Basta!
O que me leva a escrever esta carta é o desejo de manifestar minha indignação com a violência em Londrina. A tanto não me atreveria não fosse o patamar insustentável. A frase ''mataram mais um em Londrina'', que a princípio provocaria pavor, já não causa espanto. Estamos meio que anestesiados, até já nos acostumamos com isso. E apesar de não sintonizar com a realidade, vale para nós a premissa de que como em sua maioria os jovens que morrem assassinados estão envolvidos com drogas, não há nenhum problema. Não podemos negar, por óbvio, que a princípio isso até faça algum sentido, numa população carente de esperança. E, até, que a morte de alguns envolvidos nos pareça justo, já que estavam envolvidos com algo errado mesmo. Porém, é inegável que todo este processo é preocupante.
Da mesma forma que a violência está insuportável, e algo deve ser feito, não podemos fazer o papel de Deus e decidir quem é certo mandar pro céu ou pro inferno. Outro dia li que estamos para perder o ''posto'' de terceira cidade do Sul do País. E li também que, proporcionalmente, somos a terceira cidade mais violenta do País. É isso mesmo: terceira do País. Se continuarmos assim, o primeiro posto continua ameaçado. O segundo, porém, é garantia de briga boa pelo segundo lugar. Uma pena! O problema é que percebo agora, escrevendo, como me sinto quando dou conselhos a meu filho Renan, de 12 anos: parece que estou falando com as paredes. Mas algo deve ser feito. Não sei se pelo prefeito, pelos vereadores, pelo governador, por mim ou por você que está lendo esta coluna. O que não dá é para continuar como está. Eu quero fazer a minha parte.
MARCOS MARQUES (analista de marketing) - Londrina

Exploração de animais
Fico feliz quando alguém se levanta contra a exploração de animais em circo como o leitor Célio Borba protestou na seção de cartas da Folha, no último dia 3. Sou neto de espanhóis e gostaria muito de conhecer Espanha, a Europa e todo o Brasil. Mas, consciente, jamais iria numa tourada sangrenta, farra do boi, vaquejadas do Ceará e outras tradições onde os animais inocentes se confrontam com a ignorância humama. O mesmo nos entristece, em pleno século 21, nas ruas do País o uso de carroças e animais maltratados, magros, chicoteados e com feridas nas costas.
Em Apucarana há bons exemplos de cuidados com os animais. Na praça central, o ex-prefeito José Domingos Scarpelini grifou em uma placa de bronze: ''Mais vale um pássaro voando do que dois na mão''. Alunos da Escola Municipal José de Alencar recolhem gaiolas, alçapões, arapucas e estilingues. Alfeu Pires, defensor dos animais de estimação, chama atenção dos proprietários de cachorros amarrados e enjaulados e sob o sol, chuva, frio e calor, em péssimas condições de higiene, sem água e alimentação adequada.
OSMAEL CHIAVELLI PUGA (comerciante) - Apucarana

Onde está o líder?
Para aqueles que ainda não sabem como funciona o consenso de Washington é o seguinte: os ricos do G-7 negociam com os países pobres via presidentes e ministros, suas riquezas, sua soberania, suas estatais lucrativas como sistema elétrico, petroquímico, telefônico e geradoras de energia. Todos os serviços são privatizados em favor das grandes transnacionais que se instalam nos países pobres como geradoras de emprego e renda.
Vejamos o caso da Bolívia. Seu povo, na sua maioria pobres inclusive os indígenas, já virou refém dos poderosos. Mas diferente daqui, lá eles não entregam mesmo que lhes custe a vida de mais de 60 pessoas como aconteceu, e não deixam exportarem o gás natural a preço de banana. O presidente Lula que no início se elegeu como um líder para a AL, agora para não contrariar os EUA, deixa na mão o país-irmão e disse à imprensa que não pode fazer nada. Será que se fosse com o Hugo Chaves ou o Fidel Castro, já não teriam enviado dinheiro do BNDS e navios de gasolina.
Líder é aquele que está ao lado do fraco em todos os momentos nem que seja para enfrentar o poderoso ou o hegemônico. Agora se esfacela mais ainda o G-20 dos pobres, com o pires na mão para os EUA. Se nos vangloriamos que trucamos eles em Cancún, como disse o presidente, e não abaixamos a cabeça, tomara que não tenham que entregar as calças na negociação da Alca.
JOSÉ PEDRO NAISSER (ambientalista) - Curitiba

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