CARTAS
Bons tempos
Quando se delineiam táticas e alternativas dos partidos políticos visando às eleições do próximo ano, não posso deixar de, com extrema saudades, rememorar a presença de duas pessoas que, condignamente, a partir da Câmara de Vereadores de Londrina, tiveram brilhante e exemplares carreiras políticas. Homens que conheci muito bem.
Dr. Renato Loures Bueno, médico, vereador em Londrina, amparador dos mais humildes, foi depois deputado estadual e deputado federal por diversas vezes, sempre agindo de forma gentil, com bravura e de maneira justa. Está agora com o Todo Poderoso. Antes de dr. Renato, seu tio médico dr. Josíno Alves da Rocha Loures, havia sido vereador em Londrina por duas gestões e, posteriormente, foi eleito deputado federal. Também o dr. Amaury de Oliveira e Silva, advogado, vereador em Londrina, deputado e senador da República, Ministro do Trabalho no governo do presidente João Goulart. Foi considerado em sua época o melhor orador do Paraná. Inteligentíssimo. Também hoje descansa em paz.
Na época em que estes homens atuaram não havia a necessidade de imposições de comissão de ética para julgar falta de decoro por parte de parlamentares. A cordialidade e o cavalheirismo eram inerentes aos homens sensatos, independentemente de partidos políticos. Ótimos tempos para Londrina.
Hoje em dia nos lembramos, lamentavelmente, de episódios como o ocorrido na gestão anterior à atual quando vereadores colocaram na extinta Comurb pessoas sem o devido concurso público. Os processos correm na 10 Vara Cível de Londrina. E fatos envolvendo assessores de vereadores da época em caso de extorsão a cooperativas da região? São fatos esquecidos? A população de Londrina quer saber: bons tempos voltarão?
ANTÔNIO DA COSTA FUNFAS NETO (médico-legista) - Londrina
Campanha política
O assunto começa a esquentar nos meios políticos, na imprensa, nas rodas e nas conversas sempre é obrigatório o tema. As eleições municipais são apaixonantes. Neste momento o que mais chama a atenção são as candidaturas prematuras. Existe basicamente dois tipos de postulantes: os neófitos em política que, nem a legislação conhece e também as dificuldades eleitorais; no outro grupo, os que imaginam serem mais espertos que através artimanhas tentam burlar a Lei.
Basta os eleitores observarem pela cidade que nomes, carros com adesivos, logomarcas de campanhas eleitorais em empresas comerciais e até candidatos a prefeito usando o horário de propaganda partidária com o cunho estritamente pessoal e eleitoral.
Cabe a nós, eleitores, observarmos atentamente estes candidatos que, de uma maneira ou de outra, tentam burlar a legislação, colocando-se em vantagem.
Imaginem estas pessoas no poder, o que fariam pois mesmo antes de se elegerem já usam artifícios estranhos a lei? Eleger estes pré-candidatos é no mínimo uma temeridade. Fiquem atentos eleitores, observem, anotem os nomes.
Esta é a opinião de um ''anta'' londrinense.
WALTER COSTA BARROSO - (dentista) Londrina
Vilma, a destruidor
Pela terceira vez, Vilma Costa Martins foi condenada pela Justiça goiana. A última sentença veio a público na quarta-feira, quando Vilma recebeu a pena de mais seis anos e seis meses de prisão pelo crime de uso de falsos documentos. Somadas as três condenações, a mulher que sequestrou Pedrinho em 1986 já acumula quase 20 anos de cadeia.
Mentirosa, sequestradora, falsificadora, Vilma é um personagem e tanto do noticiário policial. Se fosse protagonista de novela, certamente garantiria elevados índices de audiência com seus golpes, artimanhas, dramas, encenações e revelações.
Quase um ano depois de o país descobrir a fantástica história de Pedrinho, Vilma responde na prisão pelos crimes de seqüestro e falsificação de documentos. A polícia encerrou as investigações, a Justiça pronunciou-se sobre os crimes cometidos pela ex-empresária, as famílias souberam o que aconteceu com seus filhos outrora desaparecidos. Mas nenhuma das milhares de páginas do inquérito responde a uma pergunta: quem é Vilma?
Quando é que ela vai contar a história de seus crimes? O que ela pensa das mães que, durante anos, choraram o desaparecimento dos filhos ainda no berço da maternidade? São perguntas de que talvez nem ela mesma tenha resposta.
O que se sabe é que, por onde passou, Vilma destruiu famílias. A família de Osvaldo, que, entre outros desgostos, descobriu que ele assumiu em registro de cartório a paternidade de um filho que não era dele; a família de Jayro e Lia, que durante anos sofreu o desaparecimento de Pedrinho e hoje constrói uma relação com ele; a família de Francisca, que descobriu que Roberta Jamilly é Aparecida Fernanda, seqüestrada em 1979.
E, finalmente, a própria família de Vilma. Uma família feita de mentira, forjada a partir de seqüestros em hospitais e falsificação de documentos. Por muitos anos, Roberta, Pedrinho, Christiane Michelle e Karla formaram um lar na confortável casa no Setor Bueno de Goiânia. Hoje descobriram que aquela mulher montou uma casa de ficção.
CARLOS ALEXANDRE
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