Deus, remédio do pobre

Descobri esta semana que estava extremamente enganado. Pensava que o pior na vida era estar doente, percebi que a situação se agrava quando vivemos em um país como o Brasil, pois estar doente aqui redime qualquer pecado carnal. A situação se complica ainda mais quando se é idoso, e consegue piorar quando se depende de uma aposentadoria de um salário mínimo. Muitos, para não dizer a maioria, dos idosos brasileiros se enquadram nesta descrição.
Esta semana fazendo estágio em Farmácia atendi uma senhora, que aparentava ter em torno de 65 a 70 anos. Parecia estar nervosa e perguntei o que havia acontecido. Tremendo, ela me disse que acabara de se consultar. Achei que ela havia descoberto que tinha alguma doença grave, mas a senhora relatou que ficou à espera da consulta por pelo menos 6 horas, sentada em uma cadeira desconfortável na porta de um hospital público. Finalmente foi atendida por um médico que prescreveu dois medicamentos, o primeiro para curar suas vertigens e o outro para minimizar suas dores nas costas.
Já com a receita em mãos, a senhora dirigiu-se à farmácia mais próxima, no intuito de comprar os medicamentos prescritos. O preço dos dois medicamentos ficaria em dez reais, mas a senhora tirou cinco reais de uma bolsa e disse que teria que optar entre um medicamento ou outro, pois era aposentada e não tinha dinheiro para comprar os dois medicamentos (aqui me deparei com verdadeira realidade brasileira). Ela escolheu o medicamento para vertigens pois era o que lhe causava maior sofrimento. A senhora foi pra casa, ainda caminhando com dificuldade.
Mas não pense que a dor nas costas ficou sem solução. Ela, como muitos outros brasileiros, foi obrigada a optar pelo único tratamento em que todos os seres humanos têm acesso, o qual é composto de oração, água benta e muita fé.

JUAREZ DE SOUZA (estudante) - Londrina


Políticos e campanhas

O processo eleitoral em nosso país sempre esteve ligado a campanhas gigantescas com altos gastos. Não é raro vermos políticos gastarem em suas campanhas muito mais do que iriam ganhar em todo o seu mandato, levando-se em consideração o valor do salário que iriam receber. Qual a motivação para um político gastar em sua campanha valores que excedem os futuros ganhos salariais do cargo que irá ocupar? Quais serão os reais interesses deles? De onde virá o dinheiro para pagar o alto custo de suas campanhas?
Muitos dirão: ''Existem empresas e determinados grupos que apóiam esse ou aquele político, efetuando doações para sua campanha''. Este é outro aspecto intrigante do processo eleitoral. Qual o interesse das grandes empresas e de grupos específicos que se encontram por trás dessas doações? Ao receber essas doações os políticos não estão se comprometendo com os interesses de apenas uma minoria da sociedade? Ou no linguajar popular: Não ficam de rabo preso?. E quando houver um conflito de interesses, quem o político irá representar e defender, os eleitores ou seus patrocinadores?
Eu pergunto: onde fica a representatividade do pai de família que sobrevive com um minguado salário de fome e não pode efetuar doações para as campanhas dos políticos?. Quem representa, quem defende, os interesses do sofrido trabalhador brasileiro?

TOCHITANE MITSI (aposentado) - Londrina


Madre Leonia

Sempre tive um respeito carinhoso por pessoas que usam hábito, os religiosos - freiras, padres, monges. Quando criança conheci o Arcebispo de Mariana (MG), dom Oscar Rezende de Oliveira, ele usava o hábito talar, traje próprio dos bispos, eu o achava um santo. Aqui em Londrina tive a oportunidade de conhecer de perto a história e a obra de uma freira que acredito foi uma santa e está sendo reconhecida como tal, pelo seu povo e pela Santa Madre Igreja. É madre Leônia Milito.
Essa missionária italiana veio para Brasil construir uma história de vida e a história de uma Congregação, a que fundou - Missionárias de Santo Antônio Maria Claret. Nascida em Sapri na Itália, em 23 de junho de 1913, estudou música, piano. Recebeu educação primorosa e sobretudo religiosa, sendo filha de uma família católica piedosa. Em 1935, aos 22 anos, entra para a Congregação ''Pobres Filhas de Santo Antônio'', em Nápoles. No ano seguinte faz os votos que resumirão sua vida inteira - castidade, pobreza e obediência.
Forte e corajosa, durante os anos da Segunda Guerra Mundial desenvolveu intensa atividade social em prol das vítimas da guerra e na busca de recursos para seu convento. Na década de 50 aventurou-se em busca de desafios maiores, desembarcou no Brasil como missionária. Até aqui já dá para dizer que a freira Leônia Milito já havia acumulado méritos suficientes para fazer-se santa. Ainda era pouco diante do que a Providência Divina havia planejado para vida de sua serva. Em termos de obras era ainda o começo de um caminho de grandes realizações.
Londrina foi onde tudo começou, a jovem madre e o então bispo de Londrina, dom Geraldo Fernandes, fundaram aqui a Congregação das Irmãs Claretianas - Missionários de Santo Antônio Maria Claret -de Londrina para o mundo. No Brasil, do Sul ao Nordeste, no mundo nos 5 continentes. Da Europa, berço do catolismo, à África, em meio à guerrilha. Sempre seguindo o exemplo da fundadora, as filhas dessa congregação vivem o carisma missionário acima de tudo.
Neste sábado, o arcebispo dom Albano Cavallin celebra missa marcando o encerramento da primeira fase do processo de beatificação que já dura 5 anos e o processo será enviado para Roma, onde acontece a segunda e última etapa. Agora celebra-se uma missa de ação de graças. Espera-se, em breve, celebrar a missa da beatificação.

BETO WOICIKIEVIZ (consultor de etiqueta) - Londrina

mockup