A pancada da Cofins
Sou adepto daqueles que advogam a tese de que contra os números não existem argumentações, afinal trata-se de uma ciência exata. Pois bem! O governo Lula editou a Medida Provisória nº 135, instituindo a não-cumulatividade da Cofins. Argumentação? As benesses de um tributo que não mais incidirá em cascata.
Analisando o passado recentíssimo, vimos com temor as mudanças efetuadas na cobrança do PIS, o qual, passando de uma alíquota de 0,65% para 1,65%, representou, para 90% das empresas nacionais, um aumento insuportável da carga tributária. Explica-se. O creditamento permitido legalmente para se chegar ao efeito não-cumulativo simplesmente não possibilita ao empresário uma redução do percentual de seu faturamento a ser pago como tributo.
Vejamos o caso das prestadoras de serviço. O ''grosso'' de seu custo, a mão-de-obra, não pode ser creditada, o que eleva a contribuição para o PIS a patamares entre 1,25% a 1,5% sobre o faturamento, contra o antigo percentual de 0,65%. Com a Cofins, estudos preliminares indicam que a carga passará dos atuais 3% para inimagináveis 6,5% do faturamento(!), já com todos os abatimentos. Vê-se, no caso das prestadoras, que a soma dos tributos que incidem diretamente sobre o ganho mensal, passará de 3,65% para algo em torno de 8% sobre o faturamento.
Quem pagará a conta? Ora, você, caro leitor. Dói na alma pensar que todas as mudanças empreendidas pelo governo não levam em conta as opiniões da classe produtiva, dos empresários, tributaristas e contadores. Certamente homens como o sr. Antônio Ermírio de Moraes incandescem diante de tal afronta. O desafio está lançado, publicamente. Àquele que provar que as reformas efetuadas diminuirão a carga tributária, como alardeado pelo sr. Mercadante, faço-me calar. Porém, dou uma dica. A não-cumulatividade do PIS fez saltar sua arrecadação em 46%. Certo, só um fato. Com reformas assim, caminhamos a largos passos para mais uma injeção de pessimismo na economia.
FERNANDO PASCHOAL LOPES (advogado) - Londrina

Corrupção
O presidente da República tem se gabado das reformas realizadas, inclusive ''alfinetando'' antecessores. Particularmente, gostaríamos que Lula se empenhasse na concretização de pelos menos mais duas: a reforma política que contemplasse, voto distrital, fidelidade partidária, e financiamento, claramente, público de campanhas; e a do Judiciário, com controle externo que permitisse que alguns de seus membros se convencessem que não são ''deuses'' (férias de 30 dias, cumprimento de horários de trabalho, participação efetiva em todas as sentenças, etc.).
Assim estaríamos dando um passo importante no combate à ''chaga'' da corrupção via campanhas políticas e em de órgãos como polícia, Receita e no próprio Judiciário (venda de sentenças, prevaricação, etc). A propósito de corrupção: será que muitos dos que se acham honestos, de certa forma, não a fomentam?
VALCIR JOSÉ MARTINS (bancário) - Maringá

Porteira aberta
Conta o folclore local que certa vez uma artista de fama nacional veio a Londrina fazer um show. Atendendo convites da mídia local esteve num programa de televisão. Na entrevista foi perguntado o que tinha achado de Londrina. A descolada artista, acostumada com as metrópoles nacionais e megalópolis do mundo, respondeu carinhosamente, tendo em vista a tranquilidade local: ''...parece um fazendão iluminado!'' Ofendeu os londrinenses no seu brio, contam as testemunhas dessa pérola.
Ano que vem comemoro 10 anos de Londrina, se bem que estive um tempo fora, mas com fortes vínculos nesse período. Não sei exatamente por que troquei uma cidade com status de cidade de primeiro mundo pela nossa querida Londrina. Nesse tempo que moro aqui, nunca vi o centro da cidade tão malcuidado. Parece um fazendão sem porteira. Já escrevi mais de uma vez sobre o descaso com o Zerão e o Lago Igapó 1. Agora constato, mais uma vez, o estado lamentável. No lago, as lixeiras estão arrebentadas, as luminárias quebradas, as lâmpadas queimadas ou acesas durante o dia, os postinhos caindo (vi um deles num ângulo de 45 graus, isso não é posição decente para um poste) e muita sujeira.
Reconheçamos os méritos quando, por exemplo, é dia de lavar o fétido anfiteatro do Zerão. Funcionários, com máscara por causa do cheiro insuportável, lavaram e deixaram as portas bem abertas para secar. O local é lar da população de rua, que cresce a olhos vistos. O anfiteatro, o banheiro e o Moringão são ocupados por garotos e garotas que escolheram a rua para viver.
A morosidade para apresentar respostas aos problemas intriga. A das obras também. Lembram quanto tempo levou para as obras do Igapó 2 ficarem prontas? Quase dois anos. As obras do Calçadão se arrastam e as da praça dos artesãos estão paradas. Dia desses ainda vi uma gravura do futuro lago da Zona Norte num gabinete do Legislativo. No ritmo das obras, a administração vai precisar de muito tempo para construir o tal lago. Se cuidar de um que já está pronto é difícil, imaginem construir outro?
BETO WOICIKIEVIZ (consultor de etiqueta) - Londrina

Correção
- A foto publicada na página 3 da Folha Esporte de ontem é do carro de Chico Serra e não do paranaense Davi Muffato.

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