CARTAS
Hino nacional
Pareceu-me um tanto equivocada a idéia de que um Hino Nacional deva seguir as mudanças da sociedade de tempos em tempos, como sugeriu um ilustre leitor da Folha. O Hino Nacional representa o País, uma história, uma cultura. Concordamos que a melodia é bonita, mas discordamos em adotar um sentido literal à letra do nosso hino, que é grande parte metafórico, ao fazer uso de figuras de linguagem como, ''deitado eternamente em berço esplêndido'', não nos parece ser um apanágio à ociosidade, mas uma alegoria ao País maravilhoso que temos, à natureza exuberante, nossas riquezas, e por aí vai. Pois, do contrário, seríamos obrigados a admitir que ''em teus risonhos lindos campos têm mais flores'', refere-se aos campos às gargalhadas, ou algo parecido.
Portanto, o que falta ao Brasil é justamente preservar seu patrimônio, sua história, sua cultura, o que enriqueceria sua educação. Se a grande maioria da população não conhece a letra do Hino Nacional, a culpa não é da letra, mas da falta de cultura que temos, porque, apesar de longa, tendo um pouco de boa vontade, qualquer pessoa sem muito esforço pode decorar a letra. Parece que admitir o contrário é justamente incentivar, aí sim, o marasmo, a ociosidade, a verdadeira preguiça mental, por uma reles dificuldade em decorar um página escrita de uma letra maravilhosa e um hino lindíssimo. Pena que as dificuldades do Brasil não se resumem em decorar o Hino Nacional.
MARIA SUELI RODRIGUES GIMENEZ (advogada) - Marumbi
CPI do Banestado
O povo brasileiro, e em particular os paranaenses, assiste indignado mais um episódio do descaso com o dinheiro e o patrimônio público. A CPI sobre a venda do Banestado foi instaurada para apurar as razões pelas quais o banco foi entregue a preço de ''banana'' para a iniciativa privada pelo então, no meu ponto de vista, pior governador da história do Paraná e vem sendo tratada com total descaso por parte de pessoas envolvidas na venda de nosso banco. Para mim, a coisa já virou piada, está parecendo circo. Só faltam os narizes de palhaços. A platéia está assistindo ao grande espetáculo, mas não está vendo graça alguma. Os envolvidos são convocados, deixam de comparecer, esquivam-se, dão desculpas um tanto quanto esfarrapadas. Alegam isso, aquilo, fogem daqui e dali. Mas por que será? Diz o ditado ''Quem não deve não teme'' e se temem, certamente, devem. Acho que a CPI deve ir ao fundo do poço e punir os responsáveis pela entrega do banco e os que foram beneficiados às custas do povo paranaense. A população do Paraná conta com esta CPI e os que não querem comparecer, na minha opinião, já são confessos.
EDJAN BALDO DE CARVALHO (auxiliar administrativo) - Maringá
Bom dia a cavalo
''Quem muito fala dá bom dia a cavalo''. Pois é parece que o governador do Estado esqueceu o velho adágio popular. Falou ou ''baixa ou acaba'' (sic). Nem baixou, nem acabou, pelo contrário vai até aumentar. Falou o que não devia, esbravejou em campanha. E agora José, como é que fica? Eu penso que fica do mesmo jeito, não é mesmo? O velho imbróglio, promessa ao vento. Quem muito fala acaba dando bom dia a cavalo.
DAVI MIRANDA (funcionário público) - Londrina
Transgenia
Não consigo entender como a transgenia pode perturbar tanto a natureza na altura de acontecimentos muito mais graves como o efeito estufa - resultado do aquecimento de um grau centígrado da superfície do nosso agora tão combalido planeta pelo desmatamento indiscriminado de nossas florestas - que leva a evaporação acelerada da água e da vegetação protetora do solo. O grande mar interior da Rússia, o Mar de Aral, está secando, os eternos gelos polares estão derretendo e a água de nossos oceanos aumentando seus níveis a ponto de ameaçar grandes extensões submergindo ilhas habitadas no Oceano Pacífico, incêndios em nossas florestas (caso recente da Califórnia, de Minas Gerais, da Floresta da Tijuca, da Ilha Grande, Rio Paraná etc.).
Enquanto isso, a opinião publica é desviada pelo noticiário a analisar os efeitos imediatos da soja transgênica na crescente produção agrícola. Medidas drásticas baseadas numa hipotética ação deletéria de soja modificada por transgenia, que embaraçam o livre trânsito de nossas cargas para nossos portos, com medidas burocráticas que trazem prejuízos e desânimo para a agricultura. Os fatores do atual superávit da nossa balança comercial (exportação x importação) são os agricultores indiscutivelmente. Estas criaturas destemidas contribuem com trabalho, inteligência e know how amparados apenas no seu interesse maior que é o de aumentar a produtividade, servindo o país e participar do benefício coletivo resultante.
JOÃO DIAS AYRES (médico) - Londrina





