Cartas
Um circo humano
O Circo Marcos Frota Show, em final de apresentação em Londrina, tem a grande virtude de não apresentar ''espetáculos'' com animais. Ele exibe talentos: acrobatas maravilhosos, trapezista espetaculares e outros. Mas não apresenta número com animais. Justamente por isso é um bom circo, ainda que modesto no quesito ''palhaços''. Mas, palhaços sempre agradam, mesmo não sendo os melhores. São a alma do circo.
Os circos, todos, deviam adotar a mesma linha que o Circo Marcos Frota Show. É hora de aposentar os animais, encaminhá-los para o descanso de um zoológico. Pôr fim aos maus-tratos. E, como forma de agradecimento, ou ''indenização'', deveriam investir nesses zoológicos.
As pessoas aplaudem um número com o elefante e, no dia seguinte, ao passar em frente ao mesmo circo ficam horrorizadas ao ver o animal amarrado com uma corrente que não tem mais que meio metro de comprimento. Na verdade, o público que aplaude, às vezes, se torna conivente porque ''referenda'' uma exibição que não tem nenhuma alegria. A relação é de dominador e dominado, ou se preferirem, torturador e torturado.
Há exceções, mas devem ser poucas poucas.
Além disso, não há nada de inusitado na maioria dos ''shows'' com animais. A televisão mostra esportes radicais em que a coragem é uma rotina de pessoas que ousam. Certas cenas de circo não passam do desprezível. O barulhento globo da morte é uma dessas cenas.
Mas o pior mesmo é o que fazem os animais ''amestrados''.
É hora do circo parar com isso, por iniciativa própria, já que no País não existe órgão de governo ou ONG que fiscalize tais crimes.
Se o público não aplaudir o domador que ''cutuca'' o elevante e ameaça o indefeso chipanzé, o circo entra na linha.
Depende de nós.
BRAULINO NIRTEP (comerciante, de Londrina)
Gafes e Bizarrices da semana
O Presidente dos Estados Unidos, George Bush, conclama o mundo inteiro a uma alienação mental coletiva, para menosprezar Saddan Hussein, capturado no Iraque e que também não é flor que se cheire. Será que o mundo já esqueceu que o mesmo Saddan foi armado pelos USA e Inglaterra, para enfrentar o Irã em 1984? E ainda usaram o Bin Laden contra os Russos no Afeganistão. Isso nem Freud explica.
O Presidente Lula, em sua viagem pelo Oriente Médio, o paraíso das ditaduras, visitou só gente fina, que tem um curriculum democrático invejável como Síria, Egito, Líbano e a Líbia. Faltou só dar um pulo até a Coréia do Norte para ajudar o companheiro e camarada Kin John Il, e o BENDS abrir uma linha de crédito como fez para outros.
Não se assustem se o Brasil for colocado no ''Eixo do Mau'' pelos USA - mal das pernas já estamos há muito tempo, porque para os nossos 52 milhões de pobres e famintos o Fome Zero funcionou somente como um marketing. Agora a fome pode esperar, quem ganhou mesmo foram os parlamentares que votaram com o Governo as reformas da Previdência e Tributaria, 3 bilhões divididos para as emendas pessoais dos parlamentares, cujos recursos nunca chegarão ao Povo, o verdadeiro destino das verbas.
De volta a terra da corrupção generalizada e das injustiças sociais, o Presidente Lula, que para muitos deveria usar o ''nós'' em lugar do ''eu'', (como exemplo: ''eu faço, eu mando, eu demito, eu promovo, eu falo''), foi infeliz no almoço de fim de ano com os militares das Três Forças, no Clube do Exército, em seu discurso de improviso, referiu-se aos militares como um ''bando'' de generais e bando de soldados sem pólvora e sem bala para usarem em caso de necessidade, o pior mesmo é que hoje a palavra ''bando'' é associada ao conceito de quadrilha. O Hugo Chaves, da Venezuela, e companheiro do outro, o de Cuba, agora passa apuros também. Por lá ele prometeu acabar com a fome e o desemprego, mas quem pode ficar desempregado agora é ele. Já circula na internet a resposta por parte de alguns militares dizendo que o Presidente é um sujeito inculto e despreparado para o cargo que exerce.
Moral da história, quem fala o que quer, ouve o que não quer. Isso é a lei da causa e efeito.
JOSÉ PEDRO NAISSER (advogado e humanista, de Curitiba)
Golpes contra o consumidor
Há uma cumplicidade entre a administração pública e os constantes golpes perpetrados ao consumidor, afirma o jurista Maurício Ribas, que atribui ao ''mau exemplo'' praticado no reajuste de tributos e tarifas que incidem sobre os serviços públicos e à omissão dos órgãos fiscalizadores as dificuldades de relações de consumo. Há um Estado voraz arrecada impostos por serviços que não satisfazem às necessidades de consumo sustentável, enquanto os golpes contra ao consumidor seguem sua escalada sem fim: geladeiras que não gelam, automóveis que não andam, tratamentos para eliminar gordurinhas e celulites que só fazem inchar ainda mais, apartamentos pagos na planta que não são entregues conforme o combinado, telefones que não falam, asilos e creches que não atendem bem aos pais e aos nossos filhos, provedores de acesso à internet que vendem banda larga e entregam banda lerda, navegadores lentos que naufragam em desconexões, computadores que não têm memória, dentaduras que não se ajustam à gengivas, médicos mercantilistas, remédios que não curam, etc, etc..
Paralelo à enorme lista de insatisfações, enfrenta-se filas em bancos, nos departamentos públicos, nas instituições previdenciárias em dia de pagar ou receber, nos postos de saúde e hospitais conveniados pelo SUS. E mais: tem que se esperar ''ad infinitum'' para denunciar, sem quaisquer chances de resultado imediato, uma dessas irregularidades nos órgãos de defesa do consumidor.
Apesar do alto grau de conscientização que alcançou nos últimos tempos e, ainda da infinidade de casos denunciados na mídia, o consumidor cai no conto do vigário da propaganda enganosa, que surrupia o sonho, a única coisa sem a qual, além da esperança, não se pode viver.
JOSÉ FIORI (jornalista, de Curitiba)
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