CARTAS
Maluquinho curitibano
Foi lançada pela Prefeitura de Londrina neste mês a Campanha Maluquinho por Londrina. Foi uma ótima idéia, afinal os lagos Igapó, mesmo com tanto trabalho de limpeza e revitalização, continuam sendo poluídos pelos londrinenses, estudantes que aqui residem e até mesmo turistas. Ocorre que, mesmo nos países mais desenvolvidos do mundo, sempre haverá pessoas sem esta consciência que se torna cada vez mais indispensável no que tange à natureza. Temos aqui várias universidades, o que a torna a cidade em constante transformação. Existem também os mais variados ramos profissionais, inclusive, inúmeras e capacitadas agências de publicidade.
No entanto, a Prefeitura de Londrina decidiu contratar uma empresa de publicidade da capital para lançar a referida campanha dando ao nacionalmente conhecido Menino Maluquinho um sotaque curitibano. É extremamente triste ver que, com tantas instituições formadoras de profissionais altamente capacitados, a nossa administração pública recorre a outros pólos econômicos, esquecendo-se ou ignorando nossos profissionais ''pés-vermelhos'' para, inexplicadamente, contratar ''coxas brancas''. Qual londrinense não se indignou ao assistir o ''Menino maluquinho por Londrina'' com sotaque curitibano? Realmente, é de se indignar!
DENISE QUEIROZ SEGANTIN (bacharel em Direito) - Londrina
Teatro: calor e moscas
Sexta-feira, dia 24, compareci ao Teatro Ouro Verde para assistir a uma apresentação de música antiga. Habituado a ensaiar diariamente no palco desse teatro como integrante da Orquestra Sinfônica da UEL (OSUEL), nesse dia, porém, como espectador, não pude deixar de observar e ouvir o que ocorreu, antes, durante e depois do concerto.
Antes: as pessoas falavam a respeito do cheiro ''diferente'' que exalava... é cheiro de madeira? Que cheiro! Cheira a ... Também fizeram referência à temperatura ambiente que, somada ao odor, motivaram os mais desesperados a transformar o programa impresso em abanador.
Durante: luzes do palco ligadas, o calor aumentou! Todavia, na expectativa do início do espetáculo, a platéia silenciou. No palco os músicos atuavam e ... suavam. De repente, no ar rarefeito, surgem moscas! Elas se intrometem de tal forma interrompendo a execução musical (já sentiu o incômodo de um mosquito que insiste em pousar no seu rosto?). Pois é, descontraído, o flautista admitiu que talvez tenha aspirado um dos invertebrados ...
Depois: apesar dos incômodos, o programa musical foi cumprido com dedicados intérpretes e atenciosa platéia. O que nos preocupa a todos é que a temperatura vai aumentar ainda mais nos próximos meses. Sem nem ao menos ventilação, é muito desgastante suportar trabalhar e atuar no palco do nosso glorioso Ouro Verde. Os ''pulmões'' do nosso teatro precisam voltar a funcionar o mais breve possível.
OSÉAS PEÇANHA NASCIMENTO (músico) - Londrina
Comércio de Londrina
O comércio de Londrina é espelho de milhares de cidades do Brasil. A pergunta que se faz é: você gosta de ver pássaros em gaiolas? Sim, é bonito e como canta! É mentira, ele não canta. Ele disfarça a tristeza e a solidão. Para os que insistem em gostar desse inocente na prisão, vale a pergunta: gostaria de ser pássaro? Esta é a pergunta que se faz para os que gostam do comércio aberto aos sábados e domingos em período integral. Gostaria de estar lá atrás do balcão todos os dias do ano como se fossem passarinhos em gaiolas? Aliás, pelo menos o passarinho pode se agachar e sentar, coisa que os comerciantes não têm direito. Proposta prejudicial. Digo isto não para Londrina, mas sim para todas as cidades do País. Considero fogo de palha o vira e mexe dos gananciosos trabalhar aos sábados e domingos. Sou totalmente contra que se trabalhe além das 44 horas semanais. Tenho 55 anos de idade e trabalho há 47 anos ininterruptamente, recebo uma aposentadoria minguada e preciso trabalhar até morrer para manter minha sobrevivência. Vale ainda lembrar o exemplo de nosso Deus criador: até Ele descansou no final de semana.
OSMAEL CHIAVELLI PUGA (comerciante) - Apucarana
Onde moras
Há cerca de 15 anos passei a observar quintais e calçadas do bairro onde morava e via que as sobras de materiais de construção ficavam entulhadas nas calçadas, beirando parte interna dos muros e que acabavam por se espalhar, quebrar e a chuva levando a areia para a boca-de-lobo. Fiz alguns contatos com moradores do bairro para saber se havia interesse em doar as sobras para uma favela próxima. Alguns aceitaram a doação, mas não podiam ter gastos para buscá-lo. Inconformada, deixei que a idéia morresse. Para minha alegria, li uma entrevista na Folha onde o engenheiro Maurício Costa falava sobre o Projeto Onde Moras e, com certeza, meu coração se abriu e me senti realizada, pois a idéia havia renascido e estava se concretizando. De grão em grão se constrói um império. Quero cumprimentá-lo desejando muita sorte e sucesso em seu projeto e que tenha sempre idéias iluminadas para benefício dos menos favorecidos. Conte com mais uma voluntária!
ROSANE ARAÚJO (escrivã de Polícia) - Londrina





