As 292 cruzes
''Por quem os sinos dobram?'' ou ''por quem choram os cinamomos?'' Com certeza deve ser, dentre outros motivos não menos tristes, também pelas 292 cruzes à beira da PR-090. Eram duzentas e noventa e duas mães. Matronas renascentistas que proviam pássaros, animais, seres humanos e seres viventes transeuntes de qualquer idade. Quarenta anos, foi o tempo que essas jovens conseguiram viver. Talvez 1/3 de sua estimativa de vida. Mas morreram: duas de ''morte morrida'' (como diriam os mais antigos) e 290 ''de morte matada''.
A verdade é que as irmãs árvores, que moravam à beira da rodovia PR-090 (trecho Alvorada do Sul-Bela Vista do Paraíso) sabiam todas que duas delas estavam condenadas à morte. A seiva já não circulava mais em suas veias.
Porém, jamais imaginavam que o roxo, cor do sangue de seus filhos jambos, fosse também a cor de um pacto de morte. Não sabiam que quando duas delas morressem as outras 290 tombariam. Também não tinha como saber, porque não há lógica nisso tudo. Porque os ''jambolões'' sempre viveram mais que os ''paus-d'alhos''. E, por isso, nem nós, humanos, supúnhamos que tal agrura pudesse se suceder. É por elas que choram os cinamomos e os humanos de coração bom, pelas duzentas e noventa árvores de jambolões que foram mortas, indiscriminadamente, à beira da rodovia.
Não há alento que nos permita pensar que, apenas lamentando-nos, que apenas esse sentimento nosso, justifique esta agressão às matronas ''jambolões''. Que a madeira, o lenho delas, possa servir, (quem sabe) para a confecção de 292 cruzes. Porque se ali elas não forem colocadas, não tardará para que esqueçamo-nos de nossos queridos jambolões.
ROSIMEIRE APARECIDA ASSUNÇÃO ZAMBOLIN (armazenista) - Alvorada do Sul

Praça Floriano
Depois do desfavelamento da Praça Marechal Floriano, a Prefeitura de Londrina vai agora restaurá-la. É obra de fôlego, pois o atual piso será todo trocado e, com certeza, os canteiros e a iluminação também serão melhorados. Na página 141 do livro ''Londres Londrina'', de José Jofily, há uma fotografia antiga dessa praça com a legenda: ''Londrina: a principal praça reproduz a bandeira inglesa.'' É visível na fotografia o amplo espaço livre que foi destinado ao altar da Bandeira, cujo mastro está cravado num vistoso pedestal de pedra escura.
Já que o trabalho será imenso, parece-me que seria oportuno substituir as escadas internas por rampas nas ruelas que dão acesso ao altar da Bandeira e nas que dão acesso às esquinas da Travessa Padre Eugênio Herter (ao lado da Catedral) com as avenidas Rio de Janeiro e São Paulo. A substituição das escadas por rampas facilitaria a passagem de pedestres com alguma deficiência ou com carrinho de criança, além de proteger ainda mais os canteiros, que ficariam, por causa das rampas, um tanto mais elevados.
Outra providência que certamente não ficará esquecida é a volta daquela iluminação que a Folha de Londrina publicou anos e anos atrás, mostrando uma pessoa lendo jornal à noite na Praça Marechal Floriano Peixoto. E mais um reparo: é preciso não nos esquecermos de que o nome é Praça Marechal Floriano Peixoto e não Praça da Bandeira.
REINALDO MATHIAS FERREIRA (professor aposentado) - Londrina

Cidadão de Londrina
Desde a primeira vez que aqui pisei, em Londrina, nos idos de 1978 tive a curiosa sensação de já conhecer a cidade, seus recantos, seus personagens: tudo me parecia familiar, como se aqui já tivesse vivido. A cidade apresentava aquela atmosfera de um misto de efervescência e de pujança que logo encantou-me. As pessoas de pronto demonstraram companheirismo, afabilidade, amizade e grande interesse pela música! Assim é que posso dizer: foi um caso de amor à primeira vista com esta cidade!
De fato, aqui encontrei amigos e colegas que já trabalhavam na área musical, como a prof. Walquirya Ferraz e o maestro Benvenuto. Rapidamente, percebi que o campo era extremamente propício para as artes e que seria possível lançar sementes, vislumbrando um importante desenvolvimento artístico para esta cidade. Logo, tive a idéia de criar um Festival de Música que poderia transformar Londrina em pólo de Cultura.
Desde aquele momento persegui este objetivo até que foi possível convencer o secretário Luis Roberto Soares, que assumira a então a Secretaria de Cultura do Estado do Paraná, recém-criada na gestão de Ney Braga. Fazendo esta retrospectiva, vejo que de lá para cá o sonho tornou-se realidade e tantos fatos ocorreram nestes 25 anos. Além dos conservatórios, foram criados vários conjuntos de música, coros e até uma Orquestra Sinfônica na UEL, que também implantou a licenciatura em Música proporcionando novas oportunidades. Posso afirmar com segurança: Londrina verdadeiramente valoriza a arte, além de ser uma cidade extremamente hospitaleira, que sabe receber bem e cativar todas as pessoas que aqui aportam.
Nestes anos, tive o privilégio de aqui fazer excelentes amigos nas mais diversas áreas - pessoas que respeito e admiro profundamente. Este é um momento extremamente significativo para mim: receber o título de cidadão honorário de Londrina, é uma honra e um orgulho muito grande! Tenham todos a certeza de que farei, todo o possível para preservar os valores que levaram esta Casa a conceder-me este título, e recebam de mim o compromisso ético de sempre honrar esta cidadania.
NORTON MOROZOWICZ (maestro) - Londrina

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