CARTAS
Violações dos direitos
Nos tempos de governo militar, eram censuradas as vozes que se levantavam contra o arbítrio e as torturas, práticas constantes do regime discricionário. Os tempos mudaram, mas a intolerância e a barbárie continuam, com o desrespeito às leis, aos direitos fundamentais. A velada anuência da opinião pública e a propaganda enganosa de alguns programas de mídia contribuem com este modelo de sub-desenvolvimento-sócio-desumano, apregoando a retaliação da violência com violência, a tortura nos cárceres e a pena de morte aos condenados.
O tira policial e o guarda prisional incorporam, não raro, o justiceiro com o aval da plebe raivosa e desvairada, quando se trata de punir um suposto delinquente. É o retrato sujo de uma civilização paranóica. A violação dos direitos humanos igualmente se dá na privação do direito ao desenvolvimento sustentável, ao meio ambiente sadio, à satisfação de necessidades básicas, em âmbito individual e coletivo.
Devem ser respeitados os direitos humanos dos encarcerados e de suas famílias; o direito das vítimas de serem assistidas e protegidas; o das testemunhas que necessitam de proteção por parte do Estado; o dos cidadãos que se vêem impedidos do acesso à Justiça em virtude de seus rendimentos e de tantos outros indivíduos e grupos sociais que precisam ser defendidos, suscitando para tanto um amplo debate.
Faz-se mister que as instituições e o serviço público estejam sempre presentes na luta pelo livre exercício da cidadania e em defesa dos ideais democráticos. É imprescindível uma política de direitos humanos, uma ecologia sustentável, que defenda e protejam o bicho homem em adiantado estado de depredação com a privação de seus direitos em meio ambiente aberto, ou torturados em flagrante e nas prisões.
MAURÍCIO RIBAS (advogado) - Curitiba
Vida sem lixo
A natureza, dizia o agrônomo e ambientalista José Lutzenberger, ''não produz lixo, porque os detritos e dejetos e os cadáveres de uns são o alimento e a matéria-prima de outros''.
Com este simples e até banal princípio, seria fácil evitar o lixo. É só tornar lei, para toda atividade humana, o biodegradável dentro da capacidade do ambiente natural de absorção e transformação. Uma lei fazendo com que cada um se responsabilizasse pelo fim de seu lixo. E que tivéssemos um prazo para nos adaptarmos a essa nova lei do biodegradável, estabelecendo uma data para o fim do lixo no mundo. Assim como na Alemanha que estabeleceu para o ano 2021 o fim das usinas nucleares em seu território.
Sem metas claras, na questão do lixo, ficamos à mercê de um próspero mercado de administração do lixo. Slogans sempre renovados de programas sobre diminuição, reciclagem e tratamento do lixo, criam necessidades a partir do desnecessário. Lixo significa política, empregos, tecnologias, desenvolvimento, qualidade de vida. Seria um caos o mundo sem lixo. Mas já não estamos vivendo um caos disfarçado?
Tecnologias para cuidar do lixo cada vez mais sofisticadas nos tranquilizam. Bastam as certificações ambientais, os pontos verdes ou os símbolos das flechas em círculo para nos sentirmos ecologicamente corretos, de consciência limpa e desimpedidos para continuar a produzir e consumir. Cultivamos a alegria da vida baseada em ter objetos, jogar fora o ''velho'' para poder ter sempre coisas novas. O lixo colocado como algo administrável faz com que não repensemos o estilo de vida do descartável, onde até as relações humanas se tornam descartáveis, e nisso que está o maior perigo!
Reagir, não significa voltar para a floresta e viver vida de índio ou se isolar numa ilha deserta. Reagir é reconhecer e conquistar espaço necessário à vida de todo o sistema. Procurar com criatividade, alegria e coragem construir uma vida sem lixo.
DANIEL STEIDLE (agricultor) - Rolândia





