CARTAS
Justiça e os poderosos
Refletindo sobre as palavras de um dos maiores filósofos da humanidade, Friedrich Nietzsche (''A justiça é a conveniência dos mais fortes''), conclui-se que só há justiça se for conveniente aos poderosos. As pessoas injustas são sorridentes, parecem felizes e despreocupadas. Cometeram injustiças, acham que não erraram e querem ir além de tudo isso. Ponderam que são invencíveis não foram punidas e são verdadeiros deuses que povoam este mundo. Neste universo vigora o autoritarismo do dinheiro, onde vige um rebanho de manipulação e o direito dos comuns não existe. São pessoas privilegiadas, economicamente, que amparadas por bons advogados e por detrás de todas as fachadas ''legais'' escapam da verdadeira justiça e vivem tranquilamente na impunidade.
Infelizmente a justiça é dos poderosos. Há descrença na Justiça e nos políticos. Não dá para entender tanta violência e corrupção. Cadê a lei? As CPIs dando em nada e quando há algum resultado mostrando o óbvio, poucos são condenados. Cadê o Judiciário para fazer cumprir a lei, impedir arbitrariedades, solucionar conflitos, enfim ajudar a Justiça? Quando se tenta cumprir a lei, forças maiores se sobrepõem.
Veja a situação em Londrina. Na administração passada sumiram milhões dos cofres municipais, evaporaram-se e rechearam as contas bancárias de alguns. O fato concreto é que o dinheiro sumiu e os suspeitos continuam livres, soltos e absurdamente podem voltar ao poder. Cidadãos londrinenses, pensem, olhem ao seu redor, vocês moldam esta grande cidade. Observem o que os vereadores, prefeito, deputados estaduais e federais, governador estão fazendo para Londrina? Quais os projetos concretos que estão sendo realizados para o povão?
A corrupção, a violência, o desemprego e a fome aumentam e a solução não seria prioridade? Sobem salários dos secretários do governo. E os professores e funcionários continuam com o salário congelado? Que justiça social é esta?
OSVALDO CARDOSO RIBEIRO (professor) - Londrina
Dinho na ABL
O movimento deflagrado em Londrina para indicação do escritor Domingos Pellegrini à cadeira nº 5 da Academia Brasileira de Letras (ABL) despertou simpatia e apoio da população de nossa região. A magnitude da obra de ''Dinho'' traz sobra ao argumento de defesa de seu nome frente a outros grandes escritores brasileiros. Um feito que, por si, levando-se em conta a grandiosidade da nossa literatura, já enche de orgulho as gerações criadas e vividas nesta ''Terra Vermelha'', aliás, título de um de seus últimos trabalhos.
A oportunidade nos põe a pensar, além disso, nas implicações culturais da literatura e da arte na formação intelectual e social do homem. Pois é na literatura que se criam os mitos e se fortalecem as tradições. É por meio da arte que as sociedades costuram as diversas linhas de conhecimento que antes se cruzavam sem se notar e compõem a própria cultura e cada sociedade.
Nesta senda, Domingos Pellegrini é, além de um grande escritor, o representante de uma cultura e de uma história, aquela forjada no pioneirismo da colonização do Norte do Paraná. A campanha pelo nome do Dinho é luta justa e que dá orgulho. Ao mesmo tempo em que prestigiamos um reconhecido escritor, ajudamos a divulgar o talento da gente da nossa Terra e a importância da literatura para o nosso país.
ELZA CORREIA (deputada estadual) - Curitiba
Londrina
Sou um londrinense comum e realmente estou amargurado. O que está acontecendo com a minha Londrina? Os turbilhões do crime organizado, que ousa a desafiar nossas frágeis estruturas governamentais. Um abandono total do nosso Executivo que, após quatro anos, inflama questões passadas, mas que nada fez para colocar a cidade no rumo certo! Que cidade é esta? Não sei direito explicar. Antigamente, havia um lugar chamado Londrina que era agraciado e ostentava orgulhosamente o nome de Capital Mundial do Café, ou a melhor cidade do Brasil para se viver. Hoje, posso afirmar que esse lugar passa ser reconhecido como ''cidade sem identidade'', ''sem data de nascimento''. Nossos poderes (político e a polícia) estão totalmente impotentes .
''Então enceno a esperança do que posso criar, um mundo vivo em torno de meus olhos mortais. Um triste paraíso é o que imito. E anjos caídos cujas asas perdidas são suspiros''. Isso está em ''Arte é ilusão, pois eu não ajo'', belo poema do americano Allen Ginsberg. Como esses versos, assim me vem esta semana, com um despertar ocre do sol nesta terra querida. Mais parece uma mancha nuclear se dissipando sobre a terra roxa. Gostaria que novamente Londrina estivesse ao meu lado, para juntos desfrutarmos as delícias e inquietudes deste mar de terra roxa. Feliz aniversário.
ANTONIO CARLOS BOSZCZOVSKI (operador e analista de mercado futuro) - Londrina
Corrida a seco
Londrina rumo aos 70 anos e a quarta prova pedestre esperaremos com água e sem amadorismo. O 69º aniversário de Londrina teve como parte das comemorações a terceira prova pedestre. A organização resolveu economizar na distribuição de água, muitos participantes ficaram sem o precioso líquido. Literalmente o 69º de Londrina foi uma sacanagem cometida pelos organizadores, que conseguiram fazer ecomonia de papel higiênico. Água é elemento vital à vida, principalmente, para um atleta que corre, trota ou anda 10 quilômetros sem água.
ROBERTO TEIXEIRA (empresário) - Londrina





