CARTAS
Comércio: abrir ou não
Mais uma vez volta à tona a polêmica sobre o horário do comércio em Londrina. Muitas discussões sobre o assunto, envolvendo sindicatos, representantes das classes e a Associação Comercial. Porém, parece cada vez mais longe de um consenso. Penso que cabe ao comerciante decidir se quer ou não abrir seu estabelecimento aos sábados, domingos, feriados e mesmo em dias de semana até mais tarde, acompanhando o horário disponibilizado para os shoppings.
Parece-me que o ponto da discussão está no funcionário, pois são sempre os mesmos para trabalhar em todos os horários. E a folga vai para o espaço, tornando-se verdadeiros escravos do comerciante e do valor recebido em horas-extras e comissões.
As entidades representativas da cidade, poder público e Ministério do Trabalho deveriam exercer realmente sua função fiscalizadora junto às lojas e deixar livre para o comerciante trabalhar.
A criação de turnos de trabalho, restrição à realização de horas-extras já serviriam como um bom começo para evitar que o mesmo funcionário permaneça no trabalho em jornada superior à que foi contratado, fato que ocorrerá com maior frequência no final do ano, quando as lojas estarão abertas até 22 horas.
O comerciante tem o direito de vender enquanto tiver cliente para comprar, não importando o dia e horário. Porém, ele tem também, o dever de zelar pela integridade do seu funcionário, respeitando o contrato de trabalho e o horário para o qual foi contratado. Estabelecimento comercial aberto com funcionários diferentes e o comerciante é que decidirá se compensará para ele ou não estar com a loja aberta naqueles horários. Quanto ao poder público, cabe o dever de fiscalizar, pois assim teríamos realmente aquilo que todos apregoam: emprego, maior arrecadação de impostos e desenvolvimento da cidade.
WANDERLEY POLLI (técnico-administrativo) - Londrina
Padres x política
Toda profissão tem o seu valor e a sua devida função dentro da sociedade. No âmbito social todos nós profissionais temos muito a fazer, já que em nosso país grande parte da população vive abaixo do nível da pobreza. A política está diretamente ligada ao poder e não é por acaso que muitos cidadãos brasileiros investem milhões de reais em campanhas políticas: almejam conquistar o ''poder''.
Infelizmente grande parte dos políticos deixam-se contaminar pelo poder e não conseguem exercer o seu papel conforme deveriam. Vale ressaltar que inclusive os políticos de ''origem humilde'' são facilmente seduzidos pelo poder. Basta observar. E o que é pior, utilizam-se desse slogan para se elegerem.
Acredito que a nobre vocação ao sacerdócio, não combina, e jamais deveria ser desviada para a política, conforme vem acontecendo com frequência. Como católica gostaria de solidarizar-me a bispos e padres que se posicionam radicalmente contra a candidatura de padres dentro do contexto político nacional.
Confesso que ao ler a carta do padre Silvio Andrei publicada neste jornal, na última terça-feira, a princípio fiquei assustada, mas logo pude perceber a sua nobre postura em relação a esse assunto. O que só fez com que aumentasse a minha admiração por esse exemplar profissional.
Apesar de tanta corrupção e abuso do poder existente em nosso país, tento acreditar que ainda existem políticos sérios e de boa índole. Quanto aos padres, sei que eles são capazes de desenvolver e conduzir a sociedade de maneira exemplar, sem precisar de envolvimento direto com a política.
ELOISA BALAROTTI (odontopediatra) - Londrina
Jovem e violência
Certo que a violência está em franco desenvolvimento. Este é um fenômeno mundial, principalmente, entre os adolescentes, os ricos das mansões e pobres das palafitas das favelas. Os que nada têm saem cedo de casa e não pedem permissão ao sair. Primeiro que o pai e padrasto e a mãe não se importam com o filho porque não têm comida para oferecer. O filho sai na rua para pedir dinheiro para o pai, dizendo que o pai está doente. O que negou dinheiro dá um pastel, ele agradece e continua a andança. De barriga cheia não vai pra casa; primeiro que não tem fome, segundo que na casa não tem ninguém lhe esperando.
Aí vem a noite e a coisa muda. Das dez horas em diante, o jogo é bruto, não tem pra bonzinho. Bem, aí ele leva uma encomenda ali, outra acolá, lava um pára-brisa, pega uns trocos e chega a madrugada. Ele vai para a marquise de um prédio, deita num papelão, cobre com outro e assim passa a noite, passa a adolescência e vira adulto na sociedade que o hostilizou a vida inteira. Não acha espaço, quase sempre vai para a violência o que aprendeu.
Temos de juntar todas as esferas de governo municipal, estadual, federal, a imprensa e a sociedade organizada numa cruzada de salvação nacional de nossos jovens. Como resolver esse problema? Só poderá melhorar com escola em tempo integral para crianças na faixa etária de 7 aos 14 anos com quatro horas de aula na classe, uma hora e meia de almoço, três horas de esporte e brincadeiras, finalmente uma hora de jantar e está pronta a fábrica de cidadãos e cidadãs.
JOSÉ BASDÃO (agricultor) - Kaloré





