CARTAS
Protejam as árvores
A Natureza singela, estampada em cada folha, tronco ou camuflada debaixo da terra, nas raízes das árvores, já não sobrevive à prepotência, arrogância e ambição disfarçadas de homem. Motosserras, machados ou simplesmente facões empunhados pelo desrespeito humano ignoram, como castores, o desenrolar da vida nas árvores, seja ela silvestre ou urbana.
A ''incômoda'' presença vital, fragilizada pela ação civil, logo dá lugar a calçadas perfeitas, a magníficas construções (que não admitem um desvio sequer) ou ainda - pasmem! -a postes e fios de iluminação, por ora, mais importantes que a escultural e misericordiosa Natureza.
Espanta-me saber que existem pessoas alérgicas ao ar puro exalado pelas árvores, de tão viciadas ao desastroso gás carbônico. Não obstante, insistem em revogar o trabalho purificador de tão nobres seres.
Milhões de hectares de florestas já foram devastados para suprir a fortuna de poucos, que destroem as riquezas naturais abrigadas pelas matas e as utilizam a seu favor. Hoje, reduzidas reservas sustentam a inserção de poluentes na atmosfera. Em ambiente urbano, são em número ainda menor.
As árvores agonizam. Pedem socorro. Clamam por oferecer-nos tão valiosos benefícios (ar renovado, sombra, entre outros), ainda que as maltratemos. Não guardam rancor. Solicitam apenas piedade (com boa dose de oportunidade), para viverem num mundo que cada vez mais precisa delas.
Parabenizo os esforços da prefeitura, da SEMA, ou de qualquer outro órgão que seja responsável ou envolvido no que tenho visto pelas ruas: o plantio de inúmeras árvores no centro da cidade. E fico na expectativa de que, quando estas estiverem grandes, as mais antigas ainda estejam de pé.
FÁBIO LEONE LUIZ LUPORINI (estudante) - Londrina
PT e radicais
A expulsão dos chamados ''radicais'' do PT me leva a comparar Lula com Saddam Hussein. Saddan mandava matar seus desafetos. Lula, por enquanto, mandou só expulsar. Afinal, o PT é um partido democrático ou após ter chegado ao poder já mudou completamente seus ideais?
SÉRGIO TORETO (escriturário) - Goioerê
A arte de ensinar
Quero dar um pequeno depoimento do que significa procurar dar a um filho um bom encaminhamento social, cultural, educativo e um futuro melhor. A escolha correta passa por uma pesquisa minuciosa do educandário, avaliando seu corpo docente, suas instalações físicas e a metodologia de ensino empregada. Feito tudo isso, é só matriculá-lo e encaminhá-lo todas as manhãs até o seu portão. Dentre tudo isso, tinha um pormenor que nenhuma pesquisa mais apurada iria detectar, que foi exatamente o toque matriarcal-maternal da tia Márcia, aliás, tia também de um monte de ex-alunos. Londrinenses que cresceram e hoje são pais de atuais alunos.
A sua preocupação sempre muito evidente de que qualquer sucesso na escola e na vida, depende de uma estrutura familiar coesa, com muito diálogo entre pais e filhos, alicerçada numa filosofia religiosa de qualidade, qualquer que seja ela. Tia Márcia comanda um batalhão de pessoas compromissadas com a arte de educar. Esses detalhes é que estimulam o aprendizado. São detalhes que se percebem pela evolução diária de nossos filhos, detalhes que não se lê em currículos, detalhes que não se pagam nas mensalidades.
Estou formando meu segundo filho pelas mãos da tia Márcia e faltarão agora palavras para agradecer à sua grandiosa dedicação e a preocupação de sempre dar o seu melhor, para um correto encaminhamento e formação de nossas crianças. Professora Márcia, obrigado!
WALTER ABOU MURAD (biomédico) - Londrina
Ciganos e discriminação
É com grande pesar que me pronuncio com relação ao vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O povo cigano torna pública a sua indignação ao ver a forma preconceituosa e pejorativa com que são citados no livro ''Memórias de um sargento de milícias'' (Manoel Antônio de Almeida), colocado como obrigatório na relação de livros indicados para o vestibular 2004. Apesar de termos notificado aquela instituição de ensino superior não obtivemos resposta alguma. Nos deram mais uma vez a última trincheira de luta, ou seja, o poder Judiciário.
Não temos a intenção de censurar a obra literária, pois a liberdade de expressão é um direito fundamental do ser humano. Mas, o direito à não discriminação também o é. Quando estes dois direitos fundamentais se chocam, entendemos que deve prevalecer o direito à não discriminação.
Vale a pena citar parte do capítulo ''Uma noite fora de casa'' para a devida reflexão. ''Com os emigrados de Portugal veio também para o Brasil a praga dos Ciganos. Gente ociosa e de poucos escrúpulos, ganharam eles aqui reputação bem merecida dos mais refinados velhacos: ninguém que tivesse juízo se metia com eles em negócio, porque tinha certeza de levar carolo.''
Atitudes como esta, tomada pela UFPR, só vem sedimentar o preconceito e a discriminação de um povo que tem na sua essência o respeito pelo outro. Em nome do povo cigano paranaense e brasileiro, o nosso mais profundo voto de repúdio e pesar.
CLÁUDIO DOMINGOS IOVANOVITCHI (presidente da Associação de Preservação da Cultura Cigana) - Curitiba





