Ao mestre com desprezo
O grande fantasma do país, o terror das prefeituras com gastos em salas de aula, os cursos preparatórios para professores, o aprimoramento e exames de competência para os magistrados estão próximos do fim. Projeto do ministro da Educação, Cristóvão Buarque, irá resolver de vez o problema do analfabetismo no Brasil. Sabemos que somos um dos campeões em analfabetismo no mundo. Só em nosso município existem 23 mil analfabetos totais, sem falarmos no número de analfabetos funcionais.
Cursos de aprimoramento em método de alfabetização vêm sendo desenvolvidos pelo GEEMPA e proporcionados pela Secretaria Municipal de Educação com a finalidade de capacitar adequadamente os professores municipais, dedicados a extirpar o analfabetismo em nossa cidade. De repente, o ministro Cristóvão Buarque achou a fórmula rápida e barata para resolver o problema do analfabetismo: utilizar leigos, indivíduos com formação de ensino médio para alfabetizar o povo a um custo mínimo de R$ 90 por semestre com previsão de em seis meses alfabetizar o indivíduo.
Parabéns, ficará mais barato que o custo de um detento por dia na prisão. Caro ministro, não sei da sua experiência em Educação, mas não posso me calar perante tal proposta. Não posso pegar 20 anos de magistério e 15 anos de pedagogia e jogar no lixo. Não posso aceitar que inúmeros cursos de aperfeiçoamento nessa profissão venham ser substituídos por leigos. O remédio para o analfabetismo não se compra pronto, tem que ser muito bem manipulado e os ingredientes são carinho, dedicação, paciência, pesquisa e, principalmente, capacitação profissional. Alfabetizar é aprender e ensinar, é estar compromissado com o cidadão que já traz consigo o estigma da derrota. E isso não é profissão de bico para leigos.
A profissão de professor deve ser respeitada e valorizada, sem distorções mal-intencionadas politicamente. Os americanos imortalizaram e valorizaram o professor no filme ''Ao Mestre com Carinho'', passado nas décadas de 60 e 70. Hoje estamos presenciando outra produção ''Ao mestre com desprezo'', protagonizado pelo ministro da Educação e apoiado pela Secretaria Municipal de Educação.
KARIN DA COSTA SABEC (pedagoga) - Londrina

Democracia
Nossa democracia não funciona de maneira representativa. A pessoa por mim eleita deveria representar minha vontade, não é? Bem, não é isto o que acontece. Eu não passo de um voto. Do contrário, talvez, não tivesse sido aprovado o aumento dos ditos ''assessores'' do governador em 50% , não é?
Acho que vou largar a faculdade em que me preparo para ser um professor, profissão que está há 9 anos sem reajuste, e vou tentar carreira como assessor.
ANDERSON SOARES KONNO (assistente comercial) - Cambé

Giselle
Fui assistir ao espetáculo Giselle. Já havia ouvido críticas boas a respeito e fui conferir. E realmente é um esplendor. Quem não teve a oportunidade de vê-lo deveria ter a oportunidade de assisti-lo. Mas o que quero falar não é somente disso, mas sim do público. Acho que a cultura na cidade de Londrina vem crescendo graças a Deus. Não podemos comparar a cidade como a metrópole São Paulo com seus espetáculos grandiosos, mas estamos a caminho e isso que me orgulha sendo um cidadão londrinense.
Porém, o que me deixa meio que inquieto é a forma com que as pessoas vão ao teatro assistir aos espetáculos. Não sei mas acho que cada um deve se comportar como manda o ambiente e não foi isso que vi infelizmente. A platéia aplaudia o espetáculo de cinco em cinco minutos. O bailarino ou a então Giselle não podia dar um saldo ou rodopiar, que era motivo de euforia, e quando a música se finalizava então mais aplausos. Acho que isso não é característica de um bom espetáculo e, além do mais, tira a concentração dos bailarinos que estão dando o máximo ao espectador.
O público parecia tiete, gritava - meu filho olha que lindo! -, e aplausos. Quase que não se podia suspirar no palco que surgia um aplauso, coisa meio que chata. Acho que se queremos realmente respirar cultura devemos nos moldar ao padrão da mesma e aplaudir quando necessário, ou seja, ao final do espetáculo e em pé para merecimento e agradecimento.
RODRIGO SEMPREBOM (estudante) - Londrina

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