CARTAS
UTI superlotada
Realmente tenho que concordar com o leitor da Folha de Londrina que disse há alguns dias, neste espaço, que não é mais do que obrigação do prefeito cuidar da nossa cidade, que isso não é mérito nenhum e que muito dinheiro poderia ser poupado na campanha ''Maluquinho por Londrina''. Na edição do dia 14/11 da Folha, na primeira página do Caderno Cidade, aparece a seguinte reportagem: ''UTI Neonatal Superlotada'' e logo abaixo uma propaganda onde o Menino Maluquinho fala sobre o fato de ser ''Maluquinho por Londrina'', uma contradição entre realidade e propaganda.
Na época da contaminação bacteriana na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitáro (HU) foi avisado pelo diretor do hospital que uma nova lotação poderia causar outro surto de contaminação. Como posso ser ''Maluquinha por Londrina'' se infelizmente os hospitais e postos de saúde da nossa cidade estão largados à mingua? Se crianças recém-nascidas estão correndo o risco de serem contaminadas por bactérias num lugar onde deveria recuperá-las? Enquanto necessidades básicas como a saúde não recebem os recursos necessários, posso dizer que estou ''Maluquinha por morar em Londrina'' (insatisfação) em vez de ''Maluquinha por Londrina'' (satisfação).
JOSIANE RODRIGUES (assistente financeira) - Londrina
Inflação
Em matéria veiculada dia 14 de novembro na ''Folha Economia'', sob o título ''Varejo vende menos e aumenta o preço'', notamos uma questão que nos intriga profundamente. Refiro-me, neste ''nós'', àqueles que não são economistas, contudo com uma capacidade leiga de compreensão, procuram compreender os posicionamentos emitidos por tais técnicos. Somos frequentemente bombardeados por uma verdadeira paranóia que vincula ao aumento do volume de vendas o nosso antigo tabu inflacionário. Quedamo-nos perplexos ao vermos as grandes manobras efetuadas para manterem-se elevadas as taxas de juro, remédio amargo, que contém o consumo mas doma nosso maior temor.
E ao deparar com tal reportagem, esta descreve uma ocorrência em sentido exatamente oposto: com a diminuição das vendas os comerciantes viram-se impelidos a elevarem seus preços para manter suas margens de lucro. Plenamente compreensível. Plenamente paradoxal. Não bastasse tal incoerência, há ainda algo de bizarro: os maiores preços incidem exatamente sobre os gêneros de primeira necessidade (de difícil substituição, é o termo). Tal fato constitui verdadeira coroação de um efeito regressivo, incidindo de forma desigual, onerando tais gêneros.
Seria o aumento de preços fato inevitável, asssim o aumento do volume de vendas pouco importaria? Existem outros fatores determinantes que pudessem ter influído no presente caso? Se existem, qual o verdadeiro peso do volume de comércio na temida inflação? Ou será que a inflação tornou-se em nosso imaginário um gigante tão temido e poderoso?
CARLOS GUSTAVO URQUIZA SCARAZZATO (estudante) - Londrina
Veto covarde
Depois de uma viagem marcada por muitas gafes, doações, promessas de integrar o continente africano com os países quebrados do Mercosul, o presidente Lula vive um inferno astral. Seus ministros não conseguem dizer por que vieram e o que fazem. E o que é pior, o da Previdência resolveu bloquear as aposentadorias dos idosos. Mas o pior mesmo foi o que ocorreu na terça-feira (11/11): o presidente vetou os recursos que seriam utilizados no Orçamento de 2004 destinados às Apaes pelo Fundef, verba que em 2002 foi aprovada no Congresso por unanimidade.
As Apaes e escolas especiais de todo Brasil cuidam aproximadamente de 260 mil entre crianças, jovens e adultos. Elas recuperam e capacitam as crianças acometidas por necessidades especiais. Com uma só canetada, Lula, que teve muitos votos dessas pessoas, vetou integralmente no Diário Oficial da União os recursos propostos. Será que esses recursos serão também transferidos para os agiotas internacionais para pagamento das dívidas?
JOSÉ PEDRO NAISSER (humanista) - Curitiba
Menores criminosos
A sociedade não pode silenciar e se omitir perante os menores que estão perpetrando crimes hediondos neste País. Sem essa de falar que menor não sabe o que é crime ou infração: tanto sabe que comete até com mais crueldade do que muitos adultos. Menor de idade que faz coisa errada, principalmente crime, merece toda punição inerente ao ato. E que se danem, e vão às favas, os afetadinhos de sempre, com toda aquela ladainha perversa de justificativas, para salvar a pele dos menores infratores.
Logo após a divulgação do assassinato brutal e covarde de um casal de jovens em São Paulo, o deputado Jair Bolsonaro estava defendendo a revisão da Constituição, para que se possa efetivamente enquadrar os menores criminosos dentro da lei, e a deputada Maria do Rosário (PT-RS), com toda a hipocrisia e falta de responsabilidade cívica, contrária ao enquadramento, saiu em discussão amarga com o colega de Câmara Federal, numa histeria tão trágica quanto cômica. Ainda saiu chorando depois, posando de coitadinha e de ofendidinha.
Nossas famílias, nossos idosos, nossos jovens e nossas crianças são muito mais preciosos do que a arrogância destes parlamentares e políticos que, à semelhança de Pilatos, gostam de lavar as mãos nas questões fundamentais da sociedade brasileira.
RENZO SANSONI (médico) - Uberlândia (MG)





