CARTAS
Educação e capitalismo
Acabou-se o mês de outubro e distancia-se o Dia do Professor. Por esta razão diminuíram, especialmente pelos jornais, a frequência dos elogios e também das críticas a esse profissional. Numa análise de muito do que foi escrito e falado nesse período que passou pode-se observar o grande conflito em que está mergulhada a educação. De um lado, projetos e propostas com participação governamental e voluntária motivam o professor a continuar sua luta na construção da humanidade cidadã. De outro, as promessas que não saem da retórica vão deixando marcas profundas e aparentemente generalizando o caos educacional. Creio ser fundamental que o professor tenha plena consciência deste contexto, pois, assim, saberá determinar objetivos e extrair forças e motivação para desenvolver seu trabalho com alegria e qualidade necessária.
Pode-se observar também um discurso capitalista infiltrado nas instituições educacionais. Algumas pessoas usaram os veículos de comunicação para manifestarem repúdio à semana do ''saco cheio'', alegando que essa prática causa o ''barateamento'' da educação. Concordo plenamente que ninguém, nem professor e nem aluno, poderia dizer que está de ''saco cheio'' de ensinar ou aprender. Aprender é um direito sagrado de todos e deve ser usufruído amplamente. Ensinar, neste caso, é um dever, pois os professores recebem salários para isso. O que achei interessante foi a maneira esperta de usarem a ''manifestação de repúdio'' para dizer que sua escola é melhor que as outras, numa tentativa de conquistar outras matrículas. São os artifícios da propaganda. É o capitalismo mostrando sua cara.
LUIZ GONZAGA DE MELO (professor) - Ibaiti
Cobradores desempregados
A Câmara de Vereadores aprovou o projeto de lei do Executivo pela abertura de concorrência no setor de Transporte Coletivo de Londrina. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina, João Batista da Silva, a catraca eletrônica vai contribuir para a melhoria do sistema, mas deixa claro que os 600 cobradores do município estão, como ele mesmo disse, em pânico. E ele pergunta: como ficarão esses trabalhadores quando forem substituídos por máquinas? Mas, segundo o presidente da CMTU, Wilson Sella, não haverá redução desses funcionários. A bilhetagem eletrônica vai permitir redução nos custos e modelos diferentes para cada linha. Ele acrescenta que motoristas e cobradores de Londrina têm o melhor salário da categoria no País, o que representa 54% do custo do transporte em Londrina.
Minhas perguntas são as seguintes: são os motoristas e cobradores de Londrina que ganham acima da categoria ou são os motoristas das outras cidades que ganham abaixo do que deveriam ganhar? Ou seja, se todos os outros motoristas e cobradores ganham um salário onde é impossível sobreviver, o mesmo deve ocorrer com os profissionais de Londrina? Não deveria ser o contrário ? As empresas de outras cidades aumentarem os salários dos seus funcionários?
E quanto ao sindicato dessa categoria, a função dele nesse momento não seria defender e lutar pelos direitos dos funcionários? Como pode esse sindicato acreditar que catracas eletrônicas poderiam contribuir para melhoria do sistema? Ver cobradores e motoristas em pânico não basta para negar essa opinião? Será que qualquer medida que ameace a empregabilidade de pessoas e o crescimento das estatísticas de desempregados em Londrina não deve ser muito bem pensada e, acima de tudo, levada em conta a opinião e o futuro aos que mais interessam as novas medidas?
Infelizmente, vereadores, prefeito, sindicato e presidente da CMTU estão todos do mesmo lado: o lado daqueles que não dependem de um emprego e de um salário para sobreviver.
JOSIANE RODRIGUES (assistente financeira) - Londrina
Melhorias na praça
A praça Nishinomya foi o baluarte na concretização do convênio de cidades co-irmãs e construída como marco de amizade entre as cidades de Londrina e Nishinomya, no Japão. Como frequentador assíduo do local, onde pratico caminhadas como tantas outras pessoas e como um mero observador, acredito que poderiam ser adotadas algumas benfeitorias para melhoria da praça: aumento na largura da calçada, que é muito estreita, colocação de luminárias, principalmente na parte do fundo da praça, que é mal iluminada, construção de um playground, mesas de xadrez e trilha, coreto para apresentação de shows.
Há em toda a extensão da praça, publicidade da Sercomtel, que diga-se de passagem, não faz nenhuma benfeitoria no local. A comunidade já perdeu com a derrubada da praça Bartolomeu de Gusmão, que ficava em frente ao aeroporto e foi incorporada à área da Infraero para dar lugar a um estacionamento particular. Guardo até hoje matéria publicada no dia 3 de junho de 1997, Caderno Folha Cidade, onde constam promessas do então secretário de Obras, José Righi de Oliveira, que iria encaminhar ao prefeito da época anteprojeto para unir e melhorar as duas praças em frente ao aeroporto. Ficamos como sempre nas promessas. Gostaria de convocar os ''amigos da Praça Nishinomya'', a fazermos um novo tempo, presente e futuro, deixando o passado apenas como lição, antes que também venham derrubar a praça.
CARLOS ALBERTO SIQUEIRA (funcionário público) - Londrina





