Pedágio e descaso

Os valores hoje praticados nas praças de pedágio do Paraná são reflexos de anos de inércia, ineficiência, descaso, desprezo e incompetência do governo do Estado. O Estado critica seu vizinho São Paulo, mas este é o que é graças à sua integração com o interior. O paulistano gosta e admira seu interior. Washington Luís dizia que o desenvolvimento é construir estradas ou qualquer coisa parecida. Hoje as estradas paulistas são invejáveis. Já o ''nosso'' Estado com sua Capital nos trata como o pessoal do Norte, os pés-vermelhos, o capiau do Norte.
Curitiba tem 300 e poucos anos e nós 69! Onde eles estavam estes anos todos? Do nosso dinheiro, o Estado/Capital gosta. Quem não se lembra dos comentários sobre a construção do Teatro Guaíra feito com dinheiro da cafeicultura no seu auge? O que nos deram em troca? Um lixo de uma estrada que liga a segunda maior cidade do Estado à Capital. É para manter distância!
BRs, BRs e mais BRs temos que agradecer ao governo federal que nos deu estrada asfaltada. Sem dinheiro para construir e manter? Para monumentos, museus, jardins e até pedreira sempre tem! Isenção de ICMS para construir fábricas na região metropolitana de Curitiba, sim! ICMS que o interior também paga! Claro! O sonho do Estado em se tornar industrializado passa primeiro pelo interior porque, se o Paraná é um Estado importante na Federação é graças ao seu interior que vem financiando suas obras há décadas!
ANTÔNIO SEVERO DE CASTRO JÚNIOR (advogado) - Londrina

Pedágio no Paraná
Tenho a nítida impressão que o governo perdeu e com ele perdemos nós. A emenda ficou pior que o soneto. O aumento do pedágio foi estabelecido de forma indireta. A empresa dona de 4 praças das quais apenas 3 estavam liberadas, baixou em 30%, mas colocou em funcionamento a quarta praça, logo um aumento de 33% e de quebra não precisa mais investir, apenas fazer a manutenção. Esta alternativa não resolve o problema constitucional o direito de ir e vir. O Estado do Paraná continua um fazendão onde você não entra ou não sai se não pagar. Isso não ocorreu no tempo das capitanias hereditárias e nem no tempo das ditaduras. Sei que é um problema arrumado pelo governo federal, mas com a complacência e a conivência dos governos estaduais, incluídos aí os seus três poderes. Mas se o Estado começar a passar sobre a Constituição e desrespeitar o cidadão por causa da questão econômica, entraremos em breve em um caos maior do que estamos vivendo. As questões do transporte, da segurança, da educação e saúde são de responsabilidade indelegáveis do Estado.
TARCÍSIO MARTINS (professor) - Londrina

Preconceito
Em pleno século XXI, onde a nossa lei maior, a Constituição Federal é apregoada aos quatro cantos do país, me deparo com tamanha insensatez por parte de um governante municipal. A Constituição Federal é clara já no seu preâmbulo ao assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, segurança. Em seu art. 5º é claro que ''todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza....'', ainda no inciso X diz que ''são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas...'', em seu inciso XV garante a ''livre locomoção em território nacional...''(é o direito de ir e vir).
São apenas alguns exemplos mostrando que o decreto do prefeito de Bocaiúva do Sul, além de ferir vários princípios constitucionais, demonstra a vasta ignorância à nossa carta magna. É deprimente tomar conhecimento que pessoas como o sr. Élcio Berti, tenha nas mãos a administração de uma cidade. Quais outros absurdos virão se este ato não for devidamente reprimido pelas autoridades competentes?
Caríssimo sr. prefeito, abuso de poder é crime e discriminação também, mas acredito que o senhor tenha conhecimento disso. Caso o senhor tenha uma Constituição em seu poder, leia o artigo 35 - inciso IV -, onde se fala da intervenção do Estado nos municípios para assegurar a observância de princípios indicadores na Constituição Federal, e temos que concordar o senhor não feriu os princípios da Constituição, o senhor os trucidou.
JORGE CUSTÓDIO FERREIRA (coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos-Regional Sul) - Londrina

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