CARTAS
Remédios proibidos
É uma situação que realmente traz uma enorme vergonha em ser brasileiro, esta que a Folha abordou na edição de quarta-feira, quanto à absurda proibição de manipulação de 21 medicamentos. E praticamente todos de uso contínuo e prolongado por uma resolução do Ministério da Saúde, que há mais de mês, traz prejuízos enormes e contínuos a todos os que necessitam deles. No meu caso particular, os que sofrem de epilepsia. Estes pacientes, em sua esmagadora maioria, são pessoas pobres e que têm obrigação de tomar continuamente remédios. A possibilidade do poder manipulá-los foi uma benção infinita para todos já que os preços são muitíssimo menores, o modo de prescrever infinitamente mais adequado ao que o médico deseja, personalizando o tratamento, e em quantidades que nada têm a ver com as embalagens comerciais.
Acho muito próximo de um crime de sonegação de remédios uma mera resolução que acabou atingindo milhões de pacientes, claramente em direto lucro para embalagens comerciais, onde aliás, a qualidade por vezes pode ser discutível, particularmente na área dos genéricos. Vou enviar esta carta ao Lula, que é sensível a coisas de pobre, o que nem sempre ocorre neste triste nebuloso ambiente de laboratórios, onde a fome de lucros é pior que um leão com três fieiras de dentes. Proibir centenas de farmácias que manipulam e prejudicar financeiramente milhões de brasileiros, por um caso isolado, é no mínimo um insulto a uma classe honrada e diplomada por nossas faculdades.
LINCOLN BRASIL E SILVA (médico) - Londrina
Crackers x hackers
Lendo a edição de ontem Folha de Londrina, na página 8, ''PF prende acusados de desviar dinheiro'', constatei que nesta reportagem estão usando erroneamente o codnome ''hackers''. No referido caso quem faz toda esta coisa suja são os ''crackers'', e o nome correto dos programas utilizados para fazer este tipo de imoralidade é ''Trojan'' e não ''Projam'', como cita a matéria. A nossa segurança na era digital está muito além de instalarmos os mais sofisticados programas antivírus em nossos computadores. Muitas pessoas se sentem seguras simplesmente porque possuem antivírus. A maior ameaça virtual são os Trojans, Worm, Sniffer e outros tipos de pragas virtuais. São ameaças que os antivírus não podem localizar.
VALTER C. DE OLIVEIRA (técnico em segurança virtual) - Londrina
Zona Azul
Gostaria de agradecer ao excelente trabalho da Zona Azul. Dias desses, estava com minha filha no carrinho num banco do centro para utilizar o caixa eletrônico. Tinha alguns meninos da Zona Azul na minha frente, quando um deles gentilmente deixou-me passar à sua frente. Outro dia estava andando na Rua Sergipe em direção à Av. Higienópolis e a calçada estava com aquela trilha que a Sanepar faz no meio e com muita dificuldade eu equilibrava o carrinho com a minha filha, quando o menino da Zona Azul ofereceu-se para ajudar a levar o carrinho até a esquina. Parabéns e obrigada ao pessoal da Zona Azul por ensinar a esses meninos serem bons cidadãos.
LUCIANA NUKI (técnica contábil) - Londrina
Raquel de Queiroz
Raquel de Queiroz deixa o mundo dos vivos para a eternidade com a alma em paz. Lembro-me das suas crônicas em colunas de jornais importantes do País. Numa delas Raquel, morando na ilha de Paquetá no Rio de Janeiro, revela bem suas preocupações com a belíssima natureza da ilha, emoldurada de flamboyants, mas ainda com sérios problemas de saúde pública.
Num dos seus artigos (disputados em destaque nos jornais da época) anos 40, relata Raquel: Paquetá era atrativo turístico na época, dos mais importantes para estrangeiros, principalmente norte-americanos e europeus, que vinham no afã de admirar paisagens tropicais e seus habitantes alados, sabiás, canários, pintassilgos e outros. Numa das ocasiões em que acompanhava turistas, quando esperava ouvir elogios à agreste e bela natureza da ilha, surpreendeu-se com uma pergunta de um grupo que percorria a belíssima ilha: madame Raquel, deve haver muitas doenças aqui?
Por quê?, disse ela, surprendida com a pergunta. I'm sorry, mas no percurso que fizemos, contei um número muito grande de farmácias. A pergunta foi inesperada para a anfitriã. Esperava que o interlocutor fosse manifestar sua admiração pelo portentoso espetáculo da exuberante e luxuriosa beleza da ilha.
Assim é nosso querido Brasil, País de grandes contrastes, ao lado de tanta riqueza e beleza natural, miséria que surge aqui ou acolá, aos olhos de quem sabe observar. Padecemos de uma doença crônica, de fácil erradicação, bastando apenas que nossos governos atentem mais para objetivar de imediato providências em saneamento básico e em educação sanitária, além de urgentes providências no combate ao analfabetismo, inclusive o funcional.
A escritora e jornalista Raquel de Queiroz possuía esta sensibilidade que a colocava ao nível de um Josué de Castro, de um Gilberto Freire, mas em linguagem clara e sintética demonstrava sua preocupação com a qualidade de vida da nossa população carente.
JOÃO DIAS AYRES (médico) - Londrina





