilitadas por uma falta de vitaminas e sais minerais essenciais. A má nutrição prejudica o desenvolvimento mental e físico das crianças e eleva as condições das pessoas adoecerem e até morrerem, sobrecarregando assim os sistemas de saúde e minando o desenvolvimento econômico. As escolas e entidades sociais e ambientais deveriam somar esforços para promoverem cursos especiais sobre alimentação saudável, especialmente nas férias escolares. Fica aqui uma sugestão para os educadores que realmente valorizam e promovem a vida.
VALMOR BOLAN, doutor em Sociologia e diretor Geral da Faculdade Editora Nacional





