Sobrevivemos perigosamente
Sobrevivemos ao ano de 2003, quando neste país matou-se mais que em todas as guerras existentes no planeta, inclusive a do Oriente Médio; nossos jovens das periferias sem esperança e iludidos com a promessa do primeiro emprego foram recrutados pelos traficantes de drogas e muitos pagaram com a própria vida. Nunca foram construídas e reformadas tantas cadeias e penitenciárias ditas de segurança máxima, enquanto nossas crianças não tinham nem mesmo escolas mínimas para estudar e os que lá estavam somente 26% saíram aprendendo alguma coisa para que possam voltar a estudar.
O governo federal pensa em privatizar ou extinguir o ensino gratuito das universidades federais no país hoje sucateadas e entregues ao Deus dará. A a reforma tributaria, propagada aos quatro cantos do país, só beneficiou o governo e os parlamentares que ganharam R$ 3 bilhões para a aprovação, com a maior arrecadação de impostos principalmente da extinta classe media, exemplo IRPF. Seria em 2004 de 25%, ficou nos 27,5. A CPMF, que seria de R$ 0,08 ficara nos R$ 0,38% na movimentação bancária, Cofins de 3 passou para 7,6%; foram criados alíquotas de 3 a 5% para o ISS municipal de 211 segmentos e no final de tudo isso o contribuinte pagará a conta, sem falarmos do aumento do IPVA, IPTU, gasolina, planos de saúde com a anuência do governo.
Foi infeliz o presidente Lula em suas metáforas trágicas ao dizer a população que ''vá deitar no dia 31 sabendo que a partir de 1 de janeiro de 2004 o Brasil será melhor''. Será melhor mesmo? Com toda essa carga tributária anunciada e já aprovada. O difícil de tudo isso foi sabermos que ao final de 2003 a única coisa que se concretizou de bom no país, não para nos os brasileiros nem para os 52 milhões de famintos e miseráveis, foi ao FMI, o pagamento dos juros da dívida eterna de R$ 140 bilhões que serão distribuídos entre os agiotas internacionais.
O presidente Lula errou e contrariou um sonho de Tancredo Neves que um dia disse, como presidente também: ''Não podemos pagar os juros da dívida externa com a fome e a miséria do povo brasileiro''. Isso é o Brasil hoje. Que Deus nos proteja para 2004.
JOSE PEDRO NAISSER (humanista) Curitiba

25 anos de Louise Brown
Em julho de 1978, após cerca de 200 tentativas, nascia na Inglaterra Louise Brown, o primeiro bebê de proveta do mundo. Na época, as chances de uma fertilização in vitro ter sucesso eram de cinco por cento.
O caso Louise Brown impulsionou o conhecimento sobre reprodução assistida. Foram obtidas melhorias significativas nos medicamentos (hormônios) administrados para levar a mulher a ovular, na qualidade dos laboratórios e na capacidade de transferir os embriões para o útero com até cinco dias de vida. Antes a transferência precisava ser feita até cerca de 24 horas após a fertilização.
Atualmente, a média de sucesso de uma fertilização in vitro é de 35 por cento, podendo chegar a 40 por cento no caso de mulheres com menos de 35 anos.
Além do nascimento de Louise, a história da fertilização in vitro tem um outro grande marco: o desenvolvimento do método da injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI), em 1992. O ICSI, criado por pesquisadores belgas, permitiu que milhares de homens cujos espermatozóides eram incapazes de fecundar o óvulo se tornassem pais. A técnica consiste, de um modo geral, em introduzir o espermatozóide no óvulo com o auxílio de uma pipeta, procedimento monitorado por microscópio.
O ICSI permitiu também o desenvolvimento de novas técnicas de micromanipulação. Um exemplo é a biópsia embrionária, possibilidade de identificar alterações cromossômicas no embrião, como a responsável pela síndrome de Down, e selecionar embriões mais propensos a gerar um bebê. Outra é a injeção de citoplasma, que tem por objetivo rejuvenescer óvulos, transferindo 15 por cento do citoplasma de óvulos jovens para óvulos de mulheres acima de 38 anos.
Para os especialistas, todos os casos serão resolvidos nas próximas décadas, inclusive homens que não produzem esperma ou mulheres sem óvulos. Um dos ramos mais promissores é a pesquisa de células-tronco, capazes de gerar qualquer tecido humano. Uma esperança para driblar o relógio biológico.
ELISANGELA BöHME (bióloga) Curitiba

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