Natal sem brilho

O trecho do Calçadão recentemente reformado não esconde imperfeições que só o coração pode sentir. Às vésperas do Natal, pouco ou nada, naquele local, lembra o espírito de solidariedade que normalmente caracteriza esta época do ano. A sujeira das calçadas ganha destaque, pois é impossível tentar caminhar por ali, nestas noite de comércio funcionando em horário extraordinário, sem tropeçar em embalagens sujas de lanches.

As luzes são opacas, não irradiam tanta claridade. Como nos dias normais, refletem seus brilhos tímidos. Não deveriam as árvores estarem enfeitadas com as luzinhas natalinas, aquelas que não só piscam, mas criam nas pessoas uma sensação de alegria? Claro que sim, é véspera de Natal. Mas elas estão espalhadas num canto e noutro, enfeitando as hastes das luminárias. São tão poucas que causam impressão de pobreza.

E o Papai Noel, cadê? Qualquer criança procuraria por um deles nestes dias. E até aqueles magrinhos, obrigados a engordar com enchimentos, contentariam os pequenos, desde que soubessem, no seu ofício de atrair consumidores, distribuir balas com um sorriso nos lábios. Mas nem eles estão presentes no Natal do Calçadão de Londrina. A contrário, em algumas lojas são os vendedores que praticamente puxam as pessoas pelas roupas, no curto tempo em que elas se postam diante de uma vitrine para apreciar os produtos expostos.

Então se procura a melodia, que conduza um pouquinho para o clima da época. Mas o intérprete prefere Je T’ame, uma música que inspira outras coisas. Nostalgia boba? Nada disso. Sabe-se que há forte apelo comercial nas datas que fortalecem a solidariedade e a troca de presentes. E não se condena isso, pois a maioria das pessoas, embora consuma mais nesta época, não deixa de levar no peito o verdadeiro sentido do Natal.

Então por que não valorizar este sentimento, mesmo que o apelo do consumo pareça mais importante? Poder público e comércio, infelizmente, tornam este ano o Natal de Londrina muito menos Natal do que em outras épocas. Será que a população não gostaria de ter uma cidade inspirando na sua gente e nos seus visitantes o espírito de uma data tão importante?

FILOMENA REGINA STORTI MINETTO (psicóloga) Londrina






Resposta à sugestão

Prezado administrador de empresas Hugo Pedro de Almeida, em resposta à carta que vossa senhoria enviou à Folha, publicada na última sexta-feira, venho, na qualidade de procurador jurídico da Câmara Municipal de Londrina, responder-lhe:

A democracia possibilita toda e qualquer forma de expressão e, numa sociedade pluralista, as pessoas não são obrigadas a gostar ou desgostar, concordar ou discordar. Ocorre que, como advogado, não posso aceitar sua sugestão de que os vereadores ''deveriam contratar bons advogados para ajudá-los a sair dessa'', na medida em que toda a ajuda que este procurador avaliou necessária ele já tem no corpo jurídico da Câmara Municipal de Londrina.

Assim, respondida sua sugestão e com arrimo no contraditório, devolvo-lhe, ainda em forma de sugestão, uma idéia: talvez a maior conveniência de manter 21 vereadores seja o fato de a interpretação da Constituição demandar mais conhecimento do que os palpites todos que a democracia possa abrigar.

Assim é que continuo dizendo que a discussão jurídica, quando ganha cor política, se prostitui. Estando, hoje, absolutamente prostituído o tema, talvez fosse mais digno atacar o conhecimento jurídico deste Procurador não com a Constituição (que ele bem conhece), mas sim com a vontade pessoal de cada cidadão.

A democracia estaria respeitada, e o conhecimento jurídico deste Procurador a salvo do ataque político.


JOÃO DOS SANTOS GOMES FILHO (procurador jurídico da
Câmara Municipal de Londrina)



Richa se vai

A vida política do ex-governador José Richa, que nos deixa precocemente, é emblemática, com uma personalidade bem distante de muitos dos seus contemporâneos, encarnando o romantismo na política, pois os valores em que acreditava como bondade, sinceridade, reciprocidade, conciliação, democracia, segundo o seu método de vida, deveriam ser espontâneos e não resultado de uma ação deliberada (e por isso sofreu muito: traições, maquinações e ingratidões; e por fim o alijamento das funções públicas e uma vida derradeira, totalmente afastado delas, talvez vivendo um profundo ressentimento, justificável).

A verdade é, Richa foi dos políticos do seu tempo o que mais viveu os sentimentos românticos de Rousseau, do ponto de vista do exercício do poder, prevalecendo em suas ações a vontade geral do filósofo da Revolução Francesa (vide eleições diretas nas escolas estaduais).

A sua vida foi um firme exemplo de dedicação a certos valores, todos eles impregnados do princípio democrático e espontâneo. A social democracia no País, mais até que seus amigos íntimos e que os seus familiares, perde um dos seus expoentes. Que o seu exemplo de vida e de cidadão seja mantido de prontidão pela reflexão dos paranaenses, principalmente por aqueles que pretendem ingressar na vida política.


REINALDO SOARES DE SOUZA (ex-vereador) Arapongas

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